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O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

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28
Out15

Divagando no tempo (Tempo – 12)

Publicado por Mil Razões...

CurlOfALowTideWave-CirceDenyer.jpg

Foto: Curl Of A Low Tide Wave – Circe Denyer

 

É engraçado como o tempo, por vezes, é difícil de contar. Como às vezes parece passar tão depressa; outras tão devagar. Porque o que é o tempo, afinal? Será de facto mais que uma ilusão humana? Ou que importa, de todo, procurar distinções entre ilusão e realidade, uma vez que nunca saberemos mais do que a nossa perceção do mundo e que nunca nos preocuparemos com mais do que o que sentimos a cada momento?

Das reflexões sem fim pelos recantos da imaginação, da razão, ou de tudo o mais que nos guie, emerge então a fantasia. Eu diria que em relação ao tempo – e ao modo como ele nos comanda, com tanta força, sempre que procuramos ser nós a comandá-lo – estas meditações eternas podem trazer alguma leveza. Isto é: independentemente da natureza real ou ilusória do tempo, ele mostra-se invariavelmente algo tão maior que nós próprios! Sejamos nós um pequeno frágil boneco nas mãos da grandiosidade do tempo, ou um mar de complexidade que constrói ideias abstratas de algo totalmente ilusório – ou nenhum dos dois aspetos, ou ambos ao mesmo tempo – o tempo, em si (seja ele o que for) ultrapassa tão grandemente a nossa consciência…

Porque não sabemos dizer o que é o tempo; não sabemos vê-lo nem senti-lo. Poderão dizer-me, então, que estou errada e que sentimos claramente o tempo quando corre por entre nós. Mas isso que sentimos são os movimentos do tempo e não tanto o tempo em si.

Porque seja a natureza do tempo aquela que for, é algo que nos ultrapassa em tal grandiosidade! Mencionei já que estas reflexões sobre o tempo nos podem trazer uma certa leveza? É verdade – porque quando nos deparamos com algo tão maior que nós próprios, todo o peso doloroso da nossa existência dissipa- se subtilmente com o sopro do vento. O que resta então? Entrega.

Pouco importa se algo do que digo é verdade se não. Tudo é como o tempo – ilusão ou realidade, só a sensibilidade das nossas perceções nos comanda – e logo corremos constantemente dentro do nosso próprio olhar. No entanto, quando a visão se torna turva e o corpo pesado, podemos parar e contemplar o tempo. Podemos, por um momento, escolher leveza, entrega, liberdade.

 

Isabel Pinto

 

Porto | Portugal

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