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07
Set12

Na distância e na proximidade (Estar longe – 7)

Publicado por Mil Razões...

 

Sentes-te lá. Lá longe. Onde a vista não alcança e a distância já não avança, e mesmo que isso acontecesse, nem por isso te sentias mais lá. Lá, mais longe. Porque para além dos quilómetros, pesa-te o desconforto de saber que se precisares ninguém estará lá em 20. Nem em 40. Nem em 60. Minutos, claro. Ninguém, pelo menos daqueles que interessam. Daqueles que te fazem sentir estar cá. Bem perto. E eu sei como te sentes lá. Também já lá estive. Sei como os dias passam melhor que as noites, sei como um dia de sol pode fazer diferença, sei como uma simples frase em português, dita por outro, te faz sentir. Sei como, até fugindo do cá habitual, encontrar um sítio que venda tremoços e superbock funciona como o mais eficaz antidepressivo. Lá, o tempo não é como cá. E muitas vezes o clima também... Lá, deitam-se e acordam mais cedo. E almoçam e jantam também. Ou então fazem tudo isto mais tarde. Nunca é “como nós”. Ou às vezes até é no mesmo horário, mas por qualquer motivo insondável, parece que não é. Mas é claro que o tempo acaba por ajudar. A estranheza das ruas, das casas e das lojas, lentamente esbate-se. E de repente parece que é tudo melhor que cá. Começamos a reconhecer as virtudes de anteriores “esquisitices” estrangeiras, integrando-as como tão nossas como o povo que nos acolhe. E, enfim, tornamo-nos estranhos também porque passamos a viver na dicotomia. O que é nosso é bom mesmo que seja mau, porque mesmo reconhecendo que é mau, nunca o vamos querer perder...

 

Sentes-te lá. Lá longe. A vista de tudo já te cansa e parece que não avanças na distância por muitos quilómetros que faças. E mesmo que os faças nem por isso te sentes mais lá. Lá, mais longe. Pesa-te o desconforto da tua certeza, de saberes que se precisares, alguém estará lá em 20. Ou em 40. Ou em 60. Minutos, claro. Mas quem estiver de nada servirá e nunca compreenderá. E eles já te fizeram sentir estar cá. Bem perto. E eu sei como te sentes lá. Também já lá estive. Sei como os dias passam melhor que as noites, sei como um dia de sol pode fazer diferença, sei como uma simples frase certa, dita por outro, te faz sentir. Sei como, mimetizando o habitual, encontrar um sítio que venda tremoços e superbock já não funciona como antidepressivo. Lá, o tempo não é como cá. E muitas vezes o clima também... Lá, deitas-te e acordas. E às vezes almoças e jantas também. Nunca é como “os outros”. Às vezes até é no mesmo horário, mas por qualquer motivo, parece que não é. E é claro que o tempo pode não ajudar. A estranheza das ruas, das casas e das lojas esmagadoramente mantem-se. E é tudo pior que cá. Não reconheces virtudes anteriores, afastando-as de tão tuas e eventualmente de quem te acolhe. E, enfim, tornas-te estranho porque estás a viver na dicotomia. O que é teu é mau mesmo que seja bom, porque mesmo que seja bom estás disposto a perder...

 

Rui Duarte

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