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Mil Razões...

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

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10
Ago15

Fazer Caixinha (Marginalização – 18)

Publicado por Mil Razões...

Friends-LisaRunnels.jpg

Foto: Friends – Lisa Runnels

 

Fazer caixinha é assim uma espécie de bullying, mas entre adultos. É quando duas ou mais pessoas se juntam em grupinho, isolando uma única pessoa, que fica fora da “caixa” por razão nenhuma que não seja a maldade gratuita.

É um comportamento repleto de crueldade que muitas vezes vemos nas crianças, só que sem ponta de ingenuidade ou da inconsequência que (até) tentamos compreender, e algumas vezes desculpar, nos miúdos. Nos adultos é indesculpável.

É um comportamento quase premeditado, ou em alguns casos menos maldosos, “só” leviano e absurdo. Não é ingénuo porque é consciente e, pior de tudo, consequente.

E deixa marcas. E magoa. E faz sofrer.

É o “não brinco mais contigo” dos grandes. É o “não fales mais com ela/ele” dos adultos.

Quase sempre é protagonizado por um “cabecilha” (que pode usar calças ou saia), e a que nos mais novos chamamos “o líder”, aquele que manda na ganapada e que, ou vai ou delega, o bater ou roubar a sanduíche ao cristo que - lá está - se encontra fora da caixa.

Nunca fui vítima de bullying, em criança. Aliás, nessa idade idiota, onde tantas vezes podia ter subido ao pódio para receber o prémio “miúda-parva-mais-parva-não-há”, talvez tivesse um perfil mais inclinado para “agressora” que para vítima. [Felizmente, ao chegar ao 1º ciclo, apanhei logo umas miúdas mais velhas (ou mais vividas, ou menos parvas), que rapidamente me colocaram no meu lugar].

Anyway, não guardo memória de nenhum episódio marcante com esse nome estrangeiro e feioso, antes boas memórias de quem me ajudou a crescer e a “ter menos a mania”.

Já em adulta, embora pouco marcantes, lembro-me perfeitamente de pelo menos dois momentos em que vivi, e tive que conviver, fora da caixa. Foi meio triste, ainda que as “agressoras” fossem, na sua maioria, tão desinteressantes e vazias de conteúdo que, no fundo, eu tinha a consciência de que não perdia nada. E elas, sim, perdiam muito.

Estes episódios, assim como muitos outros a que tenho assistido ao longo dos anos mas com outras pessoas, fazem de mim, hoje e para sempre, uma caixa-aberta. Como observadora que sou, de quando em vez lá me vou apercebendo, em todas as vertentes da vida, que volta e meia e meia volta, lá aparece alguém com vontade de “minar” relações, afastar pessoas, isolar um(a) qualquer, com quem por um motivo fútil não lhe apraz conviver. Fútil, idiota e maldoso, é quase sempre o (não)motivo.

Assim que o meu radar os deteta, abro a minha caixa e tento alargá-la a todos. O mais possível. De preferência, agarrando os elementos já “minados” ou infetados pelo vírus da crueldade e da estupidez, que é ser mau só por ser.

Por isso, digo sempre aos meus amigos: em momento nenhum contém comigo para “fazer caixinha”.

Porque eu sou uma pick-up, uma “caixa-aberta” e nunca, por nunca, compactuarei com o “não brinques mais com ela/ele”, só porque sim.

 

Joana Pouzada

 

Porto | PORTUGAL

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