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Mil Razões...

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

22
Out18

Haja luz (Transparência – 7)

Publicado por Mil Razões...

Light-bulb - Jukka Niittymaa.jpg

Foto: Light-bulb - Jukka Niittymaa

 

- Luz, quero mais luz! Dai-me luz!

Urgiu, nas suas últimas palavras, reza a lenda, Goethe, no seu leito de morte, para com quem o acompanhava.

Mas a morte, surda, cega, opaca, não deixou passar a luz.

Ver, no sentido de saber, conhecer, é viver. Para ver precisamos de fazer com que a luz chegue até nós, sem obstáculos.

 

A falta de luz, assim tal e qual, deixa muitas criancinhas, com medo do escuro. O desconhecido faz-lhes medo, torna-as inseguras, ansiosas. Precisam de uma luzinha, de presença que seja, para se sentirem no controlo e poderem adormecer. É como o obscurantismo, com consequência nos adultos, vive do medo, do rumor, da distorção, alimenta e cavalga a ignorância.

 

O ar do dia ensolarado e de límpida atmosfera, o vidro amplo, liso, perfeitamente fabricado, a água cristalina, mesmo que corra, permitem ver através de si, são transparentes. Deixam passar a luz.

A transparência deixa passar tudo, ver e ser visto com nitidez: a verdade, a mentira, o reflexo, a refração. Ela, assim, vai-nos enriquecendo de ferramentas que nos permitem ver e saber e criticar e analisar.

 

A transparência faz, proporciona, com que cada um aja como se estivesse a ser observado.

Dá poder. Dá responsabilidade. Gera respeito.

Informação é poder, com informação, formação generalizada, ajo e uso o poder com responsabilidade e respeito, entre semelhantes.

 

Se não houver black outs e a transparência for generalizada, a luz beneficia todos, todos teremos acesso a saber, conhecer pelos nossos próprios meios. E assim estaremos mais bem preparados para saber das coisas, compreendê-las, discuti-las, dar contributos. Sem intermediários que nos contam a sua verdade. Sem alguém com poder para decidir o que cada um pode ou não saber.

 

Sim, é utópico.

Haja luz.

 

Jorge Saraiva

 

19
Out18

Momentos de evasão (Transparência – 6)

Publicado por Mil Razões...

Dolphins - Free-Photos.jpg

Foto: Dolphins - Free-Photos

 

O meu elemento é a água, sempre foi, o que não será de estranhar e de ser natural, porque o meu signo é Peixes. Penso sempre na água como algo ligado às emoções, graças à sua transparência que faz com que todos os sentimentos ganhem fluidez, nutrição e força por onde passa. Daí se explique também o meu fascínio pelo Mar, que nunca me canso de o observar e, sobretudo, de o contemplar sempre que posso ouvir o seu espantoso silêncio e por ele deixar-me envolver, evadir-me até aos limites da minha imaginação.

Quando o vejo calmo e tranquilo, observando a sua condescendente mansidão, sinto-me tentado a entrar mar dentro, mergulhar nas suas águas profundas, límpidas e transparentes e ir conviver com as suas miríades habitantes. Só ele, o Mar, enquanto elemento da Natureza, é capaz de revelar através da sua infinita e genuína transparência as suas maravilhas e os seus encantos. É, sem dúvida, o maior reino de águas transparentes que se conhece no Universo, dir-se-ia uma porta aberta a todo o mundo, em que nele se pode entrar sem pedir licença, penetrar até aos seus confins infindáveis, o que nos permite desvendar os mistérios que tão ciosamente guarda. Ele é infinitamente grande, poderoso, dominador e misterioso, mas, porque é generoso, nem por isso deixa de exibir, de mostrar, através da sua enorme transparência, toda a vida maravilhosa que nele existe.

 

José Azevedo

 

15
Out18

No intervalo da vida (Transparência – 5)

Publicado por Mil Razões...

Background - Public Domain Pictures.jpg

Foto: Background - Public Domain Pictures

 

“Entre o meu sonho do porto e o meu ver esta paisagem

E chega ao pé de mim, e entra por mim dentro,

E passa para o outro lado da minha alma...”

Fernando Pessoa

 

Sem bluff, ver logo a pessoa como é. Através dos gestos e palavras. Talvez mais do que faz e, se calhar, nem tanto como o faz. Talvez o que não faça e, nesse instante, o silêncio que estilhaça. Ver uma serenidade ou a indecisão que toma conta desse estar.

