Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Mil Razões...

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

28
Dez15

Saber viver com o medo (Medo – 19)

Publicado por Mil Razões...

Cry-GeorgeHodan.jpg

 Foto: Cry – George Hodan

 

Escrever um artigo sobre o medo é sempre muito complexo, atenta a singularidade do ser humano e a imensidade de fatores psicológicos que nele interferem.

O medo nasce connosco e pode ser aterrador nos primeiros meses de vida para a criança recém-nascida. Para ela nada é relativo, visto não ser capaz de entender que o leite desejado vai chegar dali a pouco e desespera-se, por isso, diante da perspetiva de lhe faltar esse alimento. O seu medo exprime-se pelo grito do seu instinto de sobrevivência.

Naturalmente que, com o passar do tempo, esses medos primitivos vão dando lugar, inevitavelmente a outros, condicionando o ser humano para o bem e para o mal.

Não raras vezes chega a ser utilizado como arma de pressão, limitando direitos e impondo condições inaceitáveis à vivência do ser humano, como acontece, nomeadamente, em regimes ditatoriais e com as ações terroristas.

O medo faz parte integrante do caráter de uma pessoa ou de um grupo social, pelo que, frequentemente, se torna necessário adotar algumas terapias para saber lidar com ele, aprender a não temê-lo, sobretudo quando degenera em obsessão. Não podemos deixar-nos vencer pelo medo, é preciso superá-lo de modo a que não nos prive da razão de viver.

 

Qualquer comunidade social não pode alhear-se da problemática do medo, hoje tão comum e assumindo várias formas nas sociedades atuais, que vivem sob o paradigma da competição, da escassez e do consumo. Sob esse paradigma somos compelidos a ter medo de tudo: medo de não ser amado, medo de não ser aceite, medo de ser rejeitado, medo de não corresponder às expetativas e, sobretudo, medo da solidão.

Todas as pessoas possuem um sentimento de medo, por ser inato ao ser humano, podendo constituir um problema se não houver atitudes que ajudem a ultrapassar as dificuldades para que possa ser vencido. O medo é um estado de progressiva insegurança e angústia, de impotência e inibição ante a impressão iminente do que poderá acontecer e que se pretende evitar.

Segundo alguns especialistas, o ser humano nasce com dois medos: o medo de cair e o medo do barulho, a que se pode acrescentar o medo de lhe faltar alimento, já que está intrinsecamente ligado à sua autopreservação. Todos os outros são medos adquiridos e como tais devemos afastá-los do nosso subconsciente.

 

Mas afinal o que é o medo? Na sua definição mais simples encontra-se nos dicionários: “sentimento de inquietação que se sente com a ideia de um perigo real ou aparente”. Pode assim traduzir-se tal sentimento na angústia que sente um ser humano perante o risco de uma possível ameaça.

Sabe-se que, pela experiência da vida, o medo está por trás dos fracassos, das doenças e das relações sociais desagradáveis. Muitas pessoas têm medo do passado, do futuro, da velhice, da solidão, da loucura e da morte. Chegam a ter medo do próprio medo, o que reflete, nessas situações, um estado de alma doentio que carece de adequado tratamento médico. Segundo José Luís Peixoto, na sua temática sobre o medo, “pior medo é o medo de nós próprios”. É este medo que assusta, apavora, paralisa, impede e angustia, que obriga as pessoas a recorrer aos médicos.

Podemos considerar o medo normal como bom, manifestamente o seu lado positivo, quando refreia, contém e limita os nossos ímpetos emocionais, numa palavra: o que se domina; o anormal será considerado mau e destrutivo, quando exacerbado e desproporcional, que escapa ao nosso controle. Permitir e alimentar constantemente os pensamentos de medo acarreta o medo anormal, obsessões e complexos. Daí a necessidade de os afastar, orientando o subconsciente para algo mais agradável da vida e salutar para a mente.

Não deixemos nunca que o medo tome conta de nós, aprendendo com persistência, coragem e paciência a não temê-lo, sob pena de nos paralisar e de nos roubar os sonhos que comandam a nossa vida.

Saibamos viver com o medo.

 

José Azevedo

 

1 Comentário

Comentar Artigo

Porto | PORTUGAL

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Equipa

>Alexandra Vaz

>Ana Martins

>Cidália Carvalho

>Ermelinda Macedo

>Fernando Couto

>Jorge Saraiva

>José Azevedo

>Leticia Silva

>Maria João Enes

>Rui Duarte

>Sandra Pinto

>Sandra Sousa

>Sara Almeida

>Sara Silva

>Sónia Abrantes

>Teresa Teixeira

Calendário

Dezembro 2015

D S T Q Q S S
12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D

Comentários recentes

Links

Amigos do Mil Razões...

Apoio emocional

Promoção da saúde