Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Mil Razões...

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

Destaque

Amigos do Ziki - Uma ferramenta para o pré-escolar.

09
Jul10

Depressão e euforia (Perturbações – 6)

Publicado por Mil Razões...

 

Os estados emocionais são condição essencial da experiência humana. Traduzem sensações subjectivas, positivas e negativas, que variam em intensidade e duração, sendo de carácter transitório e sensível às experiências do indivíduo. São resultado da actividade cerebral e influenciam áreas específicas do funcionamento neurocognitivo como a atenção e a motivação, determinando o que é relevante para os seres humanos. Nesta medida, são consideradas uma representação da saúde psicológica do indivíduo e possuem um amplo papel no ambiente clínico.

Não existe uma taxionomia ou teoria para as emoções que seja geral ou aceite de forma universal e é grande a panóplia das emoções vivenciadas por todos nós. De entre as diferentes emoções, onde se pode incluir o prazer, a alegria, a euforia, o êxtase, a tristeza, o desanimo, a depressão, o medo, a ansiedade, a raiva, a hostilidade e a calma, a depressão e a euforia apresentam características opostas. Isto porque o sintoma cardinal da depressão é o humor disfórico, termo que implica tristeza, geralmente incluindo perda de interesse ou prazer na maioria das actividades da vida. Já a euforia é um estado de espírito caracterizado por uma satisfação e alegria fora do normal, aceleração extrema e inquietude, estimulando o impulso para compras e a hiper-sexualidade, entre outras reacções. Então, euforia e disforia são dois estados opostos, tal como alegria e tristeza e felicidade e infelicidade.

 

Do ponto de vista da utilidade, os estados emocionais são auto-reguladores e, pela informação que transmitem, podem ser poderosos aliados em termos de conduta. Mas esta aliança nem sempre acontece, já que o ser humano tende para a rigidificação ao nível do pensamento e é com grande facilidade que se deixa guiar por aquilo que sente sem pensar muito sobre o que está a acontecer.

A meu ver, tal como nos relacionamos com os outros, relacionamo-nos com nós próprios e com os nossos estados emocionais (não só a euforia e a disforia, como com todos os outros). Neste processo, a relação estabelecida pode ser adaptada, com os estados emocionais a serem usados como forma de orientação e regulação pessoal, ou desadaptada, quando as pessoas são apenas veículos para a sua expressão desorganizada. Daí que seja importante que cada um de nós se pergunte regularmente: Que tipo de relação tenho com as minhas emoções? Esta relação é vantajosa para mim?

 

Ana Gomes

 

01
Jun10

Cisão emocional (Perturbações – 2)

Publicado por Mil Razões...

 

A Perturbação Bipolar, antes denominada Perturbação Maníaco-depressiva, insere-se no grupo mais amplo das Perturbações do Humor, onde se inclui também a Perturbação Depressiva.

Para a compreensão deste grupo e das perturbações que lhe estão associadas, é necessário ter em conta os diferentes episódios de alteração do humor – Episódio Depressivo, Episódio Maníaco, Episódio Misto e Episódio Hipomaníaco – que servem como princípios orientadores para o diagnóstico de uma Perturbação do Humor.

Muito sucintamente, a característica essencial de um Episódio Depressivo é um período (pelo menos 2 semanas) durante o qual existe ou humor depressivo ou perda de interesse em quase todas as actividades.

Um Episódio Maníaco é definido por um período distinto (pelo menos 1 semana) durante o qual existe um humor anormal e persistentemente elevado, expansivo (i.e., eufórico, excepcionalmente bom, alegre ou elevado) ou irritável, com frequente labilidade do humor.

Um Episódio Misto é caracterizado por alterações do humor (pelo menos 1 semana) de modo rápido (tristeza, irritabilidade, euforia) acompanhadas por sintomas de Episódio Maníaco e Episódio Depressivo.

Finalmente e tal como o Episódio Maníaco, o Episódio Hipomaníaco é definido por um período distinto (desta vez de pelo menos 4 dias) durante o qual existe um humor anormal e persistentemente elevado, expansivo ou irritável. No entanto e em contraste com o Episódio Maníaco, o Episódio Hipomaníaco não é suficientemente intenso para provocar uma clara deficiência no funcionamento social ou ocupacional.

Para o diagnóstico de uma Perturbação Depressiva é necessária a ocorrência de um ou mais Episódios Depressivos, sem história de Episódios Maníacos, Mistos ou Hipomaníacos. Já no caso da Perturbação Bipolar, que se subdivide em Perturbação Bipolar I e Perturbação Bipolar II, para o diagnóstico da Perturbação Bipolar I é necessária a ocorrência de um ou mais Episódios Maníacos ou Episódios Mistos (frequentemente com história de um ou mais Episódios Depressivos), para o diagnóstico da Perturbação Bipolar II é necessária a ocorrência de um ou mais Episódios Depressivos acompanhados de pelo menos um Episódio Hipomaníaco (DSM-IV-TR).

