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Mil Razões...

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

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07
Jun17

Silêncio, que se vai viver! (Silêncio – 9)

Publicado por Mil Razões...

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Foto: New York – Melissa Mahon

 

Se o silêncio não é não fazer barulho, existem momentos da vida que o não fazer nada é por demais barulhento, turbulento e incómodo. Há quem adore o silêncio e faça disso o alfa e o ómega para poder pensar, contudo, para outros, ele é condição fundamental para poder tomar decisões.

Falando na primeira pessoa, diria que gosto do silêncio pontualmente e pouco dado a vazios de sons e de alma. No balanço do ruído e da sua ausência, prefiro, de longe, o barulho da vida, do trabalho, do lazer, do movimento, do quotidiano das cidades e do campo. Sou pouco dado a grandes refúgios e retiros.

 

Às vezes os silêncios metem medo por nada dizerem, por serem ausência de vida. Gosto de sentir o silêncio dos templos por ser melhor para refletir e comunicar comigo próprio. Gosto do silêncio dos gabinetes para ouvir melhor os cérebros de quem decide e, sobretudo, de justificarem o porquê da decisão. Gosto do silêncio dos estádios porque simbolizam momentos decisivos para o que está acontecer. De resto, interpreto os outros silêncios como sinais de vida, de trabalho, de alegria, de comunhão, de fraternidade, de solidariedade. Por isso, por vezes, estes momentos que até podem primar pela ausência de barulhos, podem ser ensurdecedores pelo que transmitem, pelo que significam, pelo que predizem. Desta forma, prefiro o dia à noite, o verão ao inverno, o trabalho ao descanso, a companhia à solidão, etc. É que tenho muito tempo para estar em silêncio e não tenho pressa!

 

Fernando Lima

 

05
Jun17

Este é o meu monstro (Silêncio – 8)

Publicado por Mil Razões...

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Foto: Joy of Life - Ludi

 

Vês o meu sorriso no rosto e deténs-te. Admiras a minha gargalhada fácil e revoltas-te. Enerva-te a minha voz serena, o meu colo doce e a minha paixão nas palavras.

Agita-te o meu vagar nas horas, o meu café demorado pela manhã. Irritam-te os copos meio-cheios que deixo espalhados pela casa. Tira-te do sério a minha capacidade de deixar arrastar pelos dias tudo e tanto que poderia estar a fazer. Perturba-te que o mundo desmorone enquanto eu passeio com o meu sorriso, a minha paixão e a minha gargalhada, incólume ao caos das nossas vidas. Azeda-te a minha indiferença enquanto fazes malabarismos para segurar as 4 bolas no ar sem que se estatelem no chão. E eu, de longe chamo por ti… ”Olha! Olha um arco-íris!” E ensurdece-te esta voz que fala de tudo o resto que acontece enquanto o mundo onde tens, e bem, os olhos postos, vai caindo num sufoco de impotência.

 

Meu amor. Entendo-te. Sei-te bem. Mas ouve-me agora. Dá-me a tua mão e coloca-a aqui no meu peito. Ouves algo a bater? Não, não é um coração. É um monstro que aqui trago amordaçado. Detido e silenciado. Ouve-lo a bater com força no meu peito? Ele bate com tamanho ardume que me chega a doer. E sabes porque bate assim? E sabes porque dói? Quer libertar-se e, por isso, pontapeia-me. Lá dentro, fez-me refém no silêncio e segredou-me ao ouvido: “Deixa-me virar tudo do avesso! Grita, esperneia como ele! Despeja os copos que espalhaste pela casa e vai arruma-los vazios no armário. Não vês que tudo cai lentamente por terra? Não sentes os cortes nos teus pés de tanto que teimas em colocá-los descalços sobre o fio da navalha afiada? Não vês que, tal como todos os outros, os estilhaços dos escombros te ferem? Não preferes chorar e chorar e lamentar-te e ver que os copos nunca estiveram meio-cheios?”.

 

Quando te deitas, fico eu e o meu monstro. Abraço-o e acalmo-o. Choro sem chorar, grito sem se ouvir. Liberto-lhe as amarras e afago-o. Escuto tudo o que tem para me dizer até que esgote as palavras. E então, amarro-o outra vez. Amordaço-o de novo. E deito-me em silêncio. É deste pesar que faço o meu sorriso e a minha gargalhada fácil. É deste pesar que forjo a coragem de ousar demorar-me todas as manhãs e vislumbrar um arco-íris.

