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Mil Razões...

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

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29
Dez13

Noivas sem liberdade (Liberdade – 17)

Publicado por Mil Razões...

 

Associamos o conceito de liberdade à vontade, à espontaneidade e à autonomia, dentro de determinados limites, por exemplo da lei. Podemos estar a referirmo-nos à liberdade de expressão, de pensamento, à liberdade de escolha e também à liberdade física.

Falemos brevemente da liberdade de escolha. Por exemplo ao direito de uma mulher escolher o parceiro, ou até parceira, com quem partilhar uma vida.

É interessante pensarmos que nos dias que vivemos, na Europa ocidental, há uma certa liberdade ao nível das escolhas. Apesar de, numa outra escala, podermos discutir os riscos decorrentes do controlo das comunicações por determinadas potencias mundiais.

E se de repente, literalmente de repente, quando uma mulher passeia na rua é raptada e se, mesmo que esse rapto seja ilegal, como seria de esperar, é socialmente aceite? E se, imediatamente após o rapto, a mulher fosse conduzida para o seu próprio casamento não consentido? Será que isso abalaria o nosso conceito de liberdade? Poder-se-ia encaixar este comportamento neste nosso século, nos nossos dias? No nosso conceito de liberdade?

Pois bem, curiosamente esta prática acontece hoje na Ásia, no Quirguistão com cerca de cinco milhões e trezentos mil habitantes (estimativa de 2005).

Localizado na Ásia central, entre o Uzbequistão a oeste, Cazaquistão ao norte, Tajiquistão a sudoeste e China a leste, parece ser que metade dos casamentos resultam deste tipo de tradição.

Quando um homem decide casar escolhe a noiva e organiza o seu rapto. Os homens amigos e familiares do noivo preparam e concretizam o rapto e a “noiva” é conduzida para a casa dos familiares do noivo, onde as mulheres mais velhas, familiares do noivo, tratam de convencê-la a aceitar o casamento que se realiza rapidamente. É o destino da noiva e é a tradição!

Apesar da lei prever uma pena de sete a dez de anos de prisão (se a vítima tiver idade inferior a dezassete anos) para os sequestradores, a prática parece manter-se.

Claramente a sociedade, nesse fim de mundo, não trata as mulheres quirguizes com o mínimo de liberdade. Os direitos das mulheres nessa sociedade não têm qualquer significado.

Sartre refere que o homem é livre por si mesmo, independentemente dos fatores do mundo. Onde e de que forma?

 

Ana Teixeira

 

Porto | Portugal

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