 

Admite-se hoje, em geral, a existência de numerosas formas de transição entre estados depressivos e maníacos, para além das formas supra citadas. A Perturbação Bipolar é apenas mais uma das expressões que as Perturbações de Humor podem ter e distingue-se da Perturbação Depressiva pela inclusão de episódios, quer maníacos ou mistos (I), quer hipomaníacos (II). Esta síntese que não abarca, de todo, a complexidade que é a Perturbação Bipolar, pretende apenas dar a perceber a instabilidade, ao nível da alteração de humor, que é característica desta perturbação. Para estes doentes a fonte da instabilidade são as emoções, que lhes provocam oscilações (na forma de episódios) que podem variar entre a tristeza profunda e a alegria extrema. Este salto constante entre um pólo e o outro (daí a designação “bipolar”), resulta de cognições desajustadas, interpretações erróneas da realidade, que provocam pensamentos e sentimentos, quer excessivamente positivos, quer excessivamente negativos. Assim, o rebuliço interno típico dos episódios que caracterizam esta perturbação, causa transtorno significativo e provoca grande sofrimento (que depende da intensidade e frequência dos episódios) naqueles que padecem desta doença.

 

A maioria de nós usa uma balança interna para pesar os acontecimentos da nossa vida. Num prato colocamos os prós, no outro os contras, e fazemos um balanço que pode levar a continuar, ou mudar de estratégia(s). Imagine agora o que seria se, como resultado de um ou mais episódios de alteração do humor, só usasse um prato dessa balança de cada vez. Num dia pesa apenas o positivo e, como não colocou nada no outro prato, o positivo leva o prato ao fundo. No outro dia, pesa apenas o negativo. Consegue conceber esta cisão emocional?

 

Ana Gomes

 

05
Mai09

Desemprego e Suicídio

Publicado por Mil Razões...

 

Emprego e desemprego não são só estados sociais. É verdade que o emprego (em especial alguns empregos) dá estatuto social, mas também permite o desenvolvimento pessoal e a realização profissional. O indivíduo sente-se integrado num processo de desenvolvimento social para o qual contribui com o seu trabalho. O trabalho é remunerado e, por conseguinte, ter emprego é ter a possibilidade de adquirir meios para a sobrevivência, diversão, cultura e outras manifestações tão importantes ao equilíbrio do ser humano.
 
Se o emprego proporciona tudo isto, o desemprego rouba-o, muitas vezes de forma cruel.
Na hora de reduzir aos “custos com o pessoal”, a notícia: “- Lamentamos, gostamos muito de si, foi sempre um funcionário exemplar, mas a empresa necessita de reduzir custos...”, dói, dilacera.
O ter sido dispensado de uma actividade, não contarem com os seus préstimos, provoca em cada indivíduo uma sensação dolorosa e a maior parte das vezes associada a um sentimento de injustiça.
Para quê tanto esforço?! Horas extraordinárias sem remuneração?! Apenas e só o sentido do dever a ditar horas de permanência para além do horário!
 
A família que, a bem do trabalho, conformada com a ausência, aceitando que as férias sejam reduzidas a duas semanas, poderá não compreender o despedimento!
Angústias sentidas que, a certeza de tudo ter feito para ser um empregado exemplar não acalmam, pelo contrário, são dores difíceis de conter. Não dói a consciência mas dói a alma.
E aos poucos, a dor cede o lugar ao desalento. Instala-se a dúvida e põem-se em causa capacidades. Triste com o presente e assustado com o futuro, o indivíduo inicia processos de autodestruição podendo acabar, em alguns casos, no suicídio.
 
 
Cidália Carvalho
 
17
Mar09

Morte lenta (A Solidão do Deprimido)

Publicado por Mil Razões...

 

Sinto a minha vida a passar como um filme onde eu adormeci…
O que eu faço neste mundo?
 
Desde a minha adolescência que sinto sempre ser menos do que deveria! Meus pais gostam mais da minha irmã e ela é que é perfeita! Não consigo fugir às comparações diárias… até na escola todos viravam à sua passagem… e eu: invisível… conhecida apenas como a irmã mais nova dela. E esse sentimento persegue-me… ainda me sinto minúscula, sozinha, completamente perdida neste mundo onde eu não tenho lugar… Como eu me sinto a mais infeliz dos mortais!
 
