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Mil Razões...

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

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04
Fev14

Intervalo não é mais do que dar espaço (Intervalo… - 15)

Publicado por Mil Razões...

 

 

O ambiente é de paz. Sente-se uma energia de harmonia a pairar. Deita-se no seu tapete e espera que a professora entre para dar início a mais uma sessão de Yoga. Como estava diferente desde que iniciara a prática do Yoga. Podia ser impressão sua, mas sentia-se mesmo mais confiante, mas também serena, para enfrentar a vida. E tudo o que tinha de fazer era estar centrada em si mesma durante a sessão. Sorriu ao pensar que antes de iniciar esta prática ignorava totalmente o quanto pequenas alterações na forma de estar podiam fazer tanta diferença. No início não foi fácil. A professora dizia para estar atenta à respiração… que havia ali um intervalo, muito, muito pequeno em que o processo da inspiração dava lugar ao da expiração. Ela no início achou aquilo ridículo, mas como era perseverante esteve atenta, sempre que se lembrava. Depois pedia para, entre duas posturas, permanecer imóvel, sem arranjar roupa ou cabelo. Dizia que as pessoas deviam evitar o movimento que não fazia falta e que estes intervalos entre duas posições permitiam que o corpo voltasse ao “ponto zero”. Realmente ela sentia-se melhor depois dessa pausa. E quando chegava o fim da sessão e se deitava no seu tapetinho para a fase do relaxamento, a professora repetia o quanto eram abençoadas as pessoas que davam valor ao intervalo. Porque um intervalo é uma pausa. Pausa é ausência. Ausência é paz. Paz é contrária ao sofrimento… tudo o que a humanidade deseja! E há tantos intervalos a valorizar, dizia a professora. O intervalo a meio do dia para cuidar de si mesma. O intervalo entre duas frases importantes para lhes dar mais importância. O intervalo entre dois amores, para deixar as emoções se estabelecerem na calma. O intervalo entre dois pensamentos, que é a meditação… era mesmo isso. Intervalo é dar espaço! 

Sim, pensava ela sempre que saía da sessão de Yoga. Foi o presente mais abençoado que deu a si mesma: a possibilidade de dar um intervalo a si mesma, à sua rotina, que a modificou. Só isso. Tão simples… sorriu, aconchegou-se no seu casaco, sorriu e encarando o mundo de frente foi trabalhar!

 

Sara Almeida

 

 

02
Fev14

Uma boca cheia de pássaros (Intervalo… - 14)

Publicado por Mil Razões...

 

Eis-me finalmente! Sentado neste canto vazio, fumando. Não me ocorre nada para fazer. Nem quero. Lá fora é tudo diferente. Tenho tudo para fazer. E ai de mim que não faça! Só quero que este momento dure, dure, dure muito para além do cigarro. Que se fixe e o mundo pare.

Vejo o fumo a esvoaçar lenta, tranquilamente, como se tivesse o dia ganho. Lá vai ele sem missão, a voar para longe daqui. E desaparecer. Sou eu que o deixo ir. Ou não deixo. Eu controlo. Eu escrevo no ar o que me apetece. Leva com ele pedaços de mim, do que eu sou, para alguém, para ninguém.

Por vezes encho a boca e não o deixo sair. Fica comigo e entranha-se. Quando encho a boca é para que fique lá. E depois sinto-o a mexer, a estrebuchar, porque quer sair. Mas eu não deixo. Mas ele debate-se, debate-se e intoxica. Por vezes escapa-se, agarrando-se à liberdade com todas as forças, diluindo-se logo de seguida no ar, desaparecendo sem deixar rasto, de vez, acabando. O que lá fica esvoaça em pânico. Quer sair à bruta, chocando em todos os cantos, louco. Sinto-o num crescendo de força, revigorado. Mal abro a boca sai em bando, repentina, densa, desesperadamente, em fuga. Deixo-o ir. Por agora. Sou assim. E vou buscar mais. E mais. E mais. Até que o cigarro se acaba. E a minha liberdade também. Ter uma boca cheia de pássaros não é a mesma coisa que ser um pássaro. Agora vou eu para a boca de alguém.

 

Joel Cunha

 

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