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Nov13

Sexualidade virtual (Sexualidade - 16)

Publicado por Mil Razões...

 

Estamos constantemente a ajustar os nossos hábitos e estilos de vida às novas tecnologias. Curiosamente, a sexualidade não escapa às chamadas TIC, e está a assumir outros contornos. O que relatam os estudos nesta área? Quem procura relacionamentos amorosos, íntimos ou sexuais na Internet? Porquê? Que vantagens e desvantagens tem este tipo de relacionamento e, finalmente, será que a infidelidade “virtual” pode realmente ser considerada infidelidade? Com o aparecimento de sexo cibernético, como sendo um ponto intermédio entre a fantasia e a ação, o conceito de intimidade está a ser redefinido. Aqui o simbólico supera o real. Na Internet pode ser-se quem se quiser. Pode escrever-se, apagar e voltar a escrever o que desejar e fantasiar. As convenções são redefinidas.

Ross, 2005, num estudo sobre sexualidade e Internet, “Typing, doing, and being: sexuality and the Internet”, refere que esta tende a ser cada vez mais usada para procurar contactos sexuais, virtuais ou reais. Que tipo de relacionamentos se procura?

Michael W. Rossa, B.R. Simon Rosserb, Sheryl McCurdya & Jamie Feldman, num estudo sobre comportamentos de risco efetuado a 1.017 homens homossexuais, realizado nos Estados Unidos, “The Advantages and Limitations of Seeking Sex Online: A Comparison of Reasons Given for Online and Offline Sexual Liaisons by Men Who Have Sex With Men“ aponta para 48,4% a preferir encontros reais, contra 31,6% a manter os relacionamentos na Internet, e 20% a mencionar que depende da natureza e das intenções do relacionamento procurado.

Os que mantêm os relacionamentos na Internet indicam como principais vantagens a facilidade de utilização por parte dos indivíduos tímidos, o anonimato, a segurança, a emoção e a oportunidade para a experimentação de contacto que, de outra forma, seria bastante mais complicado. Os que preferiam o contacto real dizem atribuir uma importância grande à "presença real" e à possibilidade de construir um relacionamento.

Mas afinal há ou não há um perfil psicológico para quem procura sites como Match.com e eHarmony.com?

Historicamente e culturalmente os homens são considerados mais infiéis, mas os papéis parecem estar a reverter-se. Um estudo feito em 2005 a 1.828 utilizadores da Internet na Suécia, apresenta evidências de um aumento da existência de sexo cibernético e casos online, em que um terço dos participantes relata ter tido experiências de sexo virtual e as pessoas que tem um relacionamento estável aparecem como tão capazes de se envolverem neste tipo de comportamento como as descomprometidas. Relativamente ao género e idade parece que há diferenças. Assim, o interesse dos homens diminui com a idade e o das mulheres aumenta ligeiramente. 37% das mulheres com idades entre os 39 e os 49 anos relata experiências de sexo na Internet, contra apenas 25% de homens na mesma faixa etária.

Os investigadores (Kim et al., 2009) analisaram 3.345 pessoas nos Estados Unidos, dos quais 1.588 (47,5%) eram homens e 1.757 (52,5%) eram mulheres. A idade variou de 19 a 89 anos, com média de 48 anos. Os resultados referem que as pessoas que são mais "sociáveis são mais propensas a usar estes sites do que aqueles que são menos sociáveis.” Esta descoberta desafia a caraterização estereotipada de que seriam apenas pessoas solitárias e pessoas socialmente ansiosas.

Mas não são apenas as pessoas sociáveis que consideram o uso de Internet como um meio, neste caso mais um, para encontrar parceiro(a). Os indivíduos que têm baixa autoestima e que consideram as relações amorosas como uma parte pouco importante da sua vida, também tendem a procurar estes sites. Assim, se tem baixa autoestima mas atribui algum valor aos seus relacionamentos românticos, então, de facto, está menos propenso a usar a Internet para estes fins.

O que motiva os relacionamentos online? Pode-se chamar a motivação AAA: “Accessibility, Affordability e Anonymity”. A Internet é de fácil acesso, os custos são relativamente baixos e o anonimato apresenta uma segurança que conforta quem faz uso da mesma para estes fins.

O aumento de conversas escaldantes e sexo virtual online despoletou também o repensar do significado do conceito de infidelidade. Se não há contacto físico ou ato sexual, mesmo assim trata-se de um caso - está-se a trair o(a) companheiro(a)? Efetivamente não se está apenas a comunicar com outra pessoa, mas há de facto um envolvimento de natureza sexual ou emocional. Pode não haver infidelidade em termos físicos mas há, claramente, um reconhecimento de uma infidelidade emocional.

 

Ana Teixeira


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