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21
Fev12

Brisa quente (Mudança – 2)

Publicado por Mil Razões...

 

O despertador rompeu o silêncio do quarto com a música dos bangles mesmo a propósito… Just another manic Monday… Na luta contra o sono, Rita tenta abrir os olhos e vai espreguiçando até chegar ao outro lado da cama, agarra a almofada e tenta respirar os vestígios da fragrância que há pouco entrou na sua vida.

Este perfume virara o seu mundo do avesso. Tinha uma vida tão tranquila e tão organizada, sem grandes emoções nem sobressaltos… já tinha definido os seus próximos anos, já tinha conseguido domar a solidão, sabia-lhe bem chegar a casa e ficar sozinha, sentia-se confortável na pacatez e já nem sequer questionava a possibilidade de alguém entrar na sua redoma. As experiências amorosas faziam parte do passado, a última tinha sido enterrada há muito e com ela a esperança de novos ventos. De certa forma, tinha aprendido a ser feliz, era alegre e agradecia o que a vida lhe dava. Pontualmente pensava no vazio da sua vida amorosa, mas sabia que, por salvaguarda, não devia questionar demasiado e contentar-se apenas com aquilo que tinha.

Até um dia em que aquela essência imergiu no seu inverno, um perfume que reconheceu de imediato e que varreu de um sopro certezas afinal tão frágeis. O seu dia-a-dia, as suas rotinas, as suas horas de leitura, de meditação e até de sono foram abalroadas por uma lufada quente. Rita sabia que desta vez tinha de abrir todas as janelas e deixar o sol e o vento percorrer a sua casa, circular, desarrumar aquilo que estava quieto, e dar uma nova ordem à sua vida. A rotina tranquila à qual estava tão apegada era subitamente sacudida, brotava uma nova vida para a qual se tinha preparado sem saber. Depois de intermináveis anos de solidão, de repente, tudo fazia sentido, as peças encaixavam. Muito antes da Rita se aperceber, o processo de mudança já tinha iniciado, amadurecendo aos poucos. A seu tempo, a semente tinha crescido e Rita tinha percorrido o seu caminho devagarinho até a flor finalmente desabrochar frente aos seus olhos.

Sentada na cama, abraçada à almofada e de olhos bem abertos, Rita estava atrasada mas deixava-se inebriar um pouco mais por aquela deliciosa fragrância. Sabia que mal saltasse da cama, enfrentando a chuva e o frio, ia receber aquela segunda-feira com um sorriso luminoso porque afinal a mudança que esperava tinha surgido como uma primavera antecipada.

 

Estefânia Sousa

 

Porto | PORTUGAL

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