Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Mil Razões...

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

Destaque

Amigos do Ziki - Uma ferramenta para o pré-escolar.

30
Mar12

O comando de Elis (Mudança – 13)

Publicado por Mil Razões...

 

Elisabete, Elis para a família, nasceu há quarenta e cinco anos numa aldeia alentejana. Filha única de um coronel do exército, foi educada com muitos cuidados e carinhos pelos pais, pelos avós e pelas tias, irmãs de seu pai, todas solteiras. O monte, com os seus muitos hectares, onde em criança começou a descobrir o mundo, chegou até à sua posse por herança, a partir dos pais de sua mãe. Mas do monte se afastou ao ir para Lisboa, para estudar, para casar, para viver o dia-a-dia, até hoje. E sempre ao monte voltou, pelas tias, pela terra, pela aldeia, por se sentir parte integrante de tudo aquilo, por querer continuar, sempre, a ser dali, vivendo o compromisso de cuidar de tudo aquilo que recebeu.

 

Em Lisboa as coisas não lhe correram tão bem como desejou, como sonhou. Do casamento sobra-lhe uma criatura com o título de marido, odiado, que Elis quer ver e sentir como um estranho que a maltrata, que teima em continuar ali em casa, ao pé dela, a cuidar de tudo, sempre a viver à conta dela. O ódio invade Elis. Sobra-lhe também a descendência: três filhos, os dois mais velhos fora de casa, esforçando-se para ignorar Elis, o mais novo ainda em casa, à espera da sua oportunidade para imitar os irmãos e distanciar-se. Onde errou? Os cuidados de Elis e o seu amor pelos moços, lavrado em medos, em ansiedades e em inúmeras horas sem dormir, estão agora convertidos em silêncios, em fugas, em distância e alheamento, para Elis agravados pela proximidade ao pai, pela cumplicidade com ele. O ciúme invade Elis.

 

Elis sofre por viver assim, sofre por viver com um homem do qual já nem tem memória de gostar, sofre por não conseguir aproximar-se dos filhos e não entender porquê. Já lhe falaram em mudar de vida, em separação, em divórcio, em procurar os filhos mas vendo-os e respeitando-os como adultos, procurando redescobri-los. Mas nada disto tem sentido para Elis. Elis precisa de sentir que tem o comando, que é respeitada, incontestada e adorada como era em criança, tratada como uma princesa, no seu principado intocável, do qual não abdica.

 

Tomada pelo ódio e pelo ciúme, presa num passado que não mais se repetirá, está disposta a sofrer para além dos limites. Recusa-se a mudar. Mudança é palavra que não existe no seu dicionário.

 

Fernando Couto

 

Porto | PORTUGAL

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Equipa

Alexandra Vaz

Ana Martins

Cidália Carvalho

Ermelinda Macedo

Fernando Couto

Jorge Saraiva

José Azevedo

Leticia Silva

Rui Duarte

Sandra Pinto

Sandra Sousa

Sara Almeida

Sara Silva

Sónia Abrantes

Tayhta Visinho

Teresa Teixeira

Calendário

Março 2012

D S T Q Q S S
123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D

Comentários recentes

  • Anónimo

    A realidade de tantos e tantos...

  • Teresa Teixeira

    Obrigada. É só o que me apetece dizer, agora. E nã...

  • Cidália Carvalho

    Rui Duarte, não peça desculpas por entender que o ...

  • Anónimo

    Exatamente! E esse respeito passa também por serem...

  • Anónimo

    Obrigado pela sua resposta ao meu comentário Teres...

Links

Amigos do Mil Razões...

Apoio emocional

Promoção da saúde