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Mil Razões...

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

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03
Mai17

Amor por definição (Amor – 14)

Publicado por Mil Razões...

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Foto: Family - rmt

 

Todos desejamos amor uns aos outros, uma ou outra vez, numa ou noutra ocasião. Desejamos ainda que haja no Mundo e entre todos. Falamos tanto dele mas quando surge a pergunta “o que é o amor?”, a boca fica muda, os olhos perdem-se em pensamentos longos que são rompidos de forma algo corajosa e por vezes certeira, dada a sensibilidade do tema, por explicações do amor que lhes foi ensinado, que sentem em si, o amor que lhes pertence.

Existem várias caraterísticas que são associadas por todos, de forma inequívoca ao amor, mas será esse o amor de todos nós? Poderá este ser definido? Como explicar e falar de algo tão profundo, complexo e necessário que nasce e morre de forma inexplicável dentro de cada um de nós? De um sentimento que possui as mais variadas formas de manifestação? Pelos amigos, pela família, por aquela pessoa que desejamos ter ao nosso lado pelo resto dos nossos dias e, sobretudo, aquele que a vida me tem ensinado ser o mais importante e o pilar de todos os outras formas de amar – o amor por nós mesmos.

São estas as perguntas que me enchem a alma quando os meus olhos se perdem em pensamentos logos, em busca da resposta à “tal” pergunta.

Quando se interrompe o meu silêncio, relato que este é, aos olhos do meu ser, o sentimento mais nobre que se pode experimentar, o conjunto perfeito e harmonioso de tudo que existe de bom dentro do ser humano. Creio, de mim para mim, que o amor é a cura do Mundo. A sociedade que nele habita vive sedenta de manifestações deste sentimento que se perde entre rotinas cruéis que nos consomem, compensando a escravidão invisível a que nos conduz, sob a forma de bens materiais dos quais acabamos por sequer ter tempo de usufruir, perdendo-nos assim entre a ida e a volta, sem viver realmente nem uma nem outra.

 

Pare. Reflita.

Qual o papel que o amor tem representado na sua vida? Qual o lugar real que ele tem tido no seu dia-a-dia? Qual o tempo que lhe dedica? Tem-se amado?

 

Landa Cortez

 

01
Mai17

Diário (Amor – 13)

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Foto: Sad – Morris Sneor

 

Amanhã fazes anos. Olho para trás e em retrospetiva vejo que errei tanto! Porque não sabia; porque foste o primeiro.

Não te dei colo suficiente e agora mal consigo sentar-te ao colo, porque já estás tão crescido! Não te dei beijos suficientes, e agora beijo-te todos os dias, em todos os momentos possíveis. Mas nunca chega para mim nem para ti. Não te abracei o suficiente e agora os meus braços começam a ser curtos para te abraçar. Mas abraço-te na mesma, com todo o sentimento (imenso) que tenho por ti.

 

Dizem que não há amor como o primeiro; e é mesmo assim. Foste o primeiro, e és tão especial por isso! Vivemos experiências irrepetíveis, brincámos, sorrimos. Conversámos – tanto! Quero agarrar-me ao tempo, porque te vejo a crescer e tenho medo de te perder: para os outros, para a vida. Orgulho-me de te ver crescer, mas ao mesmo tempo desejo que o tempo pare. Queria continuar a proteger-te; sobretudo, dos teus medos.

 

Mudaste de ano, de escola. Um 1º período que iniciou estranhamente bem, mas depois descambou. O novo, o diferente, as regras, os desafios, tudo junto foi às vezes demasiado para ti. Apesar disso venceste esse caminho e o 2º período está a ser melhor. Aos poucos, vais-te habituando. Mas custa não te ver feliz, entusiasmado com alguma coisa! És inteligente, sonhador, bom. Tinhas tudo para ser bem-sucedido no jogo social, porém há qualquer coisa que te impede de te deixares ir. Mas uma coisa é certa: és como és; tenho que te aceitar assim, empurrar-te às vezes, contudo, deixar-te viver a vida de acordo com a tua perspetiva.

E estar sempre aqui. Para o caso de ser preciso.

 

Sandrapep

 

28
Abr17

Ponto de luz (Amor – 12)

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Foto: Engagement – Karen Warfel

 

Livre. Leve. E solta.

Calma. Tranquilidade. Leveza.