Uma terra que se sente revolvida à espera de ser cultivada. Os frutos e as plantas. Tomilhos e flores de borragem.

Contar contigo porque me dizes o que pensas a cada momento, ver essa liberdade, senti-la como partilhada comigo e podendo eu também respirar desse teu estar de cabelos soltos. Permitir-me deixar ir contigo.

Perguntar como será ser e estar assim de um modo simples, direto e quase desarmante, ser o que se é e como se sente.

Por vezes, atento sobre as amarras de uma invisível embarcação, como se se tratasse de um “navio de espelhos / não navega, cavalga” do Cesariny. E, nesse navio de espelhos, deambulamos por entre os fios de ouro envoltos em brumas e névoas ou quando o sol aparece, pelo ar que transpira das janelas que não conhecíamos encerradas, do lado de dentro.

Abrir os meus olhos ao outro e, nesse encontro, exalar uma mesma música que soa, de mim para ti. Chegando mesmo ao outro lado.

 

Maria João Enes

 

12
Out18

Amo-te “fantasmagoricamente” (Transparência - 4)

Publicado por Mil Razões...

2 Face.jpg

Foto: Face

 

Eu sentia, eu sabia. E ela perguntava-me: “Sabias o quê?”.

Sabia quando olhava para ti, sentia aquelas ditas “borboletas no estômago”, aquele friozinho que arrepiava até ao fundo da alma. Os meses iam passando e a paixão acentuava-se, nada diminuía, muito pelo contrário. O carinho que sentia era cada vez maior, a cumplicidade e o amor. Dizia-te muitas vezes que eras daquelas pessoas únicas, que dava para passar por ti como se nem estivesses presente. E tu rias à gargalhada, não entendias – dizias tu. Dizias que não eras nenhum fantasma, que eu estava a ver muitos filmes, como era possível passar através de alguém, e rias novamente. Eu ria-me também. Não, não era nada fantasmagórico, era uma maneira de te dizer que isso era uma das tuas melhores qualidades. Uma das coisas que mais admirava em ti, a tua transparência. Eras das poucas pessoas que conheço que eram exatamente aquilo que transpareciam. Que nos tranquiliza à primeira, que nos faz apaixonar sem medos, que nos transporta para outro mundo, um mundo mais leve, mais colorido. Coisas assim, nos dias de hoje, estão a ficar em vias de extinção. Tu rias-te quando dizia tal coisa. Porque a tua bondade às vezes era ingénua, mas esse olhar doce e ingénuo só me fazia amar-te ainda mais. Em ti eu sabia que podia confiar, sabia que me podia apoiar. Que podia ser sem medos. Sem segredos.

 

Digam-me vocês. Não é bom amar assim? Poder ser livre estando com alguém? Podermos ter a certeza da transparência da pessoa com quem vivemos, que amamos? Sim! Eu sinto-me uma sortuda. Amo-te “fantasmagoricamente”, dizia-te. E tu? Sorrisos com esse sorriso doce e ingénuo.

 

Inês Ramos

 

08
Out18

Vidro e Espelho (Transparência – 3)

Publicado por Mil Razões...

2 Driving - Jake Heckey.jpg

Foto: Driving - Jake Heckey

 

Nada é o que aparenta ser. Há sempre o reverso, a perspetiva contrária ou o outro lado da história.

Nem nós somos consensuais. Geramos impressões e opiniões díspares, multiplicando-nos pelos contextos e papéis assumidos. É assim que nos interligamos com o mundo e as suas diversas faces. E todos apreendemos a realidade através da subjetividade dos sentidos e dos significados atribuídos, construindo assim um quotidiano entre o preto e o branco.

Presos às conceções que ganham raízes, tornamo-nos incapazes de ver mais além, de encarar o outro e as (suas) circunstâncias, de buscar a verdade por detrás das magras aparências. Limitamo-nos à passividade, amealhando, sem contestar, tudo o que nos chega.

Mas há muito mais para além disso. Há que romper com esta falsa transparência, que se assume como janela para o interior do outro ou mesmo da verdade e afinal não é mais de que um espelho de nós mesmos e da nossa visão do mundo, não como ele é, mas como pensamos que seja.

 

Sara Silva

Porto | Portugal

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