E acordo cansada, e tu não vês. Não assistes à luta de feras que travo em mim, todos os dias da minha vida. Porque neste palco sou rainha. Porque deste teatro sou mestre. E raios me partam se eu me vou a baixo! Por isso, o mundo pode ruir, mas o meu sorriso não. Porque enquanto puder trilhar o caminho, para o percorrermos caminharei erguida e nem darei pelas feridas nos pés, pelos estilhaços na pele, pelo fumo das derrocadas. Porque enquanto eu sorrir e abraçar serena, enquanto eu deixar o meu colo ser amor e não queixume, enquanto trouxer a paixão nos olhos e a esperança nos lábios, seremos felizes. E sei-o tão profundamente que chego a acreditar, e acredito tão verdadeiramente que tu, por vezes, também. E basta uma gargalhada que não a minha para eu saber que o silêncio valeu, enfim, a pena.

 

Vanessa Brandão

 

02
Jun17

O peso da vergonha (Silêncio – 7)

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Foto: Train – Peter van de Ven

 

Estação de Campanhã, sábado de manhã, um cheirinho de primavera no ar, uma brisa agradável carregada de dialetos vários. Após o primeiro lanço de escadas, noto a presença de diferentes volumes, deixados aparentemente ao acaso, como se alguém tivesse saído à pressa e esquecido os produtos domésticos: havia sacos com comida, rolos de papel higiénico, baldes e produtos de limpeza, roupa em trouxas. Percorro o corredor em silêncio, não vejo ninguém por perto. Na chegada à gare a que me destino, duas senhoras, vestidas integralmente de negro, rodeadas de sacos, exaustas. Uma das senhoras senta-se na escada, fecha os olhos, balbucia algumas palavras em espanhol, pede a Deus que a ajude, pede força para concluir a sua missão. Nas muitas rugas da sua cara aninha-se o descanso que nunca a quis abraçar. A outra senhora continua num ritmo frenético, escada acima, escada abaixo, carregando e largando sacos.

Procuro um banco à sombra, esqueço as mulheres, a viagem, sorvo o primeiro café do dia com deleite – apesar do copo de plástico e da sua origem duvidosa. Quando o comboio chega procuro um lugar junto de uma janela e afundo-me, com preguiça, no banco. Dois minutos antes do comboio arrancar, o silêncio é interrompido pelos gritos de alguém: reconheço o sotaque espanhol nas palavras pronunciadas em português, “Senhor, por favor, segure a porta aberta. Temos muitas coisas para carregar”. Do lugar onde me encontro não as vejo mas, da minha janela, consigo ver alguns dos volumes, ainda no exterior. Metade das coisas está já dentro do comboio, a outra metade está ainda espalhada pela gare e ao longo do corredor da estação. E o comboio quase a arrancar...

Em frente a mim dois polícias apreciam a cena com curiosidade. Nas costas dos coletes, pode ler-se “Polícia – Esquadra de Segurança Ferroviária”. Miram as mulheres enquanto a recolha, insana e exaustiva, decorre. Discutem algo sobre um guarda-chuva caído ao lado dos carris. Tentam, sem sucesso, tirá-lo com um cassetete. Menos de um minuto para o comboio arrancar e ainda há volumes na gare. A porta abre, os passos apressam-se, a porta fecha, os volumes vão desaparecendo. Ninguém fala, a não ser as duas senhoras e os agentes em missão de salvamento do guarda-chuva. Num comboio cheio de gente, o silêncio é pesado. O silêncio dos que assistem, impávidos, cansados das “suas vidinhas”, perdidos em dramas egoístas, aparentemente distraídos, mergulhados nas redes sociais ou num jogo. E eu, ali, sentada, simplesmente. Sem desculpas.

 

Por fim, o comboio atrasa-se exatamente um minuto – o tempo suficiente para que o último dos volumes seja resgatado. As mulheres conseguem, finalmente, sentar-se. Não me mexo, não me viro. Não percebo porque o faço, ou melhor, porque nada fiz durante aqueles minutos. No meio da minha apatia, porque não me levantei atempadamente? Porque não ofereci ajuda como faço tantas outras vezes? Definitivamente, há dias em que não me orgulho de mim própria. Sinto-me tão idiota. Hoje, não olho nos olhos de ninguém, não alimento conversas, não oiço música, não leio um livro, não consigo, sequer, respirar fundo. Baixo a cabeça e fecho os olhos, quero permanecer invisível até chegar ao meu destino. Respeito o silêncio dos outros. O meu, é de vergonha.

