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15
Abr16

Não te apresses (Responsabilidade - 7)

Publicado por Mil Razões...

Fashion-Iryna.jpg

Foto: Fashion - Iryna

 

Esquece tudo que ouviste até agora. Esquece as notícias do jornal, o anúncio na Internet, o grito no meio da praça, o tratado de Tordesilhas da tua avó, a opinião do guru. Esquece as diferentes versões do mundo, de ti, de tudo que te rodeia. Larga as amarras imaginárias que te condicionam, no tempo sem tempo de um espaço incomensurável e em constante mutação. Fá-lo agora. Não vai haver momento melhor para começar. Simplesmente, para. Respira fundo. Torna-te consciente desse processo. Observa com tranquilidade. Fá-lo lentamente, numa dança espontânea dos sentidos. Envolve-te num abraço profundo, ama-te com tudo de ti e fica aí. Sente a energia que te percorre. Sente-te inteira nesse momento. Não te apresses. Em cada expiração deixa ir a amargura que te agrilhoa a vontade: não vais perder nada, apenas o que não é teu. Cada inspiração vai encher-te de novas cores. Dá-te a chance de o perceberes em cada uma das tuas células, não retrocedas a meio da jornada. Se dói é porque estás a caminho. Não te estás a afundar, estás a sair daí. Não desistas agora.

 

Assim que te for possível, abre os olhos e o coração e aceita a responsabilidade sobre ti própria, as tuas ações e os teus anseios. Não vais ser livre enquanto delegares nos outros a gestão dos teus dias. Deixa de ouvir tanta gente quando, claramente, não filtras nada. A tua mãe, o senhor da mercearia, a tua colega de trabalho e a parceira frustrada do ginásio deviam ter mais que fazer; se assim não é, têm mais problemas do que tu. Ainda assim, nenhum deles te julgará com a severidade com que te punes a ti própria. Para. Não te castigues por existires. Aquilo que ainda te permites ouvir dos outros, sobretudo a teu respeito, diz-te quem eles são; não te ensina nada sobre ti. Lembra-te disso e presta atenção, não vistas a camisola dos que te ferem. São apenas pessoas perdidas que disparam à queima-roupa, por ignorância e frustração. Quem tu és só tu poderás saber. Assegura ao mundo que não vais gritar se caíres da escada abaixo ou se fizeres mais uma ferida no coração. Diz-lhe que vais viver como tens vivido até agora, acreditando que consegues continuar, reinventar-te e mudar a rota, sem lhe estenderes a mão na exigência de uma cura milagrosa. Relembra-lhe que, pelas mesmíssimas razões, te isentas da sua opinião. Ou então não digas nada e, simplesmente, reclama o teu poder. Só porque sim.

 

Assume a totalidade do teu ser, sem explicações demagógicas. Escreve um livro de raiz, se preciso for, feito de experiências e emoções pessoais e não de opiniões de terceiros. Começa as vezes que forem precisas. Sê inteira na tua história. E quando o medo de falhar for menor que o medo de não viver, quando já não precisares de agradar a ninguém para existires, quando enfrentares os teus erros sem te sentires menos válida, nesse dia, vais descobrir a liberdade que existe na responsabilidade assumida. Apaixona-te por quem realmente és e nunca mais abdiques disso. Sê a melhor versão de ti própria todos os dias da tua vida. Começa hoje. Sê grata por este dia, especialmente profundo e libertador, em que te permites lembrar sem angústia, caminhar sem lágrimas e sem vontade de inverter a marcha. Aceita o embalo do Universo, a mão no coração, o sorriso nas ondas do cabelo, o respirar cadenciado e tranquilo. Mesmo que sintas estar na ponta do precipício, não tenhas medo de fechar os olhos e continua a caminhar em frente, não vais cair. Do outro lado, está o resto da tua vida. É bom, não é?

 

Alexandra Vaz

 

Porto | PORTUGAL

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