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Mil Razões...

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

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06
Jun14

E a vida continua (Luto – 10)

Publicado por Mil Razões...

 

Manifestação humana de solidariedade e indiferença face ao desaparecimento físico de alguém, próximo por consanguinidade ou por afinidade, caraterizada por um período de isolamento temporário do exercício de atividades de manifesto regozijo, devolvendo alguma serenidade e aconchego à alma da pessoa enlutada para poder libertar-se da dor da perda e assim reconstituir-se emocionalmente para dar seguimento a socialização corrente.

O estado de luto sujeita-nos necessariamente a um período deprimente, sentimento de solidão, questionamento do “eu” que naquele instante encontra-se abalado por não poder exercer a socialização como se, e não é para menos, a pessoa que partiu fosse o único ou o melhor ser na face da terra sem o qual a vida não fará mais sentido.

É uma experiência necessária, viver enlutado, momento de profunda escuridão marcada pela incerteza, que antecede a um período cinzento (nebuloso) e finalmente um período transparente de renascimento, redescoberta, esperança e luz na contínua peregrinação e crença na vida pós-morte.

Por culpa ou impunidade própria podemos azedar ou atenuar este sentimento de acordo com a estabilidade que nos ligava ao falecido, percetível, dentre outros sinais, pelo ambiente ou clima dos mais recentes encontros.

O clima social entre 2 pessoas resulta do entendimento, na concórdia ou discórdia, e do saldo do fluxo das transações emocionais. Quando o saldo é favorável o estado emocional facilmente recompõe-se e renasce a esperança de um ”até logo”, pois a ligação entre 2 pessoas tem uma dimensão transcendental forte e que ultrapassa o limite da existência física.

Haverá necessariamente uma razão substantiva para a morte de uma pessoa, e outra razão suprema associada a própria vida, apenas Ele detêm o dom da vida e da morte.

A vida é nossa como soe-se dizer, no entanto que o complexo de necessidades e desejos carnais que orientam a nossa ação, mas a alma não nos pertence. Todo o ser, desde o mais indefeso, tem a sua alma blindada por Quem a concede, protege e repara. Surge daí que a saúde de alguém tem quatro dimensões: física, psíquica, emocional e paz interior. Enquanto o aspeto físico e fisionómico é herdado dos nossos progenitores, e a personalidade é fortemente moldada pelo ambiente e contexto, a paz interior (consciência) é um “órgão” que não tendo existência física no sistema personifica a anatomia humana.

 

António Sendi

 

04
Jun14

Estou de luto (Luto – 9)

Publicado por Mil Razões...

 

Estou de luto. Possivelmente este meu luto há de terminar um dia, mas não tenho a certeza disso.

Já estou de luto há tanto tempo que já nem me lembro como é não estar de luto; mas não é por estar assim há tantos anos, desde os meus nove anos e meio, era dia de Consoada, que este passou a ser o meu estado normal.

Não. Sem ser um pensamento ou um sentimento obsessivo, sinto a falta do meu pai com frequência. Ainda não atingi a maneira de me habituar a não tê-lo entre os meus. Falta-me pelo que sei e pelo que não sei, pelo que nunca cheguei a ter.

A morte do meu pai, acrescida dos prolongados meses de doença que o impediram de fazer a sua vida normal e que fizeram com que já estivesse afastado do convívio habitual com ele desde os oito anos e qualquer coisa, por motivo dos diversos tratamentos tentados, até no estrangeiro, fazem com que me lembre pouco, demasiado pouco, como era, como foi, de estarmos juntos.

A morte dele teve influência no rumo da minha vida. Até agora. Até quando?

O que me marcou muito foi o facto de ter sido decidido que eu ainda não tinha idade para vê-lo morto ou, sequer, acompanhá-lo no funeral. Compreendo-o, percebo as razões que levaram aos meus familiares (a minha mãe não estava em condições de resolver a questão) a tomarem essa decisão, mas não aceito. Por maior que tivesse sido o meu sofrimento, eu teria querido, deveria tê-lo acompanhado até ao cemitério, nessa ocasião única. Talvez assim pudesse ter começado mais cedo e melhor o meu luto; ou talvez não, não interessa. Gostava de ter estado no funeral e não estive. E não há maneira de remediar esta falta.

A minha vida é normal, com momentos de alegria, de felicidade, felicidade extrema, assim como de tristeza e arrependimento. Nada me tirou o luto.

Posso estar enganado, mas dificilmente algo dirá exteriormente que estou de luto. Mesmo que o meu pai tenha morrido no Natal, decapitando a minha família, tal não me impede de gostar tanto desta festa que comemora a família.

O facto é que ainda não recuperei desta perda. Por baixo do meu sorriso ou gargalhada mais genuínos, estou de luto.

 

Jorge Saraiva

 

02
Jun14

Luto no presente e no futuro! (Luto – 8)

Publicado por Mil Razões...

 

De luto!

Nem sempre significa vestir de preto as memórias, chorar pelas recordações ou sentir as saudades de uma ausência permanente.

Esse luto que nem sempre associo ao passado, aos momentos que vivi e ao desprendimento da totalidade dessas vivências e a sua aceitação.

O conformismo, de que tudo acabou e que jamais voltará.

 

Por vezes visto-me de preto e faço o luto pelo que não terei.

Pelo que não partilharei.

O luto que tenho que fazer pelo presente e pelo futuro.

 

Fazer o luto, por momentos que vivo e nos quais não tenho a tua companhia!

Estar de luto em situações únicas, onde tu não te encontras.

Chorar pelo que tu já não conheces...

Sentir-me triste por saber apenas usar verbos no passado e nunca, nunca no presente.

Quanto mais no futuro...

 

Por te ter dito adeus e jamais voltar a dizer-te, olá!

 

Susana Cabral

 

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