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03
Dez13

Livre-arbítrio (Liberdade – 6)

Publicado por Mil Razões...

 

O conceito de liberdade é relativo e há quem diga que é também mitológico. Concordas?

A relatividade da liberdade mostra a impossibilidade da vivência total da própria liberdade. Mas, por exemplo, um louco pode, à partida, realizar qualquer ação danosa, tanto para outros, como para si, revelando, assim, a evidência da liberdade de ação. Então, talvez a inexequibilidade não esteja na capacidade de manifestação plena da liberdade, quando o indivíduo, por momentos, executa uma ação, mas na incapacidade de se soltar das consequências reais e intransferíveis dos feitos da própria ação.

Na história jurídica há quem já se tenha safado, ou mais apropriadamente, visto sua pena de prisão ser reduzida, por alegar que seu ato transviado, de por termo à vida de outra pessoa, havia sido motivado por sua hipoglicemia, uma vez que estudos indicam que pessoas que tenham baixos níveis de glicose apresentam dificuldade no autocontrolo.

A tão procurada, desejada e proclamada liberdade, na maior parte das vezes, ainda é muito egoísta, porque se prestarmos atenção, quando cogitamos sobre a ideia de liberdade ainda se faz uma associação muito estreita entre o conceito de liberdade e quão livre o Homem se sente. Ainda se pensa muito na liberdade como um direito e uma vontade, e não como um dever maior e uma responsabilidade.

A liberdade é tão mais necessária de ser vivida quando na sua base está uma defesa justa e igualitária de considerar que alguém ou algum grupo merece não sofrer opressão, pelo próprio facto de existir, contrariando as mentalidades, atos e injunções tiranas de uns que não concebem as diferenças individuais, sejam elas ideológicas, de orientação sexual, sociais, étnicas ou de género.

Talvez nos devêssemos preocupar mais com a liberalidade do que propriamente a liberdade, visto que o preceito de A minha liberdade termina quando começa a liberdade do outro, ideia atribuída a Herbert Spencer, filósofo inglês (27 de abril de 1820 a 8 de dezembro de 1903) poderá revelar que a natureza da evolução sociocultural do Homem assenta numa ideologia de serviço ao outro e não na defesa e busca da liberdade individual, ideia que aliás está expressa na própria condição biológica do Homem. Mas isso não deve indicar que o Homem não faça uso do seu livre-arbítrio ou que abdique da sua capacidade de refletir e escolher o que possa, de forma lúcida e discernida, ser o melhor para si, ainda que isso signifique ir contra as ideias e comportamentos do grupo.

 

Marta Silva


Porto | PORTUGAL

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