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21
Jul14

No fio da navalha (Delinquência - 9)

Publicado por Mil Razões...

 

Qual é a fronteira a partir da qual eu estou a delinquir? A cometer um delito?

A pergunta não me parece ter uma resposta difícil, ao contrário ocorrem-me de imediato várias situações em que estou fora da lei: se estou a conduzir um automóvel e piso o risco contínuo ou ultrapasso prolongadamente o limite de velocidade; se vou a uma feira e levo algo sem pagar. Estas respostas, não tenho grandes dúvidas, são de aceitação generalizada e evidente. Acho que posso apostar que “toda” a gente acha que estes são delitos que muitos de nós cometemos.

E quando abro o vidro daquele mesmo automóvel e atiro com um papel para a via pública? Ou quando venho cá fora à porta do edifício onde trabalho, ou do restaurante, para fumar e atiro com o resto do cigarro direitinho para o chão? Quantos acham que eu sou um delinquente? Ou, tão só, um pequeno infrator?

Bem, seja mais ou menos evidente ou de aceitação generalizada, que se está perante um ato de delinquência, a pergunta seguinte é: está bem, todos praticamos um ou outro delito e até com alguma frequência, mas a partir de quando é que passamos a carregar com o estatuto de delinquente?

  [parto do conceito de que delinquência é uma prática individual, personalizada, mesmo que a causa seja social]

Acredito numa sociedade de e com valores, direitos e deveres, organizada democraticamente, baseada no exercício da cidadania.

Dito isto, ainda tenho mais uma pergunta: a delinquência, a prática de delitos de maior ou menor dimensão, é sempre e em qualquer circunstância negativa?

Por vezes, ainda que não possa servir de escudo para tudo, delinquir não poderá ser um fator de evolução de progresso?

  [pois, as fronteiras, o como, o quem, o porquê e para quê...]

 

Jorge Saraiva

 

Porto | PORTUGAL

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