Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Mil Razões...

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

Destaque

Amigos do Ziki - Uma ferramenta para o pré-escolar.

13
Jul10

O diagnóstico (Perturbações -7)

Publicado por Mil Razões...

 

Como profissional de saúde mental vejo-me muitas vezes confrontada com o dilema ético de dar a conhecer, ou não, o diagnóstico ao próprio doente.

O objectivo deste artigo, não é o de convencer o doente com esquizofrenia a tratar-se, mas o de ensinar como tornar-se num esquizofrénico. Isto porque verifico muitas vezes um desencontro entre as duas realidades, a do mundo clínico e a do mundo do doente; assim, quero fazer uma aproximação humorística da situação.

 

Alerto desde já que ser esquizofrénico não é para qualquer um, é uma tarefa árdua e difícil. Não é esquizofrénico quem quer, depende de um desenrolar abrupto de acontecimentos. Essa constelação de acontecimentos pode começar com o nascimento nos meses frios, ter problemas no parto, suportar viroses precoces; é o que os investigadores até hoje procuram.

O mais importante é ter ideias delirantes, alucinações, ter um discurso sem organização, possuir um comportamento claramente desorganizado ou catatónico. Quem andar à procura de saber se é esquizofrénico, olhe para si próprio e verifique se tem dificuldade em contactar com os outros por nunca saber em que onda eles estão, se é difícil manter a sua concentração, se nunca percebe bem o que os outros querem dizer.

Com todo este trabalho até pode tornar-se num pequeno génio cheio de originalidade. De facto, é possível que desenvolva habilidades adicionais, como notar pormenores que ninguém notara antes, ou saber usar indistintamente as duas mãos quando a maioria das pessoas usa a direita (ou a esquerda no caso dos canhotos), por exemplo, para escrever.

 

Uma coisa importante é, para já, ter uma vida rotineira de modo a não se confrontar com situações imprevisíveis e tumultuosas onde teria de pôr à prova as suas emoções. Isso ficará apenas para pouco antes do início da doença, uma coisa de cada vez! Sobretudo, nada de namoros e muito menos contactos físicos com o outro sexo. Sabe como essas situações podem ser emocionantes, mas deve esforçar-se por nunca aprender a lidar com as emoções. Pode apenas permitir-se a uma ou outra paixão platónica, quanto mais impossível, melhor. Bom bom, é que essa paixão só exista na sua cabeça e depois comece a falar de si para si. O exercício que lhe lanço é mesmo esse: fale de si para si e permita responder-se a si mesmo.

 

Outro exercício que lhe proponho é que leia muito sobre tudo e depois confunda tudo, criando um curto-circuito no seu cérebro, queimando alguns fusíveis. Assim, vai ter sempre confirmadas as suas ideias e as suas previsões. Com esta postura, haverá algum afastamento por parte dos outros, mas não se preocupe porque está no bem caminho. Retraia-se se lhe chamarem autista; não lhes dê ouvidos.

As palavras e as coisas transfiguram-se e mudam de significado para lhe confirmarem essas verdades. As pessoas já não falam do mesmo modo, mas por sinais codificados que só você compreende. Tudo gira à sua volta e sente que tem controlo sobre o mundo.

 

Sónia Moura Sequeira

 

2 Comentários

Comentar Artigo

Porto | PORTUGAL

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Equipa

Alexandra Vaz

Ana Martins

Cidália Carvalho

Ermelinda Macedo

Fernando Couto

Jorge Saraiva

José Azevedo

Landa Cortez

Leticia Silva

Rui Duarte

Sandra Pinto

Sandra Sousa

Sara Almeida

Sara Silva

Sónia Abrantes

Tayhta Visinho

Teresa Teixeira

Vanessa Santana

Calendário

Julho 2010

D S T Q Q S S
123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D

Comentários recentes

  • Fernando Couto

    Como se não nos bastassem os pesadelos criados pel...

  • marta

    ...e o pesadelo continua...

  • marta

    Uma pintura para a compaixão que este texto merece...

  • marta

    Um texto verdadeiramente Verdade...obrigada....e e...

  • Anónimo

    Oh, minha querida. Nunca saberei a dimensão da tua...

Links

Amigos do Mil Razões...

Apoio emocional

Promoção da saúde