Não consigo fazer o meu marido feliz e nem sei porque é que ele casou comigo! Talvez por pena? Quanto mais ele tenta chegar a mim, mais culpa sinto por não o merecer! Não gosto de mim… porque é que alguém gostará?
 
E ultimamente… custa-me até dizer isto… mas tenho pensado tanto que seria tão mais fácil desaparecer… Não tenho sentido vontade de fazer nada, tudo me custa… levantar-me da cama é extremamente doloroso… ver-me ao espelho ainda mais… fujo dos outros, fujo da vida como de mim mesma… sinto uma angústia… e vejo os outros a falarem comigo mas não os consigo ouvir… e ninguém consegue compreender-me… falamos línguas diferentes? Bem, eu própria não consigo falar comigo, não tenho linguagem nem vida! É por isso que mesmo no meio de uma multidão, eu sentir-me-ia sozinha…
Não sinto alegria em mim, não sinto alegria nos outros e nem sinto alegria no mundo… acho que morri e ainda não me enterraram…
 
Ana Lua

 

12
Fev09

Suicídio: Mitos e factos (7)

Publicado por Mil Razões...

 

O suicídio ocorre, com maior frequência, à noite?


O suicídio é muitas vezes uma solução patológica para um angustiante problema que a pessoa considera intransponível.

Sabemos que ao risco de suicídio estão frequentemente associadas múltiplas doenças psíquicas ou psiquiátricas. Cerca de 15% dos que o cometem sofrem de depressão, em que a desmotivação de vida é insuportável e torna-se imbatível o não querer viver. A pessoa perdeu toda a capacidade energética e a vida não tem o mínimo sentido ou interesse. Sente-se sempre e invariavelmente, desesperadamente incompreendida e só, mesmo rodeada de gente, desfasada e desencontrada de si mesma, inadaptada e profundamente frustrada e desiludida. “Uma vida sem vida”, dizia alguém.

 

É este estado de espírito que pode levar ao refúgio e à procura da escuridão da noite, para se identificar com o seu sentimento mais profundo. Por outro lado, pode perturbar os que têm dificuldade em gerir esses momentos frios, sós e escuros. A noite pode ser também facilitadora face à vergonha que a sociedade ainda impõe a quem tem este tipo de pensamentos.

 

Sabe-se que a temperatura ambiente afecta o conforto e, portanto, o estado psíquico do Homem – o humor e o comportamento – condicionando um vasto conjunto de acções mecânicas sobre as funções cerebrais. Do mesmo modo as diferenças de duração do dia e da noite contribuem também para afectar o bem-estar psíquico dos indivíduos.

 

Não poderemos, apesar disso, estabelecer uma relação entre o acto suicida e o momento do dia, por não encontrarmos estudos que o fundamentem. Reparamos, contudo, que não raras vezes as noticias destes acontecimentos referem a noite como tendo sido o momento em que esse acto foi pensado, planeado e nalgumas vezes cometido.

Na verificação dos dados de uma consulta da especialidade, verificou-se que as “tentativas de suicídio são um fenómeno predominantemente da tarde e da noite, em acto impulsivo em casa, após discussão no contexto de um conflito pré-existente, mais frequentemente com o parceiro”.

 

Porém, tem-se verificado que, apesar de todas as condicionantes de risco, de ordem pessoal, psicológica, psicopatológica e social, se a pessoa encontrar alguém com quem tenha oportunidade de falar (por exemplo: um serviço de apoio emocional como os apresentados na coluna direita deste blog), num gritante desabafo dum sufoco insustentável, que o escute, compreenda e a ajude a ver a sua própria vida com carinho é, por vezes, suficiente para evitar o acto.

 

Ana Santos

 

Porto | PORTUGAL

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Equipa

Alexandra Vaz

Ana Martins

Cidália Carvalho

Ermelinda Macedo

Fernando Couto

Jorge Saraiva

José Azevedo

Landa Cortez

Leticia Silva

Rui Duarte

Sandra Pinto

Sandra Sousa

Sara Almeida

Sara Silva

Sónia Abrantes

Tayhta Visinho

Teresa Teixeira

Calendário

Setembro 2017

D S T Q Q S S
12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D

Comentários recentes

  • Anónimo

    estou me sentido muito mal com td isso parece que ...

  • Fernando Couto

    Como se não nos bastassem os pesadelos criados pel...

  • marta

    ...e o pesadelo continua...

  • marta

    Uma pintura para a compaixão que este texto merece...

  • marta

    Um texto verdadeiramente Verdade...obrigada....e e...

Links

Amigos do Mil Razões...

Apoio emocional

Promoção da saúde