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O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

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04
Dez12

A dimensão cultural da cidadania (Cidadania – 6)

Publicado por Mil Razões...

 

As sociedades são sistemas dinâmicos que evoluem ao longo do tempo, os seus grupos sociais modificam-se e adequam-se consoante o nível de desenvolvimento económico, cultural, tecnológico e ambiental. No seu epicentro tem a pessoa, ou cidadão, que é a célula elementar e diferenciadora dos grupos sociais. A sua atuação manifesta através da cidadania transforma, por sua vez, os elementos sistémicos e não humanos, constituindo estas as variáveis manipuláveis pelo cidadão.

A cidadania é assim toda a ação, prestada de forma direta ou indireta, consentida pelo cidadão no gozo dos seus direitos e deveres - através dos instrumentos de emancipação, que visam a manutenção de um equilíbrio social e sustentável favorável. A sua vigência é voluntária e favorece intrinsicamente a toda sociedade de que o próprio cidadão faz parte.

Um melhor desempenho da sociedade em geral depende da forma como os cidadãos podem manipular favoravelmente os instrumentos de emancipação, cientes do seu impacto, conjugados com os indíces de evolução das respetivas sociedades. O cumprimento da obrigação fiscal, eleitoral, etc., depende da consciência de cada indivíduo e da contrapartida que estes esperam beneficiar em forma de usufruto de direitos e da qualidade expetada dos serviços públicos.

Sempre que o equilíbrio entre estas duas perspetivas não ocorre, em resultado de uma inadequada compensação das contrapartes, pode ocasionar alguns desvios que nem sempre favorecem os mecanismos e padrões de crescimento das sociedades. O êxodo ou afluxo de dinâmicas negativas gera desordenamento na composição e arrumação das cidades, que é o local (espaço físico) onde se fixam e concentram os cidadãos. Ao nível do desenvolvimento dos locais de concentração humana, fenómenos como a ruralização das cidades ou a urbanização dos campos erguem-se em resultado desta ambiguidade.

A abordagem cultural tornou-se transnacional com o advento da globalização, trata-se pois de um aspeto premente na conceção e definição de perfis profissionais atinentes a necessidade de adaptação do indivíduo a um ambiente multi-cultural. Para catalizar esse atributo, um cidadão globalizado deve desenvolver competências transversais, designadas soft skills, como atributo essencial para o desenvolvimento de competências pessoais assaz para o exercício de cidadania no seu contexto ou ambiente específico.

Um dos grandes alcances da cidadania é o de promover a mudança como presságio ao almejado desenvolvimento humano que se consubstancia em transformação social profunda e integrada que nalguns casos reformam os pactos sociais vigentes de há gerações passadas, no entanto, estas transições cíclicas devem ocorrer de forma inclusiva e pacífica com intervenção das forças vivas da sociedade e salvaguardando o interesse das três gerações em transição.

Como tal as gerações devem cooperar de forma competitiva - cooptição, gerando sinergias que validam e alimentam de forma consensual o processo de construção de uma sociedade civil forte e comprometida com o bem-estar de todos, plasmado nos planos macro-estratégicos de desenvolvimento do país, sem comprometer as liberdades, direitos e obrigações fundamentais dos cidadãos.

O respeito e valorização da cultura nacional e dos nossos valores, abre espaço ao diálogo entre as várias gerações, alicerçando bases para uma maior proximidade e enlance entre as diferentes pessoas. Este princípio alavanca fundamentalmente a capitalização das semelhanças e diluição das diferenças entre as pessoas, evitando-se assim a auto-desresponsabilização, que chega até a ser crónica, como uma das maiores inconsistências da cidadania.

 

António Sendi (articulista convidado)


Porto | Portugal

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