Faz-me sentir como se eu perdesse o peso que carrego de ser quem sou. O mesmo que eu sinto contigo: eu sossego, abrando, sou translúcida e transparência. Porque me dispo para ti, porque me deixo descobrir, porque deixo que me descubras.

Porque sou quem sou contigo e porque sinto que tu és quem és comigo, sem filtros ou máscaras. Somos dois seres no estado mais genuíno e puro do ser, como se um se envolvesse na mente do outro, E o mais bonito é que o outro permite isso. Conexão mental. Liberta-me a mente.

És o meu ponto de luz. Que me conduz. Que tira o véu da minha alma e a liberta. E voa: livre, leve e solta.

 

“Segue o Sol

Ele é que é o teu farol

Olhos na altura

Swing na cintura

Pé no chão, carapinha no céu

Coração leve, pulsa no sabor da aventura

A vida é um rio que desliza até ao Sol

Daqui para adiante, horizonte fundo, alto, largo

Só luz

Segue o teu Sol

Siga”

Sara Tavares; Ponto de Luz (tradução livre do crioulo)

 

Sandra Sousa

 

26
Abr17

A menina-amor (Amor – 11)

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Foto: Child - Petra

 

O seu olhar era sábio, profundo e doce, alimentando-nos a alma. O seu sorriso iluminava tudo à sua volta. Dizia que o medo era o maior dos males. À custa do medo atrocidades se cometiam. Nada a amedrontava e ela, nada afrontava. Delicadamente aproximava-se dos animais mais selvagens, aqueles que qualquer adulto não ousava sequer olhar, e acariciava-os com amor, um amor irradiante, luminoso. Toda a natureza se harmonizava na sua presença, como se uma onda transformadora de um puro e amplo amor banhasse tudo à sua volta.

Com amor, amor incondicional por todos os seres, o medo desvanece e a vida refloresce com mais vigor e harmonia.

Era ainda uma criança, mas continha em si toda a sabedoria milenar: o AMOR incondicional tudo transforma!

 

Tayhta Visinho

 

24
Abr17

Virtude original (Amor – 10)

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Foto: Pregnancy – Alba Romá

 

E, de repente, o tema Amor.

Mote preferido dos poetas, inspiração maior dos que, não sendo poetas, escrevem versos. Tema nunca esgotado pelos pensadores, matéria viva e pulsante que alimenta livros, sustenta a eternidade dos melhores romances e confirma a intemporalidade dos contos infantis.

Seiva da própria vida, elixir de juventude, fome do espírito, alimento da saudade. Tempero sensorial das palavras mais simples. Ingrediente básico para as declarações mais requintadas. Tema de apetência natural e conhecimento transversal a todos a quem é pedido que fale dele - do Amor.

 

E, de repente, eu aqui, ser amante e amado, sem saber o que escrever sobre Ele. Eu, que já escrevi cartas de amor ridículo, já sonhei romances de amor eterno, já persegui sonetos de amor espartilhado, já senti amor de versos livres, já magoei poemas de amor inocente, já rimei saudades com amor vivo, eu, que já sublimei tantas palavras de amor... temendo dissertar sobre Ele sem cair em fossos comuns, ou tropeçar em palavras já exauridas de sentido e originalidade.

Eu que, como todos vós, sabe da sua importância nas relações humanas, e em todos os pontos e nós do tecido que nos interliga, eu, sem saber que parábola escrever para o explicar. Em que pequena frase o definir. Em que longo depoimento o interpretar. Em que simples palavras o elevar ao princípio e fim de tudo o que existe. Direi que o sinto, que o tenho dentro de mim, que nasci dele e para ele. Direi que dele necessito como pão para a boca. Direi que preciso de dar desse pão aos outros, para poder sobreviver. Que há vezes em que me sinto, simultaneamente, a explodir de saciedade dele e a mirrar de fome dele. Direi que sou humana - e que muitas, muitas vezes, não consigo manter equilibrado o fluxo desse sentimento que, como o sangue do nosso corpo, tem uma circulação própria e fundamental no corpo da sociedade - receber para respirar, dar para viver. 

Mas sei que respeitar a circulação vital do Amor dos outros em tudo o que nos cerca, é o primeiro passo para conseguir ser feliz. Ou, pelo menos, para continuar capaz de Sentir - sem precisar ou saber explicar o silêncio onde cabem todas as memórias do ventre da nossa mãe.

 

Teresa Teixeira

 

21
Abr17

O amor é… (Amor – 9)

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Foto: Granny – Benjamin Balazs

 

Podia dizer do amor sobre muitas coisas… ao dinheiro, a um objeto, a um animal, a uma profissão, etc., mas… isso não é amor.

