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O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

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23
Mar18

A chuva nos meus olhos (Abandono – 11)

Publicado por Mil Razões...

Girl - Free-Photos.jpg

Foto: Girl - Free-Photos

 

“Nos dias cinzentos da rua, é mais fácil ficar cinzento cá dentro” - pensava eu, abandonada na minha tristeza, enquanto olhava pela janela à espera de te ver chegar, embora soubesse que não chegarias.

Por mais dias que passem, vou sempre esperar que chegues, cansado, depois de um dia de trabalho. Por mais luas e sóis que se sigam, uma parte do tempo parou no dia em que os dias deixaram de contar para ti. A outra parte, a que continua a correr, é ditada pelas estrelas que pões a brilhar para nós aí de cima, de onde nos vês e acompanhas. E pelas centelhas de luz, que na terra brilham por ti: os nossos filhos.

 

Sempre soube que me amavas. Mas foi só depois de partires, que percebi a força poderosa do Amor. Foi depois de ficar sozinha, que entendi que o Amor salva e que Deus não nos abandona. Foi só depois de não estares aqui fisicamente, que vi que afinal a morte não é o fim e a vida é apenas uma parte do caminho.

Mas mesmo assim... queria muito que o teu caminho tivesse sido mais longo. Merecia-lo! Queria que Deus não tivesse precisado de ti no Seu jardim. – E na horta? Tens trabalhado muito? Imagino-te sempre aí, com os teus biscates, sobretudo quando preciso de usar a chave de fendas, ou a enxada.

 

Tem chovido tanto, que me ri a pensar que devias ir ajudar o São Pedro a arranjar as canalizações. Ou foste tu que rompeste os canos de propósito, por saberes que estava tudo seco cá em baixo?

 

Todos temos aprendido esta nova forma de viver – sem ti. E todos os dias, mesmo não estando aqui fisicamente, fazes parte dos nossos dias. Umas vezes fazes parte de sorrisos. Outras, fazes parte de teimosias. Uns dias fazes parte de derrotas. Outros, das nossas conquistas.

Há muitas manhãs em que me apetece abandonar-me à dor e às lágrimas. E é o teu exemplo, de força e coragem, que me faz sair da cama. Mas ainda não consigo deixar lá a tristeza, ponho-a no bolso e levo-a comigo para viver o dia.

Quando há sol, sinto que a luz me ajuda a sorrir. Lembro-me de quando éramos jovens namorados, a passear de mãos dadas e a fazer promessas de amor eterno – que eterna e amorosamente cumprirei.

Depois, nos dias de chuva na rua, é mais fácil chover nos meus olhos.

Mas tal como a chuva faz brotar a vida na terra, assim as lágrimas serão fecundas em mim. Exatamente como o teu Amor.

 

HTR

 

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