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Out10

História de amor, de dor, de horror (Histórias de Amor – 11)

Publicado por Mil Razões...

 

As histórias têm, normalmente, uma lição a tirar, sejam elas de que cor forem. Parece que são mais relevantes as que contam os azares da vida, os desencontros, as coincidências, os absurdos e até os amores. Quanto mais intensas melhor, mais tiramos para nós. Mais lições. Porque essas histórias é que são boas, aquelas que mexem connosco. É que assim dá para viver aquilo tudo, dá para sentir.

Aquilo. Aquilo que escondemos durante o dia, aquilo que disfarçamos, a fazer de conta que não nos interessa, que não nos incomoda porque somos seres racionais, seres equilibrados. Porque somos adultos e maturos.

 

Quantas vezes ao dia? Que alguém conte por favor!! Quantas?

Tantas vezes ao dia, tantas e tantas vezes que já nem damos conta o que é que sentimos. Só para nos voltarmos a lembrar no conforto do lar, no quentinho debaixo da mantinha, em que meia dúzia de lágrimas mal escorridas nos fazem chorar por causa de uma história. Até parece que já estou melhor, que aliviou. Esta história era das boas!

Já lá vão os tempos dos melodramas em que tudo nos comovia. Não havia paciência, lágrimas por tudo e por nada. Olha se agora toda a gente perdia a cabeça? Que horror!

Perdia a cabeça e dizia o que lhe vai na alma, o que lhe vai no coração, o que lhe arrepia a espinha, o que lhe dá nojo, o que lhe mete asco, o que lhe vira as tripas, o que lhe desalenta.

 

Pára lá com essa história que já chega!! Estamos a falar de coisas sérias! Há coisas com que não se brinca! Não se brinca, pronto! Não se brinca com os sentimentos das pessoas, com os desejos, com os sonhos, com as inseguranças, que horror!

Que horror? Que horror ou que dor? Que dor de já não conseguir sentir na pele aquilo que os olhos vêm. Com a pureza e a inocência dos olhos de criança em que tudo magoa como facas espetadas na barriga, nas costas, no coração, em que durante dias a dor é a vergonhosa companheira, em que as brincadeiras servem para preparar o disfarce de amanhã, depois de amanhã, daqui a 20 anos.

Eu estava a fazer de conta... Eu nem gosto de ti. Achas? Claro que não, não me dizes nada. Nem me custa, não me custa nada, que a vida é muito mais que isso. Já alguém disse, hoje em dia já não se morre de amor.

 

Carla Silva

 

Porto | PORTUGAL

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