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Mil Razões...

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

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24
Nov14

Puzzles (Um vs Mundo – 4)

Publicado por Mil Razões...

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Em dias em que nos sentimos bem é mais difícil pensar como um ser individual, porque nos sentimos parte de algo, mesmo que esse algo não esteja bem definido.

Somos habituados a viver em sociedade e inseridos em grupos sociais desde muito pequenos: no seio familiar, na creche, na pré-escola, na escola, na catequese, no grupo de ginástica, nos escuteiros, no clube desportivo…

Quando nos apanhamos sozinhos por vários momentos sentimo-nos mal, incapazes e insatisfeitos.

Preferimos estar rodeados de muitos amigos, do que conversar com O amigo de vez em quando.

Por vezes pergunto-me se será assim tão importante aprender desde cedo a viver em sociedade.

Não será mais pertinente aprender a lidar connosco próprios para depois conseguir conviver e compreender melhor os outros?

Só agora, depois de adulta, conheço a importância de saber estar sozinha.

Sempre vivi rodeada de pessoas, muitas pessoas e, quando me confrontava com a solidão, chorava… Por vezes estava rodeada de muitas pessoas que não as minhas e continuava com a mesma sensação de solidão.

Chegou o dia, não sei quando, como ou porquê, em que me apercebi que esse sentimento de solidão não tinha qualquer sentido pois bastava estar bem comigo que conseguiria estar bem com os outros.

Melhor! Primeiro tinha que estar bem com o meu SER para conseguir lidar melhor com todos os outros SERES. Tinha que partir de dentro de mim e não de ajudas exteriores.

É claro que conversar com os outros é bom e importante, mas a constante lamúria cansa qualquer um: aquele que ouve e aquele que fala.

Por mais que nos escondamos atrás da multidão de pessoas com quem lidamos, nas horas chave é a própria pessoa que conta, só e apenas.

Quando alguém morre, é a nossa própria dor que nos invade. Quando alcançamos aquele objetivo tão desejado, é a nossa felicidade que nos preenche. Quando vemos alguma desgraça, é a nossa impressão que nos choca. Quando nos é dado um sorriso sincero, é com o nosso sorriso sincero que retribuímos.

Não somos ilhas isoladas, mas somos seres únicos, cada um de nós, que só se encaixa em alguém ou alguma coisa se a nossa forma de ser estiver bem definida.

 

Sónia Abrantes

 

Porto | PORTUGAL

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