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Mil Razões...

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

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07
Dez15

Não me abandones (Medo – 10)

Publicado por Mil Razões...

Couple-GeorgeHodan.jpg

 Foto: Couple – George Hodan

 

Com os olhos lacrimejantes, fixou-a. Estava rosado de medo.

- Não quero perder-te. Não posso voltar a perder. Foram demasiadas partidas. Não sabes como é dizer adeus, uma, outra e mais outra vez. Não me abandones. É demasiado para mim.

Acariciou-lhe o rosto e recebeu, em contrapartida, serenidade.

- Não tenhas medo. Ninguém sabe o amanhã. Não te prometo o sempre. Estou aqui agora, neste momento. Na verdade, vamos perder-nos, mais dia, menos dia.

Os olhos tornaram-se ainda mais redondos, como se contemplassem o terror emaranhado no mundo.

- Como podes dizer isso, depois de te confessar o meu medo?

Voltou a acariciar-lhe o rosto, como se aquele toque fosse um calmante da alma.

- Que coragem teria eu de mentir-te? Vamos, um dia, perder-nos do que somos agora. Mas isso é o destino de todos nós. Aceita. A partir daí viverás sem que o medo te impeça de, realmente, seres e pertenceres.

- Tenho medo de voltar a sentir aquele abandono de quem vê partir para nunca mais ver regressar.

- Eu sei. Quem não tem esse medo? Faz parte da nossa carne, do nosso sangue, da nossa alma. Às vezes é mais desperto em pessoas que, como tu, sentiram na pele esse medo tornar-se mais do que uma ameaça. Porém, não te iludas. Todos sofremos desse mal. É tão pouco o que nos faz despertar.

- Então, se tens medo e compreendes o que sinto, porque não me prometes o sempre?

- Porque estou aqui, agora, contigo. Não pelo medo. Não sou sua prisioneira. Não te prometo um sempre para, simplesmente, confortar-te e mascarar o teu medo. Sou crua para que sintas que o que aqui está é real e mesmo que se finde, fará parte de ti, como tudo o que se perdeu permanece em ti. Não te iludas com nada que é, aparentemente seguro, pois é aí que tudo pode, repentinamente como a vida, perder-se.

 

Abraçou-a tão forte como um sufoco, repleto de medo. Breves momentos depois, constatou que não arredara pé. Viu-a sorrir. Fixou-se nesse sorriso e, naquele momento, esqueceu o medo.

 

Cecília Pinto

 

Porto | PORTUGAL

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