 

Alexandra Vaz

 

29
Mai17

4’ 33’’ (Silêncio – 6)

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Foto: Guitar – Lorri Lang

 

“A natureza tem horror ao vazio”.

Conhecemos o dito, compreendêmo-lo, aceitamo-lo e conseguimos dar um par de exemplos, com relativa facilidade, comprovativos em abono da tese. No entanto a ciência vai afunilando o caminho e aponta cada vez mais firmemente para que afinal o vazio não existe. Vazio no sentido de vácuo, nada.

 

O silêncio é, assim, algo para além da ausência de som. Existe, tem conteúdo, significado próprio. É mesmo uma forma de expressão. É a possibilidade de dizer o indizível, acompanhado de um gesto, de um olhar, de sublinhar ou acentuar as palavras ditas. Também de as contrariar. De as aceitar, como quem cala.

Vazio, o silêncio? Pode ser a maneira inteligente de evitar uma discussão estéril, de dar sentido e importância ao que os outros, o mundo, nos diz.

O silêncio permite ouvir, pensar, escutar, perceber e compreender. É enriquecedor na exata medida em que nos permite ser recetores. [Sim, o silêncio como opção, ato de vontade, determinado. Não como recurso pusilânime, falso e cobarde.]

Por mais versáteis e ágeis que sejamos, como pensar, ponderar, meditar sem silêncio? E a música, a arte dos sons, como poderá ser ouvida, como sentir o ritmo, a melodia, a harmonia, a estridência, o sussurro e o grito, se não houver silêncio a envolver as notas?

O silêncio, tantas vezes, é medonho e compele-nos a afogá-lo. Refugiamo-nos no ruído e evitamos pensar nisso, naquilo que era mesmo importante.

 

Na verdade, sem silêncio, como ouvir, como ouvir-nos?

 

Jorge Saraiva

 

26
Mai17

A busca pelo silêncio (Silêncio – 5)

Publicado por Mil Razões...

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Foto: Person - Petra

 

Permanecemos lado a lado. Eu aqui e tu aí. Somos reais e concretos e renegamos os ecrãs que nos separam e as demais distrações. Este momento é nosso e decorre agora. Não o percamos com futilidades.

Inicia-se o diálogo e vão-se invertendo os papéis, de quem verbaliza e de quem cala. E é aqui que eu revejo em ti as vontades da humanidade, de quem ferve por conter palavras guardadas, à espera da sua libertação.

Que curiosa, inteira e amarga ironia desta evolução conseguida, onde nunca nos encontramos tão próximos e acessíveis, mas também tão sós e ocos!

E nós retomamos os traços simples que nos tornam pessoas ao acolher a quietude em nós e em nosso redor, deixando que ela se expresse por si mesma, ao abafar os demais ruídos.

É assim que nos ligamos, pela partilha de silêncios profundamente ricos e profundamente cruciais, porque muito se diz nesse vazio de sons que fomenta inesperadamente os elos!

Neste mundo onde se esconde o clamor por silêncio, é absolutamente necessário esse ato comunicacional que sustenta os laços essenciais à vida.

Por isso, deixemos o silêncio falar... Shiu...

 

Sara Silva

 

24
Mai17

O poder do silêncio (Silêncio – 4)

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Foto: Church – Lukas Bieri

 

O silêncio pode ser um lugar de refúgio. E é certamente! Mas também é de recolhimento. Não falamos aqui do silêncio que é imposto, por qualquer circunstância da vida ou força exterior, o qual pode ser perturbador ou mesmo aterrador, mas do silêncio escolhido por vontade de alguém que nele se recolhe e deseja reencontrar-se, nele quer meditar, refletir e pesar as suas decisões; enfim, nele aspira encontrar a luz que alumie o seu caminho nesse espaço de meditação.

É nesse estado de espírito, de paz, de tranquilidade interior e serenidade que alguém busca encontrar a inspiração que tanto necessita. E no silêncio pode, seguramente, encontrar-se  essas virtudes, escutando nele a voz da razão - o silêncio fala - o que muito poderá contribuir para a realização de muitas ações positivas da vida.

