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09
Jan17

Experiência de vida (Experiência – 4)

Publicado por Mil Razões...

TheAdventuresOfTintin-Benny1900.jpg

Foto: The Adventures Of Tintin – Benny1900

 

Esta é uma história de vida, uma amarga, mas salutar experiência vivida por duas crianças, na sua meninice, na zona histórica da cidade do Porto. Nessa experiência são protagonistas dois irmãos, com as idades de apenas 8 e 6 anos.

 

O mais velho, João Pedro, era ativamente irreverente, sonhador mas já com enorme gosto pelos livros, especialmente pela leitura de qualquer texto que o fizesse sonhar e imaginar. Fascinava-o tudo o que fosse de leitura, pois nela se deleitava e dava largas à sua fantasia. O mais novo, Pedro João, que o acompanhava nessa propensão para a leitura era, porém, menos irreverente, mais pacato e comedido. O mais velho estava sempre à frente nas ações a empreender nas suas brincadeiras de criança e era sempre ele que tomava a iniciativa, talvez por ter mais “rasgo”, ser mais audaz na prática dos atos mais temerários. Por isso, com frequência se magoava nas pernas e nos braços, resultante do ardor das brincadeiras em que participava com outras crianças. Dir-se-ia ser normal andar com escoriações naquelas partes do seu corpo. A sua irreverência afligia e preocupava muito os seus pais por terem um filho tão rebelde e temerário nas suas brincadeiras de criança, mais por recearem que ele se magoasse ou magoasse alguém com gravidade. Normalmente, para onde ia um irmão, ia o outro. Calcorreavam juntos as artérias da cidade, nas proximidades da sua residência, já que não deviam afastar-se muito da sua casa de família para não incorrerem em desobediência aos pais.

 

Certo dia, à tardinha, numa das suas digressões pelas ruas da cidade, ao passarem junto da porta de um armazém de recolha de pano e papel velhos (conhecido vulgarmente por farrapeiro), repararam que na soleira se encontravam espalhadas algumas folhas velhas de um livro de banda desenhada da conhecida coleção “Tintin”. O João Pedro, ao reparar nessas folhas, não se conteve, não quis perder a ocasião de ficar com algo tão importante para si, para se deleitar com a sua leitura, que julgava não terem qualquer valor senão para si. O João Pedro abeirou-se, então, da porta do estabelecimento e, sorrateira e disfarçadamente, sempre acompanhado pelo seu irmão a curta distância, pegou num pequeno monte dessas folhas. Ato contínuo, porém, já quando o João Pedro ia prosseguir o seu caminho tentando escapulir-se, seguido de perto pelo irmão, foi autenticamente sacudido pelo farrapeiro que o perseguiu e, sem mais, lhe arrancou todas as folhas das suas mãos. O João Pedro ficou estupefato pela atitude inusitada e inopinada do homem, mais até pelo valor que este terá dado àquelas meras folhas que não passavam de papel velho. Mas logo pensou: “se calhar teria sido preferível pedir-lhe as folhas do que ter tentado apropriar-me delas; o farrapeiro terá considerado abusivo pegar nas folhas sem a sua permissão”. Os meninos regressaram a casa já ao final do dia, convencido o João Pedro que tudo aquilo não passara de um mero incidente e que o mesmo estaria sanado.

 

Só que, quando o pai chegou a casa regressado do seu trabalho, o irmão mais novo resolveu não ficar calado e contar tudo o que se passara com o irmão mais velho. O pai, ao ouvir o relatado pelo filho mais novo, ficou fora de si, furioso e sem conter a sua indignação, esbofeteou severamente o João Pedro que já nem jantou e foi deitar-se. Na cama, refletiu sobre tudo o que se passara naquele dia. Sentia-se arrependido pelo ato praticado, mas achou demasiado pesado o castigo que lhe fora infligido pelo pai; mais por este não o ter ouvido. Mas perdoou-lhe aquele excessivo castigo que, afinal, segundo crê, apenas visou cortar, desde logo, cerce, qualquer inclinação do seu filho para a prática de atos ilícitos e reprováveis. Foi esta uma triste experiência que o João Pedro viveu um dia na sua infância; mais tarde, porém, acabou por reconhecer ter sido uma grande lição de vida.

 

José Azevedo

 

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