Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Mil Razões...

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

Destaque

Amigos do Ziki - Uma ferramenta para o pré-escolar.

04
Dez09

O poço da morte (Natal - 2)

Publicado por Mil Razões...

 
É necessário começar por explicar que Francisco era Cristão.
 
Estava sentado frente ao mar. A noite estava fria - o Natal estava a chegar.
Recordou o Natal em que mais feliz se sentira. Fora o seu Natal de sonho tornado realidade. Passado no único lugar da Terra onde se sentia mesmo bem, o único lugar para onde queria fugir quando a vida lhe corria mal, para afagar as suas árvores, para que elas o acarinhassem. Passado com as três pessoas que mais amou. Passado com muito frio lá fora e com uma lareira bem acesa. Passado com um jantar, com a sua primeira e única Missa do Galo, com um regresso para uma deliciosa e reconfortante ceia. Sabia que jamais repetiria essa felicidade.
Recordou um outro Natal em que também se sentira feliz. Foi o único Natal que passou com o seu pai. Emocionou-se, como sempre lhe acontecia, ao sentir a amargura de não ter percebido, a tempo, o quanto o pai o amava, e ao renovar o pedido para voltar a estar com ele, uma única vez, antes de iniciar o seu caminho para o inferno, só para o abraçar, só para lhe pedir perdão.
 
E o Natal que se aproximava, como seria?
Pensou que Natal é nascimento, é uma nova vida, é esperança, é continuidade.
Lamentou nunca ter tido um filho. Nunca se preocupara com isso, mas desde há algum tempo que o seu pensamento, por vezes, ficava aí.
Toda a sua vida tinha decorrido sem definição nessa matéria. Tinha tido várias mulheres, tinha evitado algumas mais, tinha enxotado muitas. Mas sempre entregara isso na vontade de Deus. E estava convencido que a vontade d’Ele era que Francisco não amasse apenas um filho, mas que amasse todas as pessoas que conseguisse, que a elas se entregasse, que a elas servisse, que para elas construísse, com os talentos que Ele lhe emprestara, uma vida um pouco melhor.
Naquela noite, Francisco sentia quanto tinha desmerecido a missão que Ele lhe confiara. Naquela noite sentia quão grande era a distância entre ele e Cristo. Cristo que sofrera até à morte para lhe dar a liberdade, muito tempo antes de ele nascer. Francisco que já desistira de lutar, farto de levar porrada, de ser culpabilizado, sem ninguém que o aliviasse.
Lembrou um professor que lhe ensinara que não é possível ficar parado, que quando não andamos para a frente, estamos, de facto, a andar para trás. Lembrou a canção: “Tem que ser porque parar nunca. Ficar parado? Antes o poço da morte que tal sorte”, “Eu tenho a morte toda p’ra dormir”.
Procurou uma posição mais confortável no banco do carro e acomodou-se; tinha sono.
 
Aquele Natal que se aproximava iria ser mau.
Francisco desistira – não queria mesmo andar para a frente.
 
Fernando Couto
 

3 Comentários

Comentar Artigo

Porto | PORTUGAL

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Equipa

Alexandra Vaz

Ana Martins

Cidália Carvalho

Ermelinda Macedo

Fernando Couto

Jorge Saraiva

José Azevedo

Leticia Silva

Rui Duarte

Sandra Pinto

Sandra Sousa

Sara Almeida

Sara Silva

Sónia Abrantes

Tayhta Visinho

Teresa Teixeira

Calendário

Dezembro 2009

D S T Q Q S S
12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D

Comentários recentes

  • Anónimo

    A realidade de tantos e tantos...

  • Teresa Teixeira

    Obrigada. É só o que me apetece dizer, agora. E nã...

  • Cidália Carvalho

    Rui Duarte, não peça desculpas por entender que o ...

  • Anónimo

    Exatamente! E esse respeito passa também por serem...

  • Anónimo

    Obrigado pela sua resposta ao meu comentário Teres...

Links

Amigos do Mil Razões...

Apoio emocional

Promoção da saúde