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Set16

A vida do jogo (Jogo – 16)

Publicado por Mil Razões...

Game-Bank-StefanSchweihofer.jpg

Foto: Game-Bank – Stefan Schweihofer

 

Não existe melhor jogo que a vida, nem pior.

Tal como num casino temos várias modalidades onde podes apostar, sendo que, existem umas em que a hipótese de sucesso fica inteiramente à sorte (ou ao azar) e, outras em que podes manipular um pouco mais as tuas chances.

Na roleta, por exemplo, apostas nos números, nas cores, nos pares ou impares etc.. Faites vos jeux e a bola rola. Sem interferências ou piedade. É bom que tenhas apostado bem porque o que saiu, saiu. Quando tudo para, fazem-se as contas.

Já no Blackjack as coisas são diferentes. O que saiu, saiu. Fazem-se as contas e decides se apostas ou não.

Depois existem outros tipos de jogos. Os menos legais (ou vigiados), menos transparentes. Joga-se pela calada, em que muitas vezes sai vencedor o que conseguiu contornar as regras. Ou não ser apanhado. Uma sueca entre amigos não está seguramente na órbita da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Assim como muitos outros jogos que rolam na clandestinidade das cidades, vilas e aldeias.

 

Na roleta joga-se muitas vezes a saúde. Nascemos com marcadores genéticos, permanecemos em hábitos e comportamentos. A bola vai rolando e nunca se sabe o que vai sair e quando vai sair. A medicina manipula resultados, é certo. Mas para quê? No final tudo morre. A saúde é roleta onde nunca se ganha.

Na escolha e carreira profissional joga-se como no Blackjack. Apostas para entrar, vais andando e vês se continua a valer a pena. Claro que por vezes parece que tens uma mão vencedora, apenas para descobrir que o dealer que te emprega no final levou a melhor.

 

Depois existe o amor. Vale tudo, diz-se. Joga-se às claras e às escuras. Assumido ou clandestino. Sem regras e sem árbitros. Pode-se manipular tudo e todos desde que se ganhe em proveito próprio. Se calhar dizer que se ama apenas pelo outro é tanga. Conversa de travesseiro e humanidade autoimposta. Não seremos todos egoístas no que toca à autopreservação emocional? Talvez não. Já não sei nada. Entrei a jogo sem ver o livro de instruções.

Enfim, o que tem de bom é que existem apostas mínimas.

O que tem de mau é que às vezes jogaste as fichas todas.

 

Rui Duarte

 

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