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Mil Razões...

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

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31
Dez13

Dentro de cada um (Liberdade – 18)

Publicado por Mil Razões...

 

- Senhor, peço desculpa, mas quero pedir-Vos uma coisa.

- Pois pede; sou todo ouvidos.

- Quero ser livre.

- Queres ser livre!?

- Sim, Senhor, quero ser livre. Concedeis-me a minha liberdade?

- Mas como será essa a tua liberdade? Como queres que ela seja?

- Quero poder agir de acordo com os meus sentimentos e desejos, de acordo com o amor e a obediência que Vos devo, de acordo com o respeito e o amor que tenho a todas as outras pessoas. Quero ser respeitado na pessoa que sou e pela pessoa que sou, na forma como ajo, naquilo que faço, na forma como conduzo a minha vida. Quero poder dizer sim e poder dizer não, de acordo com a minha vontade e com aquilo que, em cada momento entendo como adequado e razoável para o bem de todos. Quero poder afastar-me de pessoas e de lugares, e aproximar-me de outros, e aos primeiros voltar, e sentir o prazer de ir e de voltar e de estar. Quero gostar de quem gostar. Quero que gostem de mim. Quero amar quem amar. Quero que haja alguns que me amem. Quero ser de Vós e do mundo e das pessoas. Quero poder dar-me sem medos, sem limites, senão os da minha vontade e da minha capacidade. E se num momento não tiver vontade, quero ficar apenas em mim e na companhia de Vós. Compreendeis. Senhor?

- Sim, compreendo-te.

- Então, Senhor, poderei ter a minha liberdade? O que é necessário para que eu possa ter a minha liberdade, para que eu possa ser livre?

- Mas tu és livre! Eu libertei-te, há muito tempo, desde sempre, de tal modo que já nasceste livre.

- Mas sou livre como, Senhor? Não sou entendido, nem aceite, nem respeitado. Parece que por mais que faça, mais longe estou dos outros e da minha liberdade. Estou sempre a ser observado e analisado e criticado. Esperam coisas de mim às quais nunca corresponderei pois não sei o que querem; e mesmo se soubesse, não sei se seriam também da minha vontade. Falam de mim como se eu espalhasse o mal por todos, devagarinho. Exigem sempre que faça isto e que diga aquilo e que esteja calado face a aqueloutro. E eu tenho medo, medo de dizer, do que digo, de como digo, e do que não digo. Medo de fazer, do que faço, de como faço e do que não faço. Contrapõem o que digo com coisas que entendem que eu quero dizer. E eu tenho medo desse confronto, pois eu apenas digo e não quero nunca dar outros sentidos ao que digo. Tenho medo da perda de dignidade sempre que há um desacerto destes; e eu vivo nestes desacertos. Senhor, como é que eu sou livre?

- Entendo a tua angústia. Suponho que em diversos momentos ela se transforme em desespero. Mas tu és livre! E do que acabaste de dizer, eu confirmo que és um Homem livre! Como poderias ser tu mais livre? Como poderia a tua liberdade ser diferente?

- Não sei, Senhor… Mas eu necessito de ser livre.

- Para um pouco. Pensa comigo. Quem é que não é livre? És tu que não és livre, ou são essas pessoas com as quais te debates que não são livres? Será livre aquele que tira a liberdade ao outro?

 

Fernando Couto

 

Porto | PORTUGAL

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