 

É no silêncio e com o silêncio, nele mergulhando profundamente, que se concebem as obras-primas do Universo. Ele tem força e poder, dotado, porém, de regras de conduta ao impor muito respeitinho quando está em causa o exercício da sua própria razão de ser. Saibamos, por isso, aproveitar os seus benefícios, que, diga-se, são muitos, suas potencialidades e, sobretudo, mais que tudo isso, porque é um espaço de abertura, uma porta aberta à comunicação e ao que nos rodeia, usar o poder que nele existe, quando as circunstâncias da própria vida assim o justifiquem. Como dizia Umberto Eco “um silêncio cauto e prudente é o cofre da sensatez.; in Ilha do Dia Antes).

 

José Azevedo

 

22
Mai17

O tesouro escondido (Silêncio – 3)

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Foto: Woman - Claudioscot

 

Acordo quando os primeiros raios de sol espreitam pela janela. Dou por mim a pensar no que me espera para este dia. Seria para mim um privilégio que todas as manhãs chegasse um pequeno passarinho ao meu ouvido e me contasse o que iria acontecer de significante no dia de hoje, para que estivesse preparada para tudo e todos. Mas não vem. O que vem é o silêncio, às vezes confundido com incerteza do que se passa, do que se pensa, do que se faz na nossa ausência. Este silêncio é como uma arma. Contra ele ninguém discute sem perder.

 

Quem me dera conseguir ficar em silêncio sempre que tenho tanta e tanta coisa para dizer... Falar de mais cria pontas soltas que retornam sempre ao nosso caminho com más intenções. Mais vale nada saber, então, pois assim não falamos. No fundo, o silêncio do que não dizemos e não ouvimos é como um tesouro com o qual devemos saber lidar, devemos saber o que fazer com ele.

Estar em silêncio não é só estar calado. É não falar apenas quando não é preciso, gerir essas ocasiões. É saber escutar, enquanto a nossa mente por vezes grita. Se paramos para escutar, é também um tesouro conseguir respeitar o silêncio dos outros.

Deito-me, sedenta do silêncio da noite.

 

Sónia Abrantes

 

19
Mai17

Um pouco mais… (Silêncio – 2)

Publicado por Mil Razões...

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Foto: Drip - Peter

 

As gotículas de água, que pendiam dos nós do arame farpado, denunciavam o fim de mais um aguaceiro. Expostas aos raios de um sol pouco atrevido, tímido até, serviam de espelho à luz que se refletia como uma palete de cores variadas. Fascinada com o brilho colorido das gotas de água, lá se deixou ficar a uns passos da vedação que a separava do mundo e lhe roubava a liberdade. Sentia-se abençoada por usufruir daquela beleza num lugar assim.

Tudo lhes era proibido. Não podiam rir, nem tinham razões para o fazer. Não podiam ser felizes, nem tinham esperança de vir a sê-lo. Só a morte circulava livremente por ali. Condescendiam, porém, e deixavam-nos sobreviver a troco de trabalho duro e indigno.

Estática, encharcada e com os ossos amolecidos, tão pouco defendidos por roupas e carnes, apenas pele de envelhecimento temporão, em silêncio para não quebrar o condão, contemplava-as. A uma em especial. Enxergou-a por ser maior do que as outras e obstinada em resistir à queda que lhe acabaria com a existência quando se precipitasse no chão. A brisa que soprava abanava-a, mas não a desprendia. Admirava aquela minúscula formação da natureza e a força com que resistia a ser destruída. Viu-a crescer em tamanho e à medida do seu desejo de liberdade. A pequena gotícula cresceu e tornou-se grande, tão grande, capaz de a acolher dentro da sua enorme bolha, elevá-la à altura da vedação e levá-la pelos campos verdes até ao rio inatingível, apesar de tão perto. Banhar-se-ia nas águas limpas e descê-lo-ia até a um lugar seguro e calmo. Não mais precisaria de sonhar com a liberdade que é coisa que não deve ser sonhada, mas vivida como coisa real.

A gotícula começava a fraquejar, perdeu a forma arredondada e ganhou aparência de lágrima. Aproximava-se da rendição, estatelar-se-ia no chão. Não podia deixar que ela caísse, com ela levaria o seu sonho de liberdade. Deu um passo, pesado e lento, mas determinado. Arrastou a custo os pés na lama, ainda faltavam alguns metros, mas salvaria o seu sonho.

 

Os gritos dos brutos para que se afastasse da vedação não a interromperam, na verdade, nem os ouviu. Aprendeu a não os ouvir, o silêncio protegia-a daquelas vozes duras que tantas vezes a feriram.

