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Mil Razões...

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

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Destaque

Amigos do Ziki - Uma ferramenta para o pré-escolar.

05
Set14

- Ai! Que medo da educação!!! (Educação – 9)

Publicado por Mil Razões...

 

No último ano letivo, a associação de pais da escola dos meus filhos, decidiu avançar com um projeto para o qual eu me ofereci como voluntaria e à custa disso sofri verdadeiros traumas que deixaram mazelas nas minhas delicadas ilusões sobre como as crianças são as melhores representantes da educação do futuro. O projeto consistia em passar algumas horas no refeitório da escola, a sensibilizar e “educar” os alunos.

No primeiro dia apresentei-me cheia de entusiasmo e vontade, tinham-me avisado sobre o barulho (pensei que não podia ser nada de tão terrível, nem nada de tão complicado, arrogância de quem se esquece que o aviso veio de quem sabe) - nos primeiros minutos pensei que tinha sido atingida por uma granada, fiquei imediatamente surda e, por momentos, creio mesmo que cheguei a deixar de ver.

Após a adaptação tentei começar a fazer o meu trabalho e sensibilizar os alunos à necessidade, por exemplo, de lavar as mãos antes das refeições. Por momentos pensei que estaria a falar mandarim e que seria uma extraterrestre. Olharam-me de tal forma que imediatamente comecei a procura do terceiro braço que parecia ter-me nascido espontaneamente.

Desde uma passagem de um segundo por baixo da água, a um acenar tangente sobre a minha cara de mãos molhadas e “badalhocas”, pois vos digo, eu assisti a tudo! A confusão das pequenas e joviais criancinhas, de que o cesto dos papéis era todo o chão envolvente aos lavatórios, a dizerem-me, inocentemente, que já tinham lavados as mãos de manhã antes de vir para aulas, ou até mesmo, coitadinhas, que não precisavam mesmo daquilo que eu estava a solicitar, tudo isto com uma “carinha” laroca e um sorriso que em nada indicava de estarem a chamar-me de louca ou de chata. Como disse, vi e ouvi de tudo mas com traços muito, mas mesmo muito, ligeiros daquilo que eu pensei ser educação. Isto já para não falar nos gestos graciosos que faziam com os dedos e braços mal eu me virava de costas.

Com todo o carinho olhava para aqueles pequenos seres tão absorventes do meio ambiente, aqueles que vão perpetuar a nossa espécie, carregando já consigo o essencial da educação, sem uma única vez sentir uma vontade secreta de dar um ternurento e pequenininho corretivo.

Apanhei um verdadeiro susto, mas não foi de todo por causa da linda menina que, após ter interagido com ela, deu um passo atrás, olhou-me de cima a baixo com todo o respeito e, em seguida, com umas frases que nem entendi muito bem devido à sua delicadeza, parecia que me oferecia festinhas e carinhos.

Após ter assistido a uma mãe, voluntária como eu, a ser insultada, via telemóvel, por uma outra mãe de uma criatura que não aceitou de todo o conselho e decidiu telefonar à sua mamã para que esta ajustasse contas assim mesmo, pensei: neste momento, trabalhar de perto com adolescentes e pré-adolescentes deve ser uma profissão de risco. Mas o pior é que ainda hoje, passado largos meses, continuo com medo, não dos meninos e das meninas, mas da educação que eu vi ali espelhada naquelas poucas horas junto de tão lindas criaturas.

 

Susana Cabral

 

03
Set14

Conteúdo e continente (Educação – 8)

Publicado por Mil Razões...

 

A educação lá de casa, da nossa rua ou bairro ou aldeia, e a educação do infantário, da escola, da universidade. A informal e a formatada.

A formal, escolar, acrescentada da formação profissional, parece vir ocupando todo o espaço.

Ensinar e aprender.

Já se reparou que a educação escolar, que é um direito universal de todos os portugueses, de “tão” obrigatória passou a ser, quase sem nos darmos conta, considerada como que um dever, algo que nos é imposto e, em larga escala, que nos é exterior. Algo para onde temos de ir e estar, a escola... Para tantos (a maioria?) a educação, a escola, é apenas e só uma obrigação imposta e que nos é alheia, não nos diz respeito. Há a nossa vida, aquilo que interessa e nos vai motivando e há os assuntos escolares.

A vida é outra coisa!

Será?

A passagem de um estádio de “educação pela vida” para a “educação pela escola” – aplicada em modelos como que mutuamente exclusivos – foi tão rápida em Portugal, brusca mesmo, que gerou desequilíbrios, desvalorizando em demasia, talvez, um conjunto de valores da sociedade, das suas estruturas, família, comunidades, modos de estar e agir, prejudicando a integração de cada um de nós como indivíduo educado e funcional.

