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Mil Razões...

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

06
Abr15

E agora!? (Agora – 3)

Publicado por Mil Razões...

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O Agora é um viveiro de sentimentos e emoções. Criam-se e reproduzem-se saudades, nostalgias e outros estados de alma sobre o passado, alimentam-se ânsias e desejos do futuro. O aqui e agora é inutilmente esquecido, para nos fixarmos no que já passou e no que ainda há de vir.

Ainda há pouco, o indispensável passeio matinal de domingo pela alameda de árvores floridas, com pombos de penas aprumadas e arrulhar rejuvenescido, manifestações claras de que estão prontos para perpetuar a espécie, espevitou-me para o dia. O sol, pouco quente mas brilhante, tem sempre o efeito de me resgatar ao bafio do soturno inverno. Só agora, passado que é, consciencializei-me de que foi um momento muito agradável e que merecia ter sido apreciado com mais entrega.

Agora, frente ao computador, vejo deslizar palavras e imagens que não prendem a minha atenção, engolida que é pelas memórias do passado. As memórias tomam conta do momento e dominam-no.

Num dia de sol, noutro tempo e noutro lugar, no meio de dor e alegria, perpetuei a minha existência com o nascimento do meu filho. Foi há alguns anos, mas ainda consigo sentir, agora, o mesmo que senti na altura. A vida que teimava em sair e provocava movimentos visíveis no meu ventre, o desejo de ver e tocar, o vazio do meu corpo abandonado, o cansaço, os odores, tudo isto, sendo passado, fará sempre parte do meu presente. Não quero, por nenhuma razão, afastar estas emoções de tão valiosas que são. Mas se nesse momento ganhei da vida e para a vida mais um Ser, noutros perdi. Perdi pessoas de quem nunca quis separar-me. Chorei-as até me conformar com a perda. Inconformei-me com enganos e injustiças. Sofri abandonos e abandonei. E, de cada vez que a minha tranquilidade era interrompida, perguntava-me: E agora!? O imperativo da pergunta exigia uma resposta urgente. E tantas vezes o esforço, para conseguir uma resposta que me desencalhasse e me recolocasse no presente, era tão doloroso como a causa.

Decidi, não sei quando, relativizar o passado, viver para o agora.

E agora!?

Agora, termino como comecei, o agora é um viveiro de sentimentos e emoções. Sobre o passado esboço um sorriso ingénuo e conciliador, sobre o futuro, ali mesmo à minha frente, deixo-o desenrolar-se devagarinho, sem ânsias demasiadas, porque agora é tempo de viver o momento.

 

Cidália Carvalho

 

03
Abr15

Sem futuro (Agora – 2)

Publicado por Mil Razões...

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Há o passado. Quando te conheci. Tão nova, tão ingénua, tão crédula de tudo! Sonhadora, tomei decisões (precipitadas ou não, já estão tomadas). Dei passos e escolhi os caminhos a percorrer. Fui contigo.

 

E agora? Agora vejo que investi em vão, sonhei em vão, acreditei em vão.

Mas agora o caminho é este, há que enfrentar as consequências das minhas escolhas. E assumir a responsabilidade dos meus (estúpidos) atos.

Agora sei que não vai haver futuro para nós. Vai apenas haver o eu e o tu, juntos na solidão desta escolha.

E apercebo-me de que não sinto nada em relação a isso. É só um vazio, uma indiferença. Que triste, sentir-me assim, não triste! Qualquer sentimento, mesmo que mau, feio ou negativo, seria melhor do que este não sentir nada.

Agora que me esvaziaste de mim, eu esvaziei-me de ti.

 

Sandrapep

 

01
Abr15

O resto da vida (Agora – 1)

Publicado por Mil Razões...

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Agora sou quem sou! Sou o resultado do meu passado e este faz-me falta para perceber quem sou agora e, não seria quem sou, se não fosse o meu passado. Agora sou também aquilo que projeto para o meu futuro, o qual resulta do meu passado (experienciado) e do meu agora. Assim, percebo expetativas para a minha vida futura. Sérgio Godinho já dizia (diz) que “hoje é o primeiro dia do resto da minha vida”. Esta afirmação perspetiva futuro e passado. Futuro, porque hoje é o 1.º dia e, passado, porque o hoje é o resto. Assim, quando se diz “O resto da minha vida”, o futuro é analisado à luz do passado e do agora.

Ao passear na rua, no nosso trabalho, em nossa casa e em outros sítios, cruzamo-nos, muitas vezes, com a frase “o melhor será viver um dia de cada vez”. Tenho dificuldade em percebê-la; faz-me refletir sobre a vivência e a existência humana; confesso até que fico desapontada e triste… não percebo muito bem porquê; dizem-me que, pensando assim, serei mais feliz… será que me dizem para viver aquele dia com muita intensidade – viver o agora com muita intensidade? Colocar tudo no hoje? Como o faço se estiver mal com o meu passado e com o meu futuro?

Por outro lado, o agora, o hoje, não deverá ser avaliado como o “escuro que fica depois de se esgotar a luz de uma vela que desapareceu”. Cardoso (2010) ao falar de depressão realça que esta empurra para o fosso escuro da existência; está-se embaraçado, ancorado, emperrado na marcha para diante. O tempo íntimo (tempo que está dentro da pessoa) está parado, não é capaz de andar para a frente para acompanhar o tempo de fora, o tempo do mundo. Assim, não há passado nem futuro no agora da pessoa deprimida.

“Viver um dia de cada vez”; “hoje é o primeiro dia do resto da minha vida”… sinto-me bem quando percebo o hoje como o primeiro dia do resto da minha vida. Dá um sentido temporal à minha vida; dá um sentido útil ao agora, porque é o primeiro dia e, por ser o resto da minha vida, precisa de ser pensado para preparar o resto; o futuro. Assim, não me permite pensar que o “tempo do agora” é “o escuro que fica depois de esgotar a luz de uma vela que desapareceu”.

O agora parece-me ser um “sítio” de análise complexa. Será dificuldade minha…

 

Ermelinda Macedo

 

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