Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Mil Razões...

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

Destaque

Amigos do Ziki - Uma ferramenta para o pré-escolar.

10
Dez14

O poder do exemplo (Um vs Mundo – 11)

Publicado por Mil Razões...

DuasMaos.jpg

 

É, até certo ponto, desconcertante pensarmos nas dualidades ou realidades opositivas que, naturalmente, nos sugere a ideia ou imagem de Um vs Mundo. E é, precisamente, também esse o interesse do desafio da escrita, seja ela mais técnica ou mais romanceada.

A construção do sentido está inerente à condição do percetor, ainda que o significado do que é dito possa ter raiz simbólica diferente para quem o escreve ou cria, abrindo, assim, espaço e dando liberdade heurística ao seu público. É, por isso, a criação intelectual um dos maiores exercícios de assunção e concessão democráticos.

Quem somos está presente em tudo que nos rodeia, o âmbito circunscrito do ambiente em que circulamos e nos manifestamos. Mas isso não quer dizer que quem somos ou o que façamos seja pequeno ou insignificante. Somos agentes sociais, naturalmente.

Por altura em que tomei conhecimento de qual seria o tema deste mês para o blogue Mil Razões…, encontrava-me, ainda, impactada por um vídeo a que assisti, o qual se enquadra, perfeitamente, nesta conceção de Um vs Mundo, ainda que não tenha como cunho a divergência, mas, pelo contrário, o abalo positivo que nos causa a compreensão humana, a renovação, a paz de espírito, o perdão, o exemplo.

O cenário é-nos dado pela história real de um assassino em série (serial killer) que, após confessar a morte de 48 mulheres, foi condenado à prisão perpétua, em dezembro de 2003. De forma a mostrar os danos originados por tais atos tresloucados, o tribunal permitiu que, perante o culpado, as famílias pudessem expor as expetáveis emoções antagónicas, negativas, que estas experimentavam em relação a ele e aos seus atos. No entanto, a face do culpado mantinha-se inalterável, sem a manifestação da mais ínfima expressão de remorso ou arrependimento, situação, aliás, típica do universo emocional e mental de sociopatas. Expressões como “É um animal!”; “Espero que morra com muito sofrimento e crueldade!; “ Que vá para o inferno!” eram bem reveladoras do ódio que pairava naquela sala de tribunal. Até que surge um senhor, cuja filha tinha sido uma das vítimas, e desmancha a máscara insensível e imperturbável do culpado com uma bondade que nos toca. E é nesse momento que a comoção aparece, quando é surpreendido pelo discurso desse pai. Vale a pena transcrevê-lo:

- Senhor Ridgway, há pessoas aqui que o odeiam. Eu não sou uma delas. Você tornou difícil viver de acordo com o que eu acredito. E isso é o que Deus diz para fazer, que é perdoar. Você está perdoado, senhor.

Eu não sou religiosa. Considero que, neste caso, não é essa sequer a questão mais relevante. Este pai precisou rever suas ideias, valores e pressupostos para conseguir permanecer em paz com ele mesmo e conciliar suas convicções com o desapego que uma nova situação estava a exigir dele. Perdoar não é só possível, como desejável, e altamente libertador.

Somos muito mais quando construímos.

 

Marta Silva

 

2 Comentários

Comentar Artigo

Porto | PORTUGAL

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Equipa

Alexandra Vaz

Ana Martins

Cidália Carvalho

Ermelinda Macedo

Fernando Couto

Jorge Saraiva

José Azevedo

Landa Cortez

Leticia Silva

Rui Duarte

Sandra Pinto

Sandra Sousa

Sara Almeida

Sara Silva

Sónia Abrantes

Tayhta Visinho

Teresa Teixeira

Vanessa Santana

Calendário

Dezembro 2014

D S T Q Q S S
123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D

Comentários recentes

  • marta

    Uma pintura para a compaixão que este texto merece...

  • marta

    Um texto verdadeiramente Verdade...obrigada....e e...

  • Anónimo

    Oh, minha querida. Nunca saberei a dimensão da tua...

  • Anónimo

    Ana, deve ser tão difícil...a experiência de morte...

  • Paulo Das Neves

    Alucinante e envolvente...muito bom!

Links

Amigos do Mil Razões...

Apoio emocional

Promoção da saúde