Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Mil Razões...

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

28
Set10

Sinto tanto a tua falta (Histórias de Amor – 4)

Publicado por Mil Razões...

 

- Mãe, conta-me outra vez a tua história e do pai.

E eu contei, pela enésima vez, como eu e o teu pai nos conhecemos. Falei-te da magia que ambos sentimos quando os nossos olhares se cruzaram. Das juras de amor eterno, do casamento, da felicidade que nos invadiu por acreditarmos ser almas gémeas. Contei-te o quanto te desejamos, todos os planos que fizemos contigo e a tremenda alegria que sentimos quando te apertamos nos braços pela primeira vez. Mudaste as nossas vidas para sempre.

Durante os nove anos seguintes vivemos em estado de graça. É incrível o quão apaixonados nos sentimos, todos os dias mais um bocadinho, por um filho! Disse-te que te amava assim, com um amor que foi crescendo dia após dia, até já não caber dentro de mim.

 

Desta vez, já não contei a história até ao fim. Tu, já não a ouvias. Senti a tua mão soltar-se da minha devagarinho e os traços do teu rosto suavizarem-se, como se tivesses adormecido. Respiraste pela última vez. Eu também.

Não sei durante quanto tempo chorei depois da tua morte. Toda a gente pensou que chorava apenas por te perder de uma forma tão vil mas, na verdade, também chorava pela culpa que me atormentava. Senti-me aliviada quando partiste. Já não suportava ver-te sofrer, dia após dia, durante tanto tempo. Não suportava os teus gritos de dor quando já nada te aliviava. Consegues perdoar-me, filho? Eu ainda não me perdoei a mim própria…

Não compreendo muitos dos meus sentimentos, apenas descodifico o amor que sinto por ti…Passaram-se três anos, dizem. Não sei… O meu tempo parou quando partiste e ainda não acordei desta letargia que se abateu sobre mim.

Hoje estou aqui, ao pé da tua campa. O teu pai fez questão de a escolher; foi a última coisa que fez antes de partir. Estive muito tempo sem cá vir mas hoje saí de casa. Vim ver-te. Vim contar-te de novo a nossa história. Sei o quanto gostas de a ouvir. Dizias que os meninos deviam ser todos especiais e nascerem de histórias preciosas, como a tua. Tinhas razão, filho…

 

O teu pai já cá não está para a contar comigo. Não suportou a tua ausência e perdeu-se nele próprio, tal como eu. No entanto, descubro hoje que há amores que resistem à ferocidade do tempo e às intempéries da alma, e que se prolongam para lá da vida.

Já não te posso abraçar, nem ouvir a tua voz, mas continuas a viver dentro de mim. Aí, nunca morrerás, nunca sofrerás. Serei sempre a tua mãe, serás sempre o meu querido filho.

Sempre. Para sempre.

 

Alexandra Vaz

 

3 Comentários

Comentar Artigo

Porto | PORTUGAL

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Equipa

> Alexandra Vaz

> Ana Bessa Martins

> Cidália Carvalho

> Ermelinda Macedo

> Fernando Couto

> Jorge Saraiva

> José Azevedo

> Leticia Silva

> Maria João Enes

> Miriam Pacheco

> Rui Duarte

> Sandra Pinto

> Sara Silva

> Sónia Abrantes

> Teresa Teixeira

Calendário

Setembro 2010

D S T Q Q S S
1234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

Comentários recentes

  • Alexandra Vaz

    Obrigada eu, pela partilha. Forte abraço.

  • Anónimo

    Obrigada pelo seu contributo nesta empreitada de d...

  • Anónimo

    Uma pincelada de amarelo, pelo respeito de quem de...

  • Anónimo

    Mais um texto que mexeu comigo. Maravilhoso. Obrig...

  • Mil Razões...

    As redes sociais não são uma ajuda clínica. Quando...

Ligações

Candidatos a Articulistas

Amigos do Mil Razões...

Apoio emocional

Promoção da saúde