A palavra amor até pode ser polissémica, ou pelo menos dar-se a várias interpretações consoante o sujeito e o objeto dele. Também se reconhece ser difícil de definir, pelo que é preferível personalizar, projetar em alguém esse sentimento para poder falar dele com mais propriedade e substância: o amor de mãe.

A mãe certamente terá muitos defeitos, muitas inconsistências ou, pelo menos, algumas imperfeições. Quem as não tem? Mas regra geral ela dá tudo o que tem e sabe para a defesa, crescimento e desenvolvimento das suas “crias”. A mãe dá-se, doa-se, divide-se, multiplica-se, sofre, supera-se, enfim, ela é capaz de tudo para proteger e fazer crescer o seu filho. Tira à sua boca para dar ao filho; coloca-se sempre em último lugar; esquece-se de si mesma; sofre por antecipação; sofre com e por; vive todas as angústias, todas as ansiedades e dores do filho. Nunca pergunta pelo troco; nunca dá a pensar no retorno; nunca quer recompensa a não ser o carinho e a memória de que é merecedora. A mãe que é mãe não hierarquiza nem privilegia pois preocupa-se com todos e cada um conforme as suas necessidades e caraterísticas, encontrando sempre uma solução, uma forma, um jeito de fazer ou resolver qualquer dificuldade, prevenindo e antecipando possíveis desencontros que a vida vai construindo. A mãe é sábia e a experiência adquirida dá-lhe autoridade em todos os momentos. À sua maneira, ela prolonga-se, projeta-se e, às vezes, realiza-se no filho É uma incondicional defensora e admiradora do filho, pois tenha ele a idade que tiver, ele é sempre o seu menino!

Assim é uma mãe e, se conseguir multiplicar o dito por dez, aí tem a minha mãe, muito amada.

 

Fernando Lima

 

19
Abr17

Sustado e eterno (Amor – 8)

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Foto: Mom - Unsplash

 

- Quero subir para aí contigo, mamã! - dizias, como se fosses embarcar numa aventura inelutável. Os teus olhos grandes a engolir o mundo brilhavam enquanto, impaciente, saltitavas em pontas.

Segurei-te pelo tronco e puxei-te para mim. O sol tímido roseava-te o rosto pousado no meu peito. Devagar, baloicei-nos e deixei que a brisa nos afagasse os cabelos. Dancei os meus dedos pelas tuas sobrancelhas e desenhei-te a face vezes sem conta. As tuas pestanas longas, negras, cerravam-se aos poucos. Estavas ali. Meramente ali, comigo, nesse dom, que só as crianças possuem, de estar verdadeiramente e completamente onde estão.

E naquele instante, todos os relógios pararam. Eras outra vez o bebé que há anos embalei no meu regaço. Sussurrei-te em silêncio as saudades que me trouxeste. Sei que me ouviste. Como me ouves de todas as vezes que te sorrio sem nada dizer. E eu fui criança também, eu estive ali, meramente ali, contigo, connosco e com os ponteiros de todos os relógios do mundo, interrompidos, suspensos, como nós, naquela cama de rede, sob o abraço do sol.

Amo-te, amo-te em paz. Amo-te tão tranquilamente, tão intensamente e tanto… como todos os amores deveriam amar. Esse amor que se balança, sustado e eterno.

 

De repente, olhaste para mim, olhos enormes a engolir o mundo outra vez:

- Mamã! Quero ir jogar à bola com o mano!

Saltaste para o chão depressa, correste e os relógios regressaram ao seu compasso. Deixei-te ir, como te deixo ir “crescendo” a cada dia que passa, escapando-me das mãos. Sei, porém, que sabes (tão bem) que no meu coração não habitam relógios. Podes voltar ao meu regaço que eu prometo que o tempo para de novo e que não digo a ninguém que te balanço como em criança, neste amor sustado e eterno.   

