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04
Out13

Quando o simples fica complicado (Sexualidade – 2)

Publicado por Mil Razões...

 

É inacreditável o progresso do mundo em algumas coisas. Mas em outros ainda parecemos presos a ideias medievais e assustadoras. É natural para muitos o avanço da ciência e das coisas que pareciam impossíveis, mas diante da sexualidade as pessoas parecem se congelar.

E o que nos dá tanto medo nisso? Difícil saber, mas crescemos cercados, durante séculos, de conceitos errados e religiosos. Tudo que tem a ver com a sexualidade é escondido, dito em voz baixa e um tom neutro.

Não conseguimos ainda superar as coisas sem sentido que envolvem o assunto. É assustador como as pessoas consideram um transplante de órgão uma coisa natural e fácil de fazer, mas na hora de falar sobre sexualidade essa espontaneidade desaparece.

O único motivo que eu encontro é a questão cultural, fomos educados para não falar sobre isso, nem sentir nada a respeito, mas mesmo assim não existe no mundo um assunto que desperte mais nossa curiosidade do que esse.

É o simples que virou complicado. Não tem nada na sexualidade que não possa ser dito, mesmo assim não dizemos. E não perguntamos. De pessoas próximas, às vezes sabemos até quanto ela tem no banco, mas de sua vida íntima, do exercício de sua sexualidade não vamos saber nunca. Com isso concordo, ser discreto é fundamental, o problema é que estendemos esse comportamento a nós mesmos, não falamos da nossa sexualidade para ninguém, mas também não sabemos nada dela, porque ficamos com vergonha de procurar saber.

E hoje se sabe que uma sexualidade reprimida, escondida, leva a pessoa a uma série de doenças, inclusive mentais. Exercer sua sexualidade é uma peça importante na saúde integral, não apenas na parte física, aquilo é necessário emocionalmente e mentalmente.

Saber da própria sexualidade é se conhecer e ao fazer isso automaticamente podemos rejeitar comportamentos errados ou situações que nos ferem. Com pouca informação estamos nos acostumando a ver a sexualidade de uma maneira distorcida, longe do que é a realidade. Filmes, comerciais estão criando uma sexualidade de plástico, artificial, sem vida e perigosa. E o pior é que absorvemos isso como se fosse natural e não chegamos nem a saber quem somos e como somos. Estamos recebendo uma realidade modificada e aceitando como se fosse normal.

Mas o normal é o simples, não o criado. A sexualidade é um terreno livre e pessoal, mas somos nós que temos que procurar o caminho, sem usar mapas alheios. É essa viagem que todos devem fazer para chegar a um ponto de autoconhecimento. Infelizmente poucos embarcam, são logo seduzidos pela outra realidade artificial, que promete caminhos mais curtos e mais prazerosos. O caminho para se conhecer não é dos mais fáceis mesmo, por isso tantos desistem, mas é o único que traz recompensas, porque se conhecer e exercer sua sexualidade fazem a vida valer a pena, e isso é mais do que podemos imaginar.

 

Iara De Dupont


Porto | PORTUGAL

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