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19
Out10

O amor despertador (Histórias de Amor – 10)

Publicado por Mil Razões...

 

Bom dia amor! – disse ele enquanto abria os olhos para mais um dia, esboçando um sorriso largo enquanto com uma mão desligava o despertador. Boooom dia anjoooo – recebeu em resposta arrastada juntamente com um sorriso tímido de quem tem um acordar sonolento. Por entre as frinchas da veneziana a luz que rompia a penumbra do quarto era forte o suficiente para vislumbrar o verde dos olhos dela. Meu Deus! – exclamou ele para si enquanto se perdia naquele infinito de tranquilidade. Aqueles olhos sempre o afectaram desde que a conheceu, mas somente se apercebeu da sua profundidade num dia de verão em que por entre avanços tímidos a encarou sem reservas. Só aí conseguiu distinguir aqueles pormenores que os tornam únicos, pontos castanhos entre a imensidão verde – pequenas luas estrategicamente colocadas numa galáxia que fala sem falar.

 

Voltou a si no momento em que percebeu o toque de lábios quentes nos seus. Uma sensação de familiaridade preencheu o seu peito enquanto aspirava aquele ar carregado do cheiro dela e mesclado com o seu. Assinatura inconfundível dos corpos que há umas horas se confundiam em apertos e gemidos, celebrando o amor que os une. Um arrepio lembrou partes de si que estavam acordadas, enquanto imagens fugidias recordavam em que posições haviam celebrado, sendo automaticamente catalogadas para referência futura, evitando perguntas arriscadas como “foi bom amor?”.

 

Puseste mais 10 minutos? – pergunta atirada todas as manhãs por aquele que não controla o tempo e que por isso tem receio que o mesmo se esgote. Claro que sim meu anjo – resposta dada todas as manhãs, atirada por aquele que controla o tempo e que tem pena que nada possa fazer para que o mesmo não se esgote. Com um braço ela é gentilmente convidada a virar-se e num bailado sincronizado e ensaiado diariamente é abraçada sem pudor. Uma mão na mama direita e outra na barriguinha. Gesto de segurança que a reenvia para a meninez, ao mesmo tempo que a longa e penosa agenda daquele dia se esfuma qual passe de mágica. “Amo-te meu amor” é sussurrado numa cadência doce…

 

Rui Duarte

 

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