Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Mil Razões...

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

Destaque

Amigos do Ziki - Uma ferramenta para o pré-escolar.

22
Out13

Na intimidade de um nevoeiro… (Sexualidade – 7)

Publicado por Mil Razões...

 

Bate a chuva cinzenta de um dia molhado na janela respirada de desejo. Amarfanhados, os lençóis brancos, denunciam a dança de dois corpos, envolvidos na loucura consentida de um amor não correspondido. Fixam o teto, enquanto as bocas ainda expiram ao som de um coração potente de sangue jorrado em êxtase. Branco é o silêncio, do corpo leve, mas de alma pregada à cama.

São dois os corpos, com suas peles, há instantes unidas como uma só, mas não num só corpo. Muito menos, numa só alma!

Mesmo ainda com toda a vibração presente, afastam-se lentamente. Não, não conseguem sentir a tal união que o sexo, supostamente, traz a um casal. Estão ali, tal instrumentos necessários a uma tarefa quotidiana, mas que depois da função exercida, quase se abandonam como se nunca tivessem existido ou alguém reparado sequer que existiam.

Nu, segue ele, encostando a cabeça à janela, desejando ser chuva que escorre vidro fora. Engole em seco. Seca está já a sua alma diante tamanho dilúvio.

Na cama, ela recolhe-se, abraçando os joelhos, outrora abertos de prazer, para fechar-se em si.

Fora tamanha a humidade que povoara aquele quarto. Ninguém o pode negar. Porém, tal como um aguaceiro, rápida foi a passagem da sua intensa presença. Ficou apenas a densidade que acompanha os dias de chuva, como um nevoeiro pesado. Que não deixa ver mais além. Aquele nevoeiro que traz incerteza. Que não deixa prosseguir. Só com apalpadelas. E por mais desejo que haja de saber o que vai para lá, cega os olhos de quem tenta conhecer mais e mais. E paira. Sem desaparecer, o nevoeiro.

Viam-se assim, envoltos, num nevoeiro sem igual. Partilhavam a mesma angústia de não serem mais do que uma cama em comum.

Perdidos, revestiram a pele e fugiram-se dos olhos. Mesmo que se olhassem, não veriam mais que o nevoeiro. Preferiram admirar o que os olhos não podiam contestar. Aqueles corpos apetecíveis, aqueles desenvoltos movimentos, sexuais sem intenção. Era tudo o que lhes restava.

Despediram-se, como quem já sai da festa mais desgastado que a euforia.

E, enquanto isso, a intimidade, essa, fazia fronteira, sem visto de entrada. Só de saída.

 

Cecília Pinto


Porto | PORTUGAL

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Equipa

Alexandra Vaz

Ana Martins

Cidália Carvalho

Ermelinda Macedo

Fernando Couto

Jorge Saraiva

José Azevedo

Leticia Silva

Rui Duarte

Sandra Pinto

Sandra Sousa

Sara Almeida

Sara Silva

Sónia Abrantes

Tayhta Visinho

Teresa Teixeira

Calendário

Outubro 2013

D S T Q Q S S
12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D

Comentários recentes

  • Anónimo

    A realidade de tantos e tantos...

  • Teresa Teixeira

    Obrigada. É só o que me apetece dizer, agora. E nã...

  • Cidália Carvalho

    Rui Duarte, não peça desculpas por entender que o ...

  • Anónimo

    Exatamente! E esse respeito passa também por serem...

  • Anónimo

    Obrigado pela sua resposta ao meu comentário Teres...

Links

Amigos do Mil Razões...

Apoio emocional

Promoção da saúde