 

Vanessa Brandão

 

17
Abr17

Let’s get it on (Amor – 7)

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Foto: Girl - Cheryl Holt

 

Disse-te, na única vez em que nos demoramos nas palavras, que nem todas as figuras geométricas me agradavam, sobretudo triângulos. Respondeste com uma sonora gargalhada e uma apaixonada dissertação sobre os três vértices que a ti te faziam tanto sentido. Apesar de eu gostar das palavras que pincelaste, dos sons que, juravas, contavam histórias de amor, dos cheiros que inebriavam a alma, não encontrei harmonia em nenhum dos teus predicados: quanto mais falavas sobre eles, mais eu rodopiava no vórtice do teu desconcerto. Deixei de te escutar quando te disse que nada tinha para te oferecer e tu continuaste, alheio à minha vontade, argumento atrás de argumento. Se não estivesses tão empenhado em queimar razões a troco de nada, poderia ter-te dito que também tu nada tinhas para me oferecer e que esse é o teu caminho, não é o meu. A tua insistência nunca poderia recrutar-me mas a tua arrogância impediu-te de perceber que nem todos vibram na tua frequência. Não está certo nem errado, não é bom nem é mau, é o que é. Queremos coisas diferentes, sabes? O amor na tua vida tem três vértices e arestas afiadas, nunca descansa e salta refeições a troco de uns petiscos. Na minha, deita-se numa cama de dossel iluminada pela luz de um vitral de Fibonacci e repousa num par de braços onde se espelha. Na sua ausência, só a completude do Ser, e apenas ela, me alimenta. Nada disto te faz sentido, pois imagino que não. Vá, não percas mais tempo a explicar-me as mil vantagens do “amor moderno” e as triangulações da tua intimidade. Olha, está ali alguém com Pitágoras escrito na testa. Faz-nos um favor a ambos: vai lá vender-lhe o teu peixe e deixa-me aqui com o Marvin que canta, só para mim, este amor antigo e gostoso.

 

Alexandra Vaz

 

14
Abr17

Amante, sim (Amor – 6)

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Foto: Love – Юрий Урбан

 

Simpatia, beleza, empatia, química - sim, também, até pode ser tudo isso que entrechoca, faz chispa e produz faísca, lança a chama, lavra um fogo crepitante. E depois?

As dúvidas, as hesitações, as culpas, o lastro? Os mal-entendidos, os outros amores, os desencontros e os desmerecimentos. Sim, oh sim!

A carne é boa, muito boa; é inebriante, explosiva, sufocante, ardente e vê-se, sente-se, toca-se, arrepia-se, transpira-se. Da capo!

Sim, outra vez.

Também a música, a voz; tocar, cantar podem ligar-nos. E ligam.

O prazer da mesa, no prato e no copo, multiplicado pelo prazer da presença dos amigos múltiplos.

O sexo e a mesa compram-se ou trocam-se. Não é por aí, portanto.

O que faz o amor, com que haja amor? Tem parcelas? É total, inteiro, digo eu. Não vem de volta? É igual. Que interessa? Interessa, mas o mais importante, faltando muito, muito para ser tudo, é podermos e sermos capazes de amar, termos como e quem amar.

O amor dá vida, traz vida. Ainda que não tenha razões, é razão de vida. Sem o amor, o quê?

Que bom, como eu sou capaz de amar, de saber que o amor pode ser eterno, aconteça o que acontecer. Sim, incondicionalmente!

O amor precisa de tudo, o amor não precisa de nada. Não é à escolha, é assim. O amor é! Permanece. Pereniza.

Precisamos de ser amantes e chegamos ao amor. Vivemos com amor.

 

Jorge Saraiva

 

12
Abr17

Força revolucionária sinergética (Amor – 5)

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Couple-Pexels.jpg

Foto: Couple - Pexels

 

O amor é a expressão mais terna da humanidade. A transcendência elástica que abriga o possível e o impossível no seu âmago.

Quem habita a atualidade cravejada de sofrimento e de lamentos diversificados entende o quão urgente e necessária é essa força silenciosa. Esse grito mudo que reclama por um sentir traduzido positivamente nos gestos e nas palavras. Mais do que nunca é importante agir. Mais do que nunca é importante amar. E basta que um coração bata e uma mão se estenda para iniciar a revolução individual, que pela acumulação de sinergias transformará a realidade. Nesse ato simbólico reside o princípio da comunhão global, colmatando as falhas cruas que despontam em cada canto, rompendo eficazmente com o ódio, o medo ou a ignorância que afligem e ferem os pilares que nos sustentam como sociedade.

 

Refugiemo-nos no que nos torna humanos, tanto pelo mitigar das diferenças, como pela procura das semelhanças, usufruindo do milagre da coexistência que traz conhecimento e crescimento conjuntos, necessários à progressão dos tempos e união ambicionados. E assim a vida será tanto mais doce quanto maior for o amor.

 

Sara Silva

 

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