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Mil Razões...

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

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05
Jul17

O sofrimento (Pesadelo – 2)

Publicado por Mil Razões...

Girl-AdinaVoicu.jpg

Foto: Girl – Adina Voicu

 

Quando me sinto impotente perante o sofrimento dos outros pareço pequenina. Penso, dou voltas à cabeça, peço ajuda e o sentimento de pequenez continua presente.

É-nos dito, frequentemente, que o sofrimento nos modifica, nos faz ver as coisas que nos acontecem posteriormente com a relatividade que elas merecem. Que me faz sentir impotente, faz; se me proporciona alterações internas, talvez, para o bem e para o mal; se me ajuda a ver as coisas com a relatividade que elas merecem, não sei… talvez só com algumas pessoas.

O sofrimento, no sentido lato do termo, aprisiona-me, seja ele dirigido a mim, como pessoa, seja ele dirigido aos outros e, particularmente, aos que me são mais próximos. Talvez eu já tenha passado por situações em que o sofrimento me revoltou, me fez crescer, me fez ver as coisas com mais relatividade; não sei. Sei que me lembro profundamente de todas as situações que me provocaram sofrimento e não gosto das recordações. As recordações trazem-me sentimento de angústia. Prefiro não lembrar. Mas para algumas situações a lembrança é inevitável. Ver sofrer aquela pessoa que me é muito próxima, cujo amor que se sente é único e diferente de todos os amores que sinto por outras pessoas e, quando não posso fazer nada, porque não está nas minhas mãos ajudar a alivia-lo, é um pesadelo!

Eu arrisco dizer que é assim com todos nós.

 

Ermelinda Macedo

 

03
Jul17

Um novo acordar (Pesadelo – 1)

Publicado por Mil Razões...

Man-OlichelAdamovich.jpg

Foto: Man – Olichel Adamovich

 

Às vezes a realidade encaminha-nos por travessias planas sem que possamos adivinhar as curvas sinuosas que se seguem. E ele certamente não previu as suas. Por isso, ali estava. Questionando-se sobre as causas e os porquês, os indícios e os “quando”, as consequências e os “como”. E nesse tempo dedicado ao pensamento, cogitou sobre o pouco tempo que tinha, um tempo que não podia ser passado a pensar. Por uma vez, na sua existência precisava de transpor o seu eu para a ação e pôr o seu espírito em movimento.

Vivera encerrado na sua mente turbulenta durante anos, sem nunca deixar de ser controlado pela depreciativa racionalidade que guiava todos os seus passos, sem se expor à natural impulsividade que deveria conferir cor aos seus dias. Assim, libertou-se das amarras e foi em busca dos seus mais íntimos desejos.

Mas já não restava mais nada. Nem ninguém. Todos os caminhos que partiam de si se enchiam de vazio; todos aqueles de quem gostava tinham partido e tudo o que sempre sonhara fazer, já não era possível.

Uma vez mais, ali estava, sozinho. Perdera tudo. As chances, os momentos, os dias, as pessoas, as alegrias, a partilha, a coragem, a loucura, a adrenalina, e sobretudo a felicidade. E não havia mais nada que pudesse fazer.

Quando os grãos de areia se reuniram na parte inferior da ampulheta da vida, olhou para trás e viu todo um caminho de desastres e feridos, um caos completo sem realização alguma. Então, pela primeira vez, agiu efetivamente de impulso, acabando com tudo aquilo…

… Até acordar subitamente.

 

Estava aterrorizado com a ideia de que pudesse fazer algo assim, de que a sua vida se tivesse resumido a um desespero, de que tivesse chegado àquele ponto.

Tinha sido um pesadelo. Um pesadelo real, concreto. Sabia que sim. Mas na ampulheta da sua vida os grãos ainda corriam, e afinal, ainda tinha tempo para agarrar a felicidade.

 

Sara Silva

 

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