Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Mil Razões...

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

15
Jun10

Apertos e palpitações (Perturbações - 4)

Publicado por Mil Razões...

 

De olhos fechados continua a ouvir o tic-tac do relógio. Não quer abrir os olhos para ver as horas, mas, ao mesmo tempo, o coração começa a bater mais forte. ”Já passou mais uma hora e não consigo dormir… amanhã tenho de acordar cedo e já só tenho quatro horas para dormir”. Assim continuam os pensamentos a rolar numa cabeça demasiado ansiosa para relaxar. ”Que raiva! O que me está a acontecer?! Porque não consigo dormir?!. Há dias que não durmo, estou tão cansada!”. De repente rolam umas lágrimas de inquietude e sofrimento… Trinta minutos mais tarde, depois de uma mente esgotada, o organismo ressente-se e acaba por adormecer.

 

Triiiiiiiimmmmm!!!!

Abre os olhos arregalados, com o coração aos saltos! Assustada, ainda desorientada, pergunta-se onde está. Um minuto mais tarde começa a perceber que está na sua cama e que está a acordar de um sono de três horas. Mais um dia, menos uma noite tranquila. Fatigada, levanta-se. Sente-se inquieta. Prepara-se para o trabalho sem vontade nenhuma, mal se arranja, mal toma o pequeno-almoço. Sai para a rua. O coração continua apertado. ”O que se passa comigo? Porque estou assim tão ansiosa?”. Evita o contacto ocular com os de mais transeuntes. Entra no metro, que provação! Começa a sentir as mãos a suar, sente-se incomodada, só quer sair dali. Irrita-se. Tem o rosto marcado por um olhar de ódio.

Finalmente chega ao trabalho. Senta-se na sua secretária, esboça um sorriso amarelo aos colegas e começa a arranjar a secretária. “Esta papelada vem para aqui, estes documentos são para arquivar…”. Controla todos os pormenores da sua mesa, sabe que tem controlo sobre o trabalho, por momentos sente o coração sossegado, tranquiliza-se e perde-se neste mundo. Não ouve nada ao seu redor, perde todas as interacções entre os colegas e todas as que a ela se dirigem. De repente ouve a chefe chamar o seu nome. Estremece. De novo palpitações, toda ela em alerta.

- Ana, venha ao meu gabinete. Silenciosa, caminha como se percorresse o corredor da morte.

- Diga.

- Ana, acho que tem feito um bom trabalho até agora, mas estou preocupada consigo. Parece-me pálida, tem estado alheada, isolada. O que se passa?

- Nada, chefe. Está tudo bem.

Sente uma vontade de chorar. Por mais que quisesse explicar o que se passa, nem ela própria o sabe. Só sabe que está sempre preocupada, em alerta, não consegue dormir, e facilmente se irrita, pelo que prefere estar sozinha.

 

De novo em casa, dói-lhe o peito, sente uns apertos no coração. Começa a sentir medo de ficar assim para sempre, medo de ter um ataque cardíaco, de perder o controlo da sua vida, de não conseguir atingir o que sempre quis, de não ter carreira, de ficar só no mundo, de nada lhe restar… Estes anseios manifestam-se na sua mente a uma velocidade estonteante. No entanto as horas passam e apesar de esgotada, os olhos teimam em não cerrar. Esbugalhados, fixam mais uma madrugada. Desespera mais uma vez, angustiada. Na sua cabeça surge uma necessidade: “Não aguento mais isto, não pode ser assim para sempre. Preciso de respirar, de dormir, de viver.” Entre lágrimas desabafa: “Preciso de ajuda.”

 

Cecília Pinto

 

Porto | PORTUGAL

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Equipa

> Alexandra Vaz

> Cidália Carvalho

> Ermelinda Macedo

> Fernando Couto

> Helena Rosa

> Jorge Saraiva

> José Azevedo

> Maria João Enes

> Miriam Pacheco

> Rui Duarte

> Sandra Pinto

> Sara Silva

> Sónia Abrantes

> Teresa Teixeira

Calendário

Junho 2010

D S T Q Q S S
12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
27282930

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

Comentários recentes

  • Cão Vadio

    " Ha um cão vadio, sujo e com fome,cuida-se deste...

  • Anónimo

    sabe o que mais gosto é viver a vida com plenitud...

  • Anónimo

    Uma outra leitura, numa outra oitava, do mesmo art...

  • Anónimo

    ...estamos a ficar cegos para o amor...

  • Teresa Teixeira

    :)OS TEUS OLHOS SÃO MAIS VERDES QUANDO CHORASOs te...

Ligações

Candidatos a Articulistas

Amigos do Mil Razões...

Apoio emocional

Promoção da saúde