Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Mil Razões...

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

Destaque

Amigos do Ziki - Uma ferramenta para o pré-escolar.

06
Mai15

A angústia do agora (Agora – 16)

Publicado por Mil Razões...

Relogio.jpg

 

Não consigo situar-me emocionalmente, em pleno, em relação ao agora. Existe um quê de ambivalência com o mesmo, tal como acontece com as coisas que não são transparentes. O agora prende-se com o tempo e o conceito do mesmo. Com teorias infindáveis acerca de quanto dura, na realidade, um minuto. Um segundo. Uma fração desse tempo. Um agora é um agora num relógio em qualquer parte do planeta, mas um agora no sofrimento não é um agora na felicidade.

O agora acarreta uma certa dose de angústia, algo que deriva de duas suposições básicas:

 

Agora – “Estou bem” – “Que nunca acabe”

 

Agora – “Estou mal” – “ Que acabe depressa”

 

Curioso seria afirmar que este pensamento apenas surge quando acontece a consciencialização do momento corrente. E que significaria tal? Até ao surgimento desse pensamento a angústia seria inexistente? E isso acontece apenas quando estamos “bem”? Ou seja, quando estamos “mal”, a consciencialização do agora “que nunca acaba” está sempre presente e assim, a correspondente angústia?

O estar “mal”, no limite, transporta-nos para o crivo da psicopatologia. Em contacto com distúrbios ansiosos e depressivos o agora deriva, agora, de duas suposições básicas:

 

Agora – “Estou mais ou menos bem” – “Por favor que dure mais um pouco”

 

Agora – “Estou muito mal” – “Por favor que acabe depressa”

 

Neste caso, campo evidente de angústias e ansiedades, o potencial dano do agora será maior. Não existe qualquer relação de prazer com o momento – agora. No limite haverá um conforto derrotista do género “já foi pior que agora”.

Ok... e agora? Agora digo-vos que não é fácil trabalhar no agora, terapeuticamente falando. Não é fácil para o doente trabalhar a angústia do agora quando do futuro o vislumbre praticamente não existe. Contudo, como todos sabemos, depois do agora vem o depois. Ninguém consegue é garantir que nele não exista angústia.

 

Rui Duarte

 

04
Mai15

A vida acontece no momento onde estamos (Agora – 15)

Publicado por Mil Razões...

DescansarNaRede.jpg

 

O determinismo das coisas aborrece-me. Tudo o que acontece obedece a uma espécie de lei pegajosa que cola os eventos uns aos outros, para que nenhum ocorra isolada nem facilmente. Por exemplo, quero ir ao Algarve, mas para lá chegar tenho primeiro que passar pelo menos umas quatro horas em viagem. E antes da viagem tenho que fazer a mala. E antes de fazer a mala tenho que a encontrar. E por aí adiante. Parece que tudo está preso a tudo, tudo atrasa tudo. O mesmo se passa nas relações: para se partilhar a vida com alguém é preciso encontrar esse alguém, não sem antes ter-se feito uma escolha, por vezes criteriosa, de entre alguns alguéns.

Na vida quase nada acontece instantaneamente. A menos que se trate de um acidente. E esta permanente existência no adiamento acaba por encher.

Quando se quer algo, há sempre um hiato temporal entre o desejo e a concretização. Mas quando não se quer, em geral a concretização dá-se sem autorização e, não raras vezes, acontece aqui e agora, sem ser necessário adiar nada.

Há uma relação íntima entre, por um lado, aquilo que se quer e a espera e, por outro, entre o que não se quer e o agora. Quero que fique verde mas espero no lento vermelho. Não quero que fique vermelho e aí está ele, instantaneamente, logo a seguir ao laranja.

Esta questão do tempo de espera para o que é bom é uma permanente angústia. Lembro-me que aos 25 anos fui acometido de uma tristeza profunda, ao ter constatado que não teria tempo para realizar a maior parte dos projetos que fui idealizando na adolescência. Andei meses de rastos, com a sensação de que a vida é curta para tudo. Mas depois de muita reflexão, deu-se-me uma epifania: se é curta, então há que ter critério, há que escolher bem os lugares onde investir energia. E assim foi, pois. Foi constituir família, trabalhar e descansar. Hoje estes são os meus três únicos projetos de vida. À beira das centenas que tinha, pode dizer-se que foi uma simplificação considerável. E os três existem agora. Têm apenas que ser mantidos em equilíbrio.

A vida é de facto curta. Ou então é a imaginação que não pertence a esta forma de vida, porque coloca na nossa mente muitas ideias que não são concretizáveis em tempo útil.

Para se ter uma vida tranquila há que saber conjugar aquilo que se deseja com o tempo que nos resta. Para concretizarmos sonhos precisamos de pagar qualquer coisa, quanto mais não seja em unidades de tempo. De borla só mesmo os pesadelos.

Vivemos tempos de esperança, de esperança de que tudo isto vá melhorar, que tenhamos os cofres mais cheios para termos vidas mais confortáveis. Mas o mesmo se passou o ano passado. E no anterior. E no anterior a esse. E na década passada e até no século passado. Foi sempre assim. Na nossa vida pessoal passa-se exatamente o mesmo. Cheguei aos 25 com a ideia de que já não faltava muito para ter o dinheiro suficiente para concretizar parte dos projetos da adolescência. Mas nunca chegava. Era preciso esperar mais e mais e o dinheiro nunca chegava.

O que concretizamos verdadeiramente é apenas o nosso dia-a-dia. Sonhar é bom, projetar também. Só assim é que vamos fazendo a nossa vida. Mas enquanto não materializamos as nossas ideias, vivemos permanentemente em processo. Este processo de construção de algo é que define a vida. E isso só acontece no lugar onde estamos e no momento presente, aqui e agora.

 

Joel Cunha

 

01
Mai15

Haiku quântico (Agora – 14)

Publicado por Mil Razões...

NaPraia.jpg

 

Olhas o mar sorrindo

Estamos aqui felizes ao calor

Do nosso amor e do sol.

 

Conheço-te e apaixono-me

Será que também sentes isto?

Há pombas a conspirar.

 

Dás-me a mão sem medo,

Este é o nosso momento especial

Imortalizado num dia.

 

Agora e para sempre,

Mesmo que acabe é eterno.

Agora é para sempre.

 

Laura Palmer

 

Pág. 2/2

Porto | PORTUGAL

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Equipa

Alexandra Vaz

Ana Martins

Cidália Carvalho

Ermelinda Macedo

Fernando Couto

Jorge Saraiva

José Azevedo

Landa Cortez

Leticia Silva

Rui Duarte

Sandra Pinto

Sandra Sousa

Sara Almeida

Sara Silva

Sónia Abrantes

Tayhta Visinho

Teresa Teixeira

Calendário

Maio 2015

D S T Q Q S S
12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D

Comentários recentes

  • Anónimo

    estou me sentido muito mal com td isso parece que ...

  • Fernando Couto

    Como se não nos bastassem os pesadelos criados pel...

  • marta

    ...e o pesadelo continua...

  • marta

    Uma pintura para a compaixão que este texto merece...

  • marta

    Um texto verdadeiramente Verdade...obrigada....e e...

Links

Amigos do Mil Razões...

Apoio emocional

Promoção da saúde