Com um brilho chamativo a gota de água continuava lá a debater-se para se manter ligada ao arame e, ela cada vez mais próxima, mais um passo e poderia recolhê-la na mão e deslizar para longe. Mas, que dor era aquela? Queimavam-lhe as costas, faltavam-lhe as pernas. Tombou sem forças no solo enlameado cor de sangue. A vedação abanou e a gota de água desceu suavemente como uma carícia no rosto da infeliz sonhadora.

O grito dos brutos há muito que se calaram em Auschewitz, mas o gemido dos vencidos continua a ouvir-se no silêncio incomodativo do lugar. Nos campos de concentração, esses buracos negros da humanidade, não há vazio, envolve-os um silêncio repleto de medo, indiferença, indignidade e todos os demais adjetivos que nos possam envergonhar.

Um silêncio povoado de dor.

 

Cidália Carvalho

 

17
Mai17

Paragens (Silêncio – 1)

Publicado por Mil Razões...

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Foto: Silence – Alexandr Ivanov

 

O silêncio é, muitas vezes, o único argumento e um apontamento de liberdade; a liberdade do outro e a minha liberdade. Tenho momentos em que me apetece ouvir o silêncio: momentos em que preciso de estar sozinha; momentos em que visito os que me deixaram; momentos em que as palavras só iriam prejudicar o desenrolar do acontecimento. O silêncio vindo de mim são paragens de discurso e do pensamento centrado na minha vida e acontecem, ou deveriam acontecer, em diversas situações quotidianas, quer profissionais, quer pessoais. O silêncio na interação com os outros e na ajuda ao outro é uma ferramenta poderosa; ajuda a ajudar. É um sinal de respeito pelo outro que necessita de ser ouvido e que descodifica as suas dificuldades. Para isso, eu preciso de ter momentos de abertura e de colocar nesta interação o meu silêncio. Ouvir, ouvir e escutar implica o meu silêncio. Estas paragens nem sempre acontecem com facilidade, justamente nas pessoas que são treinadas para falar, para emitir opinião e para apontar soluções.

 

A formação ensinou-me estes princípios, mas a experiência de vida ajudou-me a sedimentar esta ideia. Temos diversos tipos de conhecimento; o conhecimento formal, que me indica que o silêncio é uma componente da comunicação necessária; o conhecimento pessoal vindo da minha experiência que me ajuda a desenvolver este pressuposto; e o conhecimento ético que me informa que tenho um dever: o dever de ouvir/escutar as pessoas e de as ajudar. O silêncio ajustado e trabalhado a cada situação nem sempre pode ser substituído por qualquer outro elemento da comunicação… porque, por vezes, só o silêncio ajuda! 

 

Ermelinda Macedo

 

15
Mai17

Um caso muito sério (Amor – 19)

Publicado por Mil Razões...

 

Boardwalk-ArekSocha.jpg

Foto: Boardwalk – Arek Socha

 

"...

Più bella cosa non c'è

Più bella cosa di te

Unica come sei

Immensa quando vuoi

Grazie di esistere

..."

Più Bella Cosa; Eros Ramazzotti

 

Cada dia que chega traz-me a certeza que és tu, que és única. Por isso, agora, cada dia que passa deixa em mim um pouco mais do medo de te perder. Perder-te por um qualquer erro meu, por te desmerecer, por não conseguir revelar como és imensamente tudo para mim, por chegar a hora de eu partir, por seres tu a partir.

 

Como ficar com a falta de ti? Como acordar? Como sair? Como estar? Como respirar? Como voltar a olhar os lugares onde te vi? Como parar de pensar em ti? Como deixar de te desejar? Como parar de chamar por ti? Como parar de te tocar, de te cheirar, de te beijar?

Como partir sem ti? Para onde, sem ti? Porquê sem ti? Como esperar por ti? Como aguentar a dor de te ver sofrer, sem poder proteger-te? Quanto tempo terei de esperar por ti?

 

Ninguém entende. Ninguém imagina como só somos livres, plenamente livres, um com o outro, um ligado ao outro, um preso ao outro. A minha liberdade traz-me inevitavelmente até ti e fico pleno. Quero viver preso para ser livre. Quero viver contigo cada segundo, pois não sei quando nos perderemos. Quero sentir, saborear, deixar-me envolver, sempre, daqui, deste instante, até onde e até quando for possível, e para além.

 

Contigo! Muito obrigado por existires.

 

Fernando Couto

 

Porto | PORTUGAL

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