Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Mil Razões...

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

14
Dez08

O Natal

Publicado por Mil Razões...

  

 

Em criança, colava a minha cara ao vidro para ver os enfeites de Natal que as lojas colocavam nas montras, no início de Dezembro. Sentia o frio nas bochechas e deliciava-me com os comboios, as bonecas e todo o vermelho e verde que preenchia as ruas, as montras e as casas.
Vivia o Natal num misto de respeito e ansiedade, como qualquer criança queria ser visitada pelo menino Jesus que, mais tarde, deu lugar ao célebre Pai Natal.
 
Mal terminava a arrumação da árvore de Natal e ainda se comiam os restos do bolo-rei, já começava a pensar no que iria pedir para o Natal seguinte. Sempre que abria a gaveta onde os enfeites estavam guardados, sentia uma nostalgia e um conforto: acontecesse o que acontecesse, viria sempre o próximo Natal, que seria sempre uma festa e eu sentiria a felicidade e o amor de um ano inteiro.
 
Fui crescendo e a realidade dos adultos foi-se apoderando dos meus Natais, ano após ano a magia foi-se desgastando, deixei de sentir ou de querer a sua proximidade, pois estava longe de ser uma época desejável ou feliz. Sentia a máscara de todos e não queria fazer parte da gigantesca máquina de fazer e produzir contos de Natal.
 
O seu significado, o seu valor, ou o quer que seja, ficou completamente esborratado no dia em que deveria estar a “celebrá-lo”, mas estava a lançar uma última despedida a quem me ensinou o valor e o significado do Natal; que ironia, que dor e que sofrimento.
 
Durante anos vi e vivi o Natal como se de um filme se tratasse, imagens fictícias, momentos produzidos, sorrisos elaborados, intenções deliberadas.
Perdi o significado do Natal, a própria palavra ficou fazia de conteúdo e significado. As próprias cores mudaram para rosa, preto, amarelo, roxo e sei lá mais o quê!? Vemos as nossas tradições serem invadidas e a perderem por completo a sua beleza e o seu significado.
As referências ao Natal começam com a chegada do Outono e todos somos bombardeados diariamente com as “intenções” do Natal, onde comprar, o que comprar e como comprar e quando chega a data já estamos enjoados, sem saber muito bem o que significa afinal o Natal.
Deixou de existir nas ruas o cheiro e a beleza do Natal, as músicas tornaram-se gastas, repetitivas e até mesmo aborrecidas.
 
Mas...
As coisas mudam, não voltam a ter a magia nem inocência de quando éramos crianças.
 
Mas...
É possível voltar a ter brilho e ser especial, um dom que só mesmo as crianças têm…
Só mesmo uma criança para encontrar a beleza e o significado do Natal.
Cantar vezes e vezes sem conta a mesma música, sem que isso se torne um massacre.
Só mesmo as crianças nos fazem sorrir quando lhes dizemos que só podem escolher duas prendas e com um grande sorriso dizem “que bom”. É claro que por detrás das duas prendas está uma colecção inteira de cinco bonecas, ou a edição completa de uns jogos de carros.
Só uma criança para pedir um paninho para cobrir o menino Jesus, que está com muito frio e fazer-nos procurar um agasalho adequado.
Só uma criança para acreditar no pai Natal e com ar malandro e um sorriso descarado responder, perante a ameaça de não ter prendas por se portal mal, “eu já falei com ele e ele prometeu que me trazia o que eu quero”.
Só uma criança nos faz decorar toda a casa com Pais Natal e nos obriga a deixar um copo de leite e uma fatia de bolo para a sua visita e, claro, não esquecer as cenouras para as suas renas.
E faz-nos comer o bolo que não apetece e beber o leite de que não gostamos, tudo a correr, com medo de sermos apanhados em flagrante delito. E ainda “ratar” as cenouras, a imitar os dentes das ditas renas, e tornar tudo o mais verosímil possível.
 
Enfim! O Natal muda ao longo da nossa vida, mais para uns do que para outros, o meu mudou e muito. Começou por ser uma fantasia que perpetuei até não poder mais, depois foi uma quase obrigação e finalmente faço parte como “construtora” da própria fantasia. A ver vamos como será o Natal quando deixar de contribuir para a criação de uma ilusão. Provavelmente serão eles, as minhas crianças, que vão assumir o controlo do Natal e fazer dele o que mais gostarem. Espero que nele se reflicta o carinho, o afecto e a felicidade de um ano inteiro.
 
Susana Cabral

 

Porto | PORTUGAL

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Equipa

>Alexandra Vaz

>Ana Martins

>Cidália Carvalho

>Ermelinda Macedo

>Fernando Couto

>Jorge Saraiva

>José Azevedo

>Leticia Silva

>Maria João Enes

>Rui Duarte

>Sandra Pinto

>Sandra Sousa

>Sara Almeida

>Sara Silva

>Sónia Abrantes

>Teresa Teixeira

Calendário

Dezembro 2008

D S T Q Q S S
123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D

Comentários recentes

Links

Amigos do Mil Razões...

Apoio emocional

Promoção da saúde