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Mil Razões...

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

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Amigos do Ziki - Uma ferramenta para o pré-escolar.

06
Abr16

Peso (Responsabilidade - 3)

Publicado por Mil Razões...

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Foto: Happy Wedding Day – Geoff Doggett

 

O peso em quilogramas é difícil de eliminar quando ultrapassamos uma certa idade, mas aprendemos a viver com ele e, quando nos mentalizamos que a natureza é mesmo assim, conseguimos aprender a viver nessa nova realidade.

 

O outro tipo de peso, o da consciência, esse, já é mais difícil de aprender a viver e, tão ou mais difícil de eliminar... Pode parecer que o eliminamos mas, no momento em que faz menos falta, lá vem ele outra vez enviando uma pequena projeção à nossa memória.

O que fazer?

Mandar para as catacumbas da nossa mente?

Enterrá-lo?

Como, se a responsabilidade era nossa e o erro foi nosso?

Alguém morreu por isso? Não… Ou… Sim!

Mas podia ser diferente?

Se a decisão fosse outra estaríamos melhor?

Se calhar a ética também tem aqui um grande peso: um bem maior para um maior número de pessoas mesmo que apenas uma sofra…

Sim, falar é fácil.

Optamos então por ficar tristes quando tem que ser, ficar felizes quando conseguirmos, chorarmos, rirmos, sempre que for preciso, sem medo do que possa acontecer e com a certeza de que tudo o que fazemos hoje pode estar completamente errado amanhã…

 

Sónia Abrantes

 

04
Abr16

Cego é o que não quer ver (Responsabilidade – 2)

Publicado por Mil Razões...

Love-拾叁 簡.jpg

Foto: Love - 拾叁 簡

 

Não, não pode ser verdade! Exclamaram uns, pensaram outros.

O que acabávamos de ouvir só podia ser mais uma das suas brincadeiras inconsequentes. Suspensos no momento, os gestos interrompidos, todos à uma, olhámos a figura que, ainda em pé, sem qualquer emoção, no mesmo tom de voz com que chamava o empregado e lhe pedia um café, validava a decisão com um “ponto”.

Decidi, ponto!

 

Apregoavas a liberdade sexual. O casamento não podia ser uma autorização patética de acasalamento. Insurgias-te contra. Viver em comunhão de facto, não era um direito contratual, era uma necessidade ditada por algo verdadeiro e forte, o amor. Somente o amor poderia ser responsável por um projeto de vida a dois.

Sem saberes o quanto perto estavas dele, dizias-me que tinhas medo de não reconhecer o amor se alguma vez ele te rondasse. Tinhas razões, o amor não te rondou, envolveu-te, e tu não o reconheceste. Perfilei-me ao teu lado, para juntos enfrentarmos os colegas de escola. Troquei as brincadeiras com bonecas para jogar à bola contigo. Deixava as amigas para te acompanhar nos longos passeios pelos campos, junto ao rio, ou para te acompanhar nos grandes silêncios a que te entregavas sem explicações. Crescemos e os silêncios também, citavas Pitigrilli, a solidão é linda mas a dois, e eu lá estava para dar beleza à tua solidão. Vivias em permanente confronto com a sociedade e eu mediava essa oposição, mantinha-te ligado ao nosso grupo de amigos. Não me distribuías estes papéis, não era preciso, eu chamei a mim essa responsabilidade. E, assim foi por muito tempo, tanto, como tenho consciência de mim. Estar perto e testemunhar a tua existência, bastava-me para dar sentido à minha vida, mas, nem assim reconheceste o amor que apregoavas.

Não te conhecíamos namoradas nem paixões, por isso, e porque eu te amava, não tinhas o direito de casar.

Casaste!

 

Tinha aprendido a viver para ti, tinha que aprender a viver para nada.

Não te responsabilizei pelo vazio dos dias longos a que se sucediam noites intermináveis de solidão.  Rodeada de nada, vivia de nada projetada para um futuro de nada. Desresponsabilizava-me de centrar a minha vida no nada porque lá, era o meu lugar, não havia mais nada para além deste nada.

Metia pena, a pena que tinha de mim. 

 

Chegaram rumores de que o casamento não te ficava bem.

Chegaram certezas, tinha acabado.

Vi-te sem sonhos, sem esperança, sem sentido para a vida. Não pediste nada, não te queixaste mas, como antes, chamei a mim a responsabilidade de repor a vida que não havia em ti. Animada pela esperança, envolvi-te novamente de amor. Confidenciaste-me que o teu único objetivo era encontrar a felicidade, não sabias quando, nem em que circunstâncias, mas sentias que algo estava para acontecer na tua vida que te faria feliz. 

Novamente não o reconheceste e eu não era a tua procura. Não me martirizo por ter acreditado e teimado a acreditar em nós, responsabilizo-me apenas pela minha infelicidade. Mas por não veres que o que procuravas podia estar mesmo ao teu lado, só tu és responsável.

 

Cidália Carvalho

 

01
Abr16

Um papel de filhos (Responsabilidade – 1)

Publicado por Mil Razões...

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Foto: Elderly Woman – Coque Ambrosoli

 

Existe uma preocupação diária que me atormenta a alma. É o bem-estar daqueles que julgo precisarem de mim. Há uma fase da vida, mais ou menos prolongada, em que “os nossos mais velhos” já não conseguem seguir com as suas vidas sozinhos, pelo menos à luz daquilo que nos parece aceitável. Sentimos que precisam de alguém a todo o momento, porque estão frágeis na sua autonomia e na sua liberdade. Observamos e sentimos uma mudança de cor, e sinais e sintomas de desgaste físico e mental que lhes rouba a lucidez e a força para empurrarem a vida para a frente. O incentivo que davam de forma muito própria deixou de aparecer na sua comunicação. Usam muito a comunicação não-verbal e, de quando em vez, sai uma palavra ou outra que nos transmite o que sentem relativamente ao seu estado. É curioso que, ainda hoje, a paralinguagem está muito presente, e nós vamos entendendo, com mais ou menos dificuldade.

 

Existe uma preocupação constante com o seu bem-estar. Há sentimentos de uma perda vagarosa e silenciosa mas, às vezes, percebe-se que esse sentimento de perda grita dentro de nós e nos perturba incessantemente. Queremos o seu bem-estar, sendo esta uma das poucas certezas que tenho na vida. Tentamos responder às suas necessidades com muito amor. Sinto-me bem quando o faço; não faço quando quero, mas sim, quando posso… é tão difícil gerir isto! Serei responsável por este cuidado? Sinto, enquanto filha, que devo responder pelas consequências deste cuidado que presto. Devo sentir, por esta razão, que sou responsável pelo seu cuidado? É o meu dever, ou o meu direito, associado ao meu papel de filha?

De que se fala quando falamos de responsabilidade?

 

Ermelinda Macedo

 

Pág. 2/2

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