Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Mil Razões...

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

19
Ago19

A riqueza (Humildade – 2)

Publicado por Mil Razões...

Friendship - G_Grilli30.jpg

Foto: Friendship - G_Grilli30

 

No topo da montanha vivia um mestre sábio ao qual muitos recorriam em momentos de adversidade. Certo dia, dois forasteiros subiram a montanha em busca dos conselhos deste homem sapiente. Um deles possuía uma riqueza vasta e angustiava-se por estar prestes a perdê-la. O outro homem era pobre e sofria por não poder ajudar o filho que se encontrava gravemente doente, uma dor terrível que lhe consumia o espírito.

Quando o primeiro homem se encontrou com o mestre, falou-lhe de todos os seus tesouros e de como trabalhara arduamente para consegui-los, enaltecendo-se e ressalvando cada joia e cada moeda conquistada.

O segundo reconhecia as suas incapacidades e a sua pequena dimensão neste vasto universo, esperançoso de que o amor que nutria pelo filho pudesse ser suficiente, quando não tinha muito mais para lhe oferecer, nem mais que pudesse fazer.

O mestre escutou-os em silêncio, e ao fim de largos minutos, decidiu chamar os dois homens para que estes dialogassem.

- Há muito que podemos aprender uns com os outros, tanto nas diferenças como nas semelhanças. Ambos possuem riquezas que estão em vias de perder. Ambos sofrem com isso. E é na partilha que encontrarão as respostas que buscam.

 

Os homens entreolharam-se, estupefactos com o que o mestre lhes dissera, desconfiados de que tanto um como outro pudessem ser a solução dos problemas vigentes, mas aceitaram a recomendação que ele lhes dera.

Quando o mestre se ausentou para que eles pudessem falar, os dois homens confessaram as suas vidas e as suas mágoas, expetantes com o que daí pudesse advir.

O primeiro, vaidoso do seu estatuto e do que tinha, fez um inventário dos seus bens e do poder económico de que gozava. Era um homem rico que fizera maus investimentos e em breve iria perder tudo.

Quando o segundo lhe falou do filho, da doença que tinha e de como não conseguia ajudá-lo por não dispor dos meios necessários, o primeiro homem reconheceu o seu erro. Tinha-lhe falado de coisas e do seu apego às coisas, alheio ao que de verdade importava. Ao ouvir aquele homem a falar do amor que tinha ao filho, percebeu que os seus bens não tinham qualquer valor quando comparados com a vida daqueles que amava. Mas ainda havia algo a fazer. Ainda havia esperança.

 

- Falaste-me do teu filho e das dificuldades que atravessas. As minhas angústias não são nada face à tua dor. Perdoa-me por me ter achado superior.

- Todos temos as nossas dores. Não são maiores ou menores, são apenas distintas. Não há nada a perdoar. – assentiu o segundo homem.

- Ensinas-me a nobreza de caráter e por isso te estou agradecido. Sei que não me restará muito do que fui juntando ao longo dos anos, pelas dívidas que tenho a pagar, mas do que ainda tenho dou-te parte para que possas salvar aquele que amas.

- É um gesto muito bondoso, mas eu não posso aceitar. Não posso ficar com algo que não me pertence, com algo que depois lhe fará falta.

- Estas riquezas podem ser repostas, substituídas. Terei mais cuidado nos futuros negócios que fizer. Mas nada trará o teu filho de volta. Nada substituí uma vida, uma pessoa. Aceita o que te entrego de bom grado. Faz-te mais falta a ti do que a mim e assim ambos sairemos mais ricos desta partilha.

O segundo homem aceitou a oferenda com alguma relutância e constrangimento. Nunca no decorrer da sua existência tinha possuído tanto, nem tido tantos bens como naquele instante, mas só assim poderia resgatar o filho.

Despediram-se com agradecimentos e desejos de Fortúnio, satisfeitos com o culminar da sua demanda.

 

Meses depois do encontro no topo da montanha, ambos os homens se tinham libertado do seu sofrimento.

Com os bens do primeiro homem, o segundo pôde providenciar o tratamento de que o seu filho precisava, que a par do amor que nutria por ele, potenciaram a sua cura e a sua reabilitação. Era agora ainda mais feliz por ter a seu lado o seu filho, bem e de boa saúde.

Eventualmente, o primeiro homem perdeu o que lhe restava, anulando as dívidas que criara. Desprovido da riqueza material, aprendeu a regozijar-se com outros aspetos da sua vida e tornou-se num homem mais generoso e menos superficial. Não voltou a ser dono de tudo o quanto era de bom e do melhor, mas conseguiu levar uma vida modesta graças aos seus novos negócios e às boas gentes que com ele partilhavam os bens que escasseavam, reconhecendo a bondade daquele homem.

O mestre tinha razão na decisão que tomara. Efetivamente é pela partilha que enriquecemos e é através da humildade que se nos apresentam os maiores tesouros.

 

Sara Silva

 

Porto | Portugal

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Recomendamos | Filmes

 

Equipa

> Alexandra Vaz

> Cidália Carvalho

> Ermelinda Macedo

> Fernando Couto

> Inês Ramos

> Jorge Saraiva

> José Azevedo

> Maria João Enes

> Marisa Fernandes

> Rui Duarte

> Sara Silva

> Sónia Abrantes

> Teresa Teixeira

Calendário

Agosto 2019

D S T Q Q S S
123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D

Comentários recentes

Ligações

Candidatos a Articulistas

Amigos do Mil Razões...

Apoio emocional

Promoção da saúde