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25
Abr14

A minha infância (Infância – 11)

Publicado por Mil Razões...

 

No meu tempo não havia nada, mas havia tudo. Esta parábola é bastante ilustradora do paradoxo entre bens materiais e os valores (morais) que coloram a nossa existência. Não se pretende assim induzir a períodos históricos de existência de alguém ou de gerações, mais ainda de grupos sociais segmentados pelo seu poder de compra, usualmente designado de classe social numa base meramente de poder aquisitivo relativo. Pessoalmente não sou apologista de uma classificação seca baseada meramente num único critério como seja o poder aquisitivo, sabido da decapitação destes seres quando cumulativamente não sejam minimamente instruídos, mas isso caberia numa outra dimensão de análise social.

Sem prejuízo das demais, pretende-se vislumbrar o modus vivendi de indivíduos pertencentes a classe média-baixa, se me permite assim classificar. Normalmente são pessoas com uma infância rústica e alto contacto com a natureza ou realidade das coisas, diferentemente de um mundo sofisticado em que a realidade é figurada para não antecipar certos contactos, alguns cuidados do mundo moderno e frutos da invenção do Homem para entreter/divertir os mais novos. Este esforço de proteger os seus rebentos é deliberado para não expô-los da maldade crua do mundo à sua volta, num esforço de evitar que os erros, carências e limitações do seu passado se repitam. Cada um tem o seu percurso, no final da estória prevalece a razão suprema: quis assim o seu destino.

Entretanto este instinto intuitivo também verifica-se por parte dos progenitores de infantes da classe média-baixa, porém com outro pormenor expressivo influenciado pela baixa escolarização, reduzida renda, infraestruturas fragilizadas, enfim um conjunto de fatores endógenos e exógenos que não facilitam a externalização profissional da educação por parte dos pais. Existem arranjos internos como sejam a participação dos avós, irmão mais velhos e até infantis, vizinhos, entre outros, para suprir a reduzida amplitude de controlo que os progenitores poderiam suplementar agravado por contextos em que deparam-se com carência das necessidades mais básicas.

Uma característica comum de sociedades subdesenvolvidas, com nível médio de escolaridade baixo e forte influência da cultura tradicionalista é a alta natalidade, facto que a longo prazo agrava a sequência descrita anterior. Francisco (2011) no seu ensaio sobre Estratégias de Reprodução e Proteção Social defende que ter muitos filhos é um mecanismo de proteção social através do qual a população humana mitiga o risco de insegurança e ameaças à sobrevivência. Apesar dessas adversidades, por amor aos seus, mesmo em carências avultadas, desde que haja harmonia familiar e fé, os progenitores de classe média-baixa desempenham cabalmente a tarefa de educar os seus filhos com um cunho moral acima da média. Segundo o mesmo autor, a estratégia da reprodução (ter muitos filhos) é eficaz atinente a sobrevivência, contudo ineficiente, conforme evidências demonstradas através da análise do desperdício demográfico.

No que toca a infância em específico, existem momentos sensíveis de transição na formação (crescimento) do indivíduo e sua identidade, em que a opinião dos pais faria toda a diferença não apenas para justificar a dependência material, emocional e espiritual relativamente aos encarregados de educação como também para legitimar tais atos.

Enquanto o papel dos pais é edificar filhos modelos, quais prodígio, que os honram e tornam educadores distintos numa sociedade marcada pela degradação de valores, reforçando a convicção segundo a qual é cada vez mais difícil educar hoje do que fora anteriormente, a missão dos filhos é encontrar um melhor desempenho comportamental com base na menor repreensão possível em sinal de obediência e respeito aos princípios e valores veiculados pelos pais.

Sem modesta do perfil de indivíduo que as crianças reveem nos seus pais, há a ameaça da influência externa que as crianças sofrem quando experimentam o mundo exterior descobrindo outros modelos. O grande desafio é haver uma margem de diferença reduzida entre os modelos de forma a criar menor penumbra no questionamento do indivíduo, que induz a experimentação e autodescobrimento.

 

António Sendi

 

Porto | PORTUGAL

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