Assim a educação, no “campus” e no terreno, é também a passagem de geração para geração de conhecimentos, práticas, hábitos, ideias. O modo como somos e estamos, nos enquadramos e convivemos, estará a ter um saldo positivo nesta evolução geracional? Isto é, o que aprendemos é mais e melhor do que aquilo que “desaprendemos” ou esquecemos, de época para época, como consequência das novas circunstâncias, necessidades, modas, mudanças e estruturações/desestruturações das comunidades, da sociedade que nos envolve e que constituímos?

 

Jorge Saraiva

 

01
Set14

Educar para o respeito! (Educação – 7)

Publicado por Mil Razões...

 

Aprender a pegar numa caneta e num papel, e escrever. Ler e compreender uma mensagem. Tudo isso se processa graças a ensinamentos que, como seres humanos, vamos aprendendo, se eventualmente tivermos acesso a determinados mecanismos e ferramentas.

A Educação é, realmente, uma arma poderosa como defendem tantos. Sobretudo aqueles, a quem, a mesma é, constantemente, negada. Já outros, que a tomam por garantida, pouco valor lhe dão, ou até a desprezam.

Penso que saber ler é deveras importante. Um luxo que usamos diariamente, de uma forma mecânica, e que não damos o devido valor. Se, porventura, deixássemos de conseguir ler, muitas tarefas simples poderiam se tornar um verdadeiro martírio. Quando a comunicação falha sentimo-nos perdidos. Imaginemo-nos num local onde qualquer placa está escrita num idioma desconhecido. Facilmente, nos sentimos desamparados. Mas, mais do que ler, é compreender o que está para além das letras. E essa compreensão é algo que nem todos os instruídos conseguem atingir. Porém, mais do que esta educação formal, em que temos acesso a determinados conhecimentos e aprendizagens, formas de raciocinar e expressar, essencial é ter acesso à educação do ser.

Educar para o respeito. O respeito por nós próprios, pelos outros, pelos valores fundamentais. Hoje em dia parece que nem em casa nem na escola se educa para tal. Como se costuma dizer, parece que anda tudo mal-educado. Porque mal-educado e malcriado, são sinónimos. A forma como se cria uma cria, revela-se em resultados. E o respeito, valor básico das relações, parece não ser ensinado, nem estimulado.

Como esperar um resultado correto de uma equação, quando não se respeita os princípios básicos da matemática? Como se compreende um texto que não respeita as regras de sintaxe? Como nos tornamos seres cívicos quando não se educa para o respeito?

Realmente, se analisarmos a fundo, somos educados para aprender. De uma forma teórica, aprendemos idiomas, formas de raciocínio, aprendemos sobre evolução do mundo, das coisas naturais. São-nos concedidas formas de ver e, caso a educação formal seja completa, é-nos concedida também a possibilidade de desenvolver um sentido crítico face a essas aprendizagens e questionar as mesmas, de modo a explorar outras visões, tão ou mais plausíveis. E aí somos educados, para repararmos em tudo o que nos rodeia, de acordo com a nossa própria visão. Somos educados para a autonomia, para a independência, para uma mente aberta. E ensinados a usarmos certos conhecimentos no nosso dia-a-dia. Porque, para além de desenvolvimento mental, todos esses conhecimentos têm, eventualmente, uma aplicabilidade prática.

No entanto, antes de qualquer contacto com a educação formal, e posteriormente, em paralelo, vamos sendo educados. Sem estarmos sentados a olharmos para um quadro ou livro, somos educados. Pelo exemplo, pelas palavras, pelo modo que atuam connosco, pelo que vemos, ouvimos e sentimos. Desde pequeninos vamos aprendendo. E, às vezes, aprendemos que gritar em vez de falar é normal. Que bater em vez de debater é normal. Que esperar que os outros façam por nós é normal. Que não somos capazes de mais e melhor. Que não respeitar o espaço dos outros, as ideias, mesmo que contrárias às nossas, a forma de ser, o modo de estar na vida, a liberdade e valores básicos, tudo isso, não é importante. Até porque não somos educados a colocar-nos nos sapatos dos outros. E é tão fácil ser-se egoísta! E ao longo do tempo certos ensinamentos vão ficando impressos nas nossas crenças, na nossa forma de estar e ser no mundo. E porque, raramente, somos educados para o sentido crítico e para a análise de consciência, dificilmente conseguimos distanciar-nos de nós próprios e compreender onde falha o processo que nos impede de sermos mais respeitadores. E então, aí, a responsabilidade é sempre alheia (como quem diz: “A culpa é sempre dos outros”).

Todos gostam de ser respeitados. Mas, o inverso já não é tão importante.

Não faças aos outros, o que não gostas que te façam a ti. E é aí que reside o básico da educação, no respeito. E aprendendo o respeito, a equação final resultará num produto com mais valor e mais valorizado, não só pelos outros, mas também pelo próprio.

Educar para o respeito. Desde sempre e continuadamente!

 

Cecília Pinto

 

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