Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Mil Razões...

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

Destaque

Amigos do Ziki - Uma ferramenta para o pré-escolar.

23
Dez11

Não é a mesma coisa… (desOrganização – 11)

Publicado por Mil Razões...

 

“Desorganize-se! Tenha uma nova experiência de vida. Ajudamos a desorganizar-se. Contacte-nos.” Logo por baixo aparecia um número de telefone, um e-mail, uma morada.

Carolina ficou imóvel a reler tão estranho anúncio, impresso no seu jornal da manhã de sábado, habitualmente consumido com uma cevada dupla e um queque, no conforto do café, em mesa junto à montra, de onde lançava olhares esporádicos ao jardim fronteiro. Pensou ser absurdo. Absurdo, não – estúpido, é mesmo estúpido, acrescentou. Deve haver alguma ideia, alguma coisa por trás disto… Surpreendida e intrigada, Carolina esticou-se nas costas da cadeira. Toda a vida se esforçara em ser organizada, em otimizar a sua organização, em alguns aspetos tinha mesmo conseguido algum requinte organizacional. A sua casa, a sua família, o seu contributo laboral, eram claramente o resultado do seu esforço organizativo e gostava de pensar em tudo isso como um relógio em perfeito funcionamento.

Já em casa, após uma passagem pelo supermercado para as compras de sábado, o desassossegante anúncio não saía do pensamento de Carolina, provocando-lhe alguma irritação. Tinha de fazer alguma coisa! E fez. Telefonou para o número do anúncio.

A conversa, com aquele homem de voz suave e calma que transmitia tranquilidade, foi ainda mais surpreendente. Ele representava uma empresa que ajuda as pessoas a deseorganizarem-se, a sentirem a vida de forma diferente, a serem verdadeiramente felizes, como ele explicava. E como fazem esse trabalho? Fácil! Deslocam-se ao domicílio do cliente, analisam a sua vida em pormenor e entregam um plano de desorganização, para que o cliente o coloque em prática. E acompanham a aplicação do plano, dando consultoria e, eventualmente, introduzindo alterações no plano original, se a experiência revelar essa necessidade. Todo o processo está terminado ao final de trinta dias, ou seja, um mês depois o cliente está garantidamente desorganizado e feliz, ou então será reembolsado. Carolina estava paralisada. E todo aquele trabalho de análise, planificação e desorganização, até era em conta… Como não experimentar? Como provar ao idiota que criou tal empresa que tudo aquilo era completamente estúpido e impossível de concretizar? Carolina só encontrou uma resposta – contratar os serviços da “Não quero saber… – Consultores”. Nessa mesma tarde, em casa de Carolina, começou o trabalho de análise.

 

Uma semana depois, Carolina recebia o seu “PPD - Plano Pessoal de Desorganização”. Leu atentamente os seus sete pontos-chave e os detalhes pessoais que se seguiam a cada um deles: 1 – Guarde tudo pois um dia pode ser útil; 2 – Coloque qualquer coisa em qualquer lugar; 3 – Trate de tudo sempre na próxima semana; 4 – Nunca arrume - procure o que quer no meio da confusão; 5 – Use apenas a sua memória; 6 – Esteja sempre atrasada; 7 – Perca pelo menos um objeto pessoal por dia.

Ficou sem palavras, mas num impulso, o seu consultor pessoal de desorganização colocou mãos à obra.

 

Seis meses depois, Carolina sentia-se mais feliz do que nunca, sem vestígios de stress. Luís, o homem de voz suave e calma que transmitia tranquilidade, perguntou a Carolina, ao verificar o seu percurso de sucesso para a desorganização e felicidade:

- É possível viver com organização?

Carolina respondeu prontamente:

- Sim, mas não é a mesma coisa…

 

Fernando Couto

 

2 Comentários

Comentar Artigo

Porto | PORTUGAL

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Equipa

Alexandra Vaz

Ana Martins

Cidália Carvalho

Ermelinda Macedo

Fernando Couto

Jorge Saraiva

José Azevedo

Landa Cortez

Leticia Silva

Rui Duarte

Sandra Pinto

Sandra Sousa

Sara Almeida

Sara Silva

Sónia Abrantes

Tayhta Visinho

Teresa Teixeira

Vanessa Santana

Calendário

Dezembro 2011

D S T Q Q S S
123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D

Comentários recentes

  • Teresa Teixeira

    Marta. Esse seu comentário foi tão ao fundo da rev...

  • Aldina

    "Se é forçoso estar oculto, aspira-se a que nos de...

  • marta

    Os lábios da Sabedoria estão fechados, excepto aos...

  • Samuel

    … "não me coube em herança qualquer Deus, nem pont...

  • Cidália Carvalho

    Brutalmente fantástico!

Links

Amigos do Mil Razões...

Apoio emocional

Promoção da saúde