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04
Fev15

Racismo para totós (Racismo – 15)

Publicado por Mil Razões...

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Temo que daqui a cem anos ainda grassem entre nós as questões da rejeição, da diferenciação e da discriminação. São transversais e universais, pelo menos enquanto existir ganância e medo. Sim, porque o racismo, a xenofobia, a homofobia e fobias afins, assentam apenas e só nestes dois pilares: a ganância volta-nos para a atração do que é nosso e o medo para o afastamento do que não é.

Não se nasce nem com a cor errada nem tampouco no lugar errado. Quando muito fica-se rodeado pelas pessoas erradas, aquelas para quem a ganância e o medo tolhem a vista.

Ser-se racista é afirmar à boca-cheia que se teme o desconhecido. E antes que o desconhecido faça qualquer coisa - que há de ser necessariamente perigoso ou estúpido - há que se estar devidamente preparado para encaixar esse perigo ou estupidez num qualquer preconceito.

O pior é que andamos há séculos nisto, talvez desde o nascimento do capitalismo e da propriedade privada. Ou até antes disso. Volta e meia a história encontra formas de agudizar os medos, ora porque se escravizam negros, ora porque se matam brancos, ora porque os chineses, ora porque os muçulmanos… Mas no fundo há sempre (e sempre haverá) gente com medo, muita gente com medo.

Há medos compreensíveis, aliás, o medo é-nos para nos proteger, no entanto, não de cenas parvas. O desconhecido no caso do racismo não se aplica, é um mundo moderno e cosmopolita. A cor também não, porque é cor. Quando muito a cultura, mas nem essa vale porque a cultura só por si não é nenhuma ameaça, é apenas uma determinada forma de estar.

O racista faz-se do escuteiro foleiro que há em certas pessoas, naquelas que querem estar sempre preparadas para tudo. Como se, em face do desconhecido, lhes surgisse no ecrã a mensagem “Error #404 - file not found ”. O racismo enquadra-se num sistema de crenças, no mesmo sistema de crenças que leva a massacres e a genocídios. A base é toda a mesma: por ganância e medo é-se capaz das maiores atrocidades.

Há uma respeitável relação entre plasticidade de pensamento e tolerância, entre flexibilidade e integração das diferenças. Assim, e porque estas são caraterísticas internas ao Homem (pelo menos enquanto vivermos em comunidade), é bem provável que daqui a cem anos ainda estejamos como hoje, neste ponto de evolução. A não ser que consigamos conduzir este mundo para lugares onde a diferença passe a fazer parte da definição de existência.

 

Joel Cunha

 

02
Fev15

Por favor, ignorância, saia do meu caminho (Racismo – 14)

Publicado por Mil Razões...

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Não é fácil para mim escrever sobre um assunto que é tão caro quanto inexistente. Mas o desafio está aí mesmo: será descabido e propositado existir o racismo até a minha liberdade terminar, porque na liberdade dos outros ele existe. E é rancoro.

Nunca entendi isso de avaliar o QI, qualidade de caráter, ou até pureza humanista, quando se depara com a cor da pele de uma pessoa. Faz algum sentido?

Convenhamos, não é isto o maior (ou mais um enorme) disparate que o Homem se lembrou de inventar? A sério que se eu for negra ou amarela (tantas vezes o sou) serei intelectualmente superior à minha colega de trabalho que é branca e loira? Posso rir-me ou é demasiado ofensivo?

É. É demasiado ofensivo. Porque existe e porque continuará ao longo da História da Humanidade.

Sou muito atenta à liberdade dos outros. Defendo veemente a liberdade que não é minha. Defendo-a como se o fosse, independentemente de amanhã estar sozinha ou não a defender a minha. O Mundo é de todos e nós não somos mais que formigas.

Hoje, num dia de profunda desilusão com o que me rodeia e com os filhos do meu Deus (ou com o Mundo, ou com a Vida… Ou até comigo), questiono-me até quando deixaremos de atacar os outros de uma forma gratuita, vil, disparatada.

É a ladainha cultural, colonial, provinciana. É o espírito da fraqueza disfarçada de superioridade e o resumo da estupidez humana num insulto ou discriminação.

Hoje não tenho palavras: hoje a minha página é um mundo em branco de incredulidade e de sentimento de desdém.

Não é fácil para mim escrever sobre um assunto que não existe no meu coração. Não é fácil para mim defender o óbvio, abrir as mentes para o discernimento do que deveria ser tão claro, transparente. Não irei defender com argumentos batidos, discutidos, levantados, aclamados. Não virei com clichês. Não defenderei o anormal nem lutarei por mentes patetas.

Tão e somente:

Tire o seu racismo do caminho, que eu quero passar com a minha cor.”; Georges Najjar Jr

 

Sofia Cruz

 

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