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Mil Razões...

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

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12
Mai09

Retrato de sentimentos

Publicado por Mil Razões...

 

Numa tela em branco, pincelada após pincelada, vai-se dando formas a um estado de alma traduzido em cores, traços e riscos.
Carregando-se mais no azul para que se possa percepcionar a agitação das águas que se tenta recriar. O preto serve para dar formato as âncoras que se vêem presas a uma silhueta humana. Preto e mais preto agarrado a cada membro de um corpo demasiado franzino para segurar tanto peso.
A vida tumultuosa e imprevisível é representada por um mar revolto e encrespado, os constantes e permanentes obstáculos ganham o contorno de ondas.
Sob a aparência de uma pequena e discreta “mancha” consegue-se vislumbrar o lugar que se pretende alcançar. O possível oásis onde se possa saciar a sede, matar a fome e conquistar a tranquilidade.
 
Com tons pálidos, o esboço de um ser humano salienta-se, um rosto sem definições, sem características particulares. Vê-se o significado da sobrevivência, traduzida em braçadas constantes para conseguir manter um corpo demasiado fraco, com demasiado peso, à tona. Esse rosto, esse corpo pode ser de qualquer um, pode ser meu, teu, dele ou daquele! Quantos de vós já se sentiram a afogar, a perder a força e a querer desistir?
Já alguma vez se sentiram no meio de um oceano, sabendo que para sobreviver teriam de nadar sem parar, vencer o cansaço, o medo, e ainda suportar o peso de âncoras amarradas a cada uma das pernas e cada um dos braços? Tiveram de boiar e descansar para recuperar forças, fôlego, para logo em seguida, após algumas braçadas fortes, se sentirem novamente cansados e impotentes para prosseguir um milímetro mais.
A solução foi-vos dada pela razão: tinham apenas de desamarrar as âncoras e deixarem-nas escorrer até as profundezas. A indecisão foi-vos ditada pelo coração, quando continuaram e persistiram em alcançar a tal “mancha” sem se desfazerem do peso de uma âncora que fosse. A teimosia, o orgulho, a estupidez, a inocência, o carinho, o amor foram verdadeiros ditadores!
Debateram-se mais e com mais força que a própria fúria de Neptuno num dia de tempestade! Resistiram e persistiram estoicamente, sentiram que nadavam em círculos, sabiam que perdiam tempo e mesmo assim continuaram em insistir? Insistiram em não abrir mão de pesos que já se encontravam mortos e a possibilidade de os salvar há muito tinha-se extinguido!
Tudo porque teriam que admitir que perderam, que se perderam - a vida, o conteúdo, o valor, o significado, o sentimento que aquelas âncoras representavam!
 
Sem saberem distinguir se o sabor a sal que sentiam na boca seria das lágrimas ou da água que vos ameaçava afogar, tiveram de largar, de desistir, e de esquecer os motivos que vos levaram a tentar salvar a todo o custo umas âncoras que, um dia, tiveram a forma de um bonito sentimento e os contornos de um sonho.
Sentimentos, sonhos que poderão ter a forma de âncoras para mim, para ti, para ele ou para aquele.
 
Numa última pincelada termina-se a tela com todas as cores, todos os traços e riscos que representam um estado de alma quando se termina uma história.
 
Susana Cabral
(Imagem: Barcos Holandeses na Tempestade, de J. M. W. Turner)
 

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