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Mil Razões...

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

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27
Mar15

Cultura de trabalho (Profissão – 20)

Publicado por Mil Razões...

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Desde muito cedo ficaram bem cravados em nossas memórias os mais básicos pilares sobre o profissionalismo, incutido pelos nossos progenitores, estes que reconhecendo as dificuldades de então, projetavam uma realidade futura ainda rigorosa, um contexto mais competitivo em que o trabalho e competência seriam os valores mores para o sucesso dos Homens. Aos homens, em particular, dísticos envergando a humildade, honestidade, trabalho árduo e formação científica, eram as figuras transmitidas com eloquência para tipificar os valores que dignificariam o homem do amanhã.

Aquela sociedade marcada por um contexto misto enriquecido pela transição do sistema colonial para o despertar do nacionalismo imposto pela independência, a postura e comportamento do Presidente Samora Moisés Machel através de discursos (léxico e linguagem corporal) e ações governativas e de liderança, foram os primeiros valores de construção de uma sociedade que envergasse os valores mais nobres, quiçá a opção pelo socialismo como a doutrina melhor posicionada para resgatar valores que permitissem uma melhor organização política e produtiva do país rumo ao almejado desenvolvimento, com ênfase no homem, ou simplesmente, desenvolvimento humano, daí a diligência relativamente ao setor dos serviços sociais.

A profissão é o ofício da pessoa, a sua honra e dignidade residem na capacidade de trabalhar, transformar os recursos a sua volta, promover a qualidade de vida aos membros da sua comunidade espalhados do seu posto de trabalho à sua convivência familiar, propagando assim boas práticas. É dali que se reconhecem e se destacam as pessoas pelo seu perfil e sobretudo pelo brio profissional. O valor de um profissional está na qualidade da sua prestação que deixa uma marca, um selo que o distingue dos outros que eventualmente possam, sempre que for possível estabelecer essa difícil mas tentadora comparação, fazer o mesmo trabalho da melhor ou pior forma, seguramente é raro que sejam iguais.

O profissionalismo é uma questão de cultura de trabalho, um conceito arrojado que encerra um conjunto de qualidades intrínsecas ao indivíduo, rico ou pobre, humilde e trabalhador que do trabalho depende para reclamar os rendimentos que por direito obterá para o seu sustento. Para lográ-lo é invariável o sacrifício de interesses pessoais à custa dos interesses coletivos, estes que se elevam aos primeiros quando o cidadão está na posição de servidor público. A profissionalização do trabalhador, independentemente do setor em que se insere, fundamentalmente o do setor público, encontra inspiração na cultura de trabalho patente nessa sociedade e da liderança em particular.

Um verdadeiro profissional sabe que o atendimento às necessidades e desejos do cidadão, este que é o seu patrão, é a razão primordial de ter sido confiado tal posição. O interesse pessoal prevalece mas não pode abafar o objetivo geral, há necessidade de compatibilizar estes dois interesses que podem antagonizar e rivalizar pondo em perigo o seu desempenho e manchando o seu profissionalismo quando não houver atenção a este iminente conflito.

O parágrafo anterior salienta a ideia a reter do conflito entre os objetivos pessoais e organizacionais do trabalhador, na sustentabilidade a longo prazo da organização que pertencem. Conquanto o interesse fundamental do trabalhador é obter os benefícios diretos a que tem direito pelo exercício da função, à organização interessa construir uma reputação que passa por desenvolver uma cultura organizacional que potencialize os pontos fortes dos trabalhadores e absorva os seus pontos fracos favorecendo o clima organizacional, para garantir a continuidade da organização e um padrão de produtos e serviços estáveis que não perigue a identidade organizacional.

Existe uma crescente convicção sobre a desvalorização ou deterioração da cultura de trabalho assente nas atitudes prejudiciais dos profissionais que revelam pouca assertividade e comprometimento com os resultados, colocando antes destes as contrapartidas ou seus benefícios em alta fasquia, criando-se uma sensação de desconfiança ou desconforto relativamente à real capacidade de alcançar os resultados.

A aparente personificação e arbitrariedade na formação do orçamento ignorando as regras elementares nomeadamente a proporção do custo de mão-de-obra versus do material, martelando fria e secamente para que o valor final se encaixe ao semblante do cliente, aquilo a que em linguagem económica encontraria similaridade as práticas especulativas na forma de dumping ou overprice, é uma das muitas más práticas que se acentuam em momentos de crise.

A competição negativa é outra atitude antiprofissional que pode prejudicar a organização, outrora poderia induzir ou fomentar a competitividade intraorganizacional. A esse respeito, se se estabelecer um plano de carreira e progressão devidamente estabelecido e amplamente conhecido com critérios claros de avaliação de desempenho, haverá condições para induzir a concorrência perfeita com todos os benefícios que comporta, nomeadamente a promoção da produtividade e eficiência.

Um sistema de desempenho integrado e orientado aos resultados deve incentivar a criatividade e inovação, complementado por um eficiente sistema de base de monitoria e controlo de desempenho, componente-chave do sistema de controlo interno.

 

António Sendi

 

 

Porto | PORTUGAL

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