Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Mil Razões...

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

O quotidiano e a nossa saúde emocional e mental.

Destaque

Amigos do Ziki - Uma ferramenta para o pré-escolar.

22
Mar13

Sou um vencedor como tu (Vencedores – 11)

Publicado por Mil Razões...

 

Digo-vos que o termo “vencedor”, em clara contraposição com “vencido”, me causa arrepios. Mas nem sempre foi assim, confesso. Quando somos pequenos temos a tendência para o gosto da vitória, seja ela nossa, ou então, de algo ou de alguém significante. Curiosamente, estas últimas vão mantendo uma certa coerência. Enche-me de felicidade ver um familiar ou um bom amigo ser vencedor, ter sucesso. Adoro quando o meu clube ganha, por exemplo... Mas e em relação às vitórias pessoais? Acredito que a experiência da vida modifica o fulcro do constructo. Na escola ser vencedor começa por significar ser melhor do que os outros a jogar à bola ou a subir às árvores. Depois, significa outras coisas: ter as melhores notas, ter a miúda mais cobiçada, ter a melhor mota, etc., etc.. Atenção que não é preciso ter o conjunto destas situações! Ao longo desta mutável perceção de vitória entendemos que não podemos ser vitoriosos em tudo. Não tendo a miúda mais gira, ter a melhor mota não lhe fica atrás.

E depois perde-se a inocência.

A vitória pessoal torna-se complexa, ganha outra dimensão. Que interessa agora a mota quando tenho de encontrar um meio de subsistência? Que interessa agora a miúda quando tenho de cumprir os objetivos da empresa? Que interessam agora as notas quando a minha relação está em risco? Chega-se então a um ponto em que, infelizmente, já não posso responder que sou um vencedor porque ganhei 3-0 ao 4º ano B. Já não posso responder que sou um vencedor porque a minha mota chegou mais depressa ao semáforo da rotunda da Boavista. E aqui encontramos uma questão pertinente. A quem respondemos nós se somos, ou não, vitoriosos? O difícil da questão é que já não prestamos contas aos nossos cuidadores. A pergunta já não é “tiraste positiva a tudo?”, ou “ganhaste o concurso da escola?”. O difícil da questão é que agora perguntamos a nós próprios pelas nossas vitórias. O difícil da questão é que por vezes não temos resposta.

Quem são então os “vencedores” e quem são então os “vencidos”? Sou-vos honesto quando vos digo que quis evitar arrepios e não entrei em análises profundas à questão. A experiência profissional fez-me acreditar que este universo não tem de ser assim tão polarizado, frio, penalizador. Acredito que somos todos vencedores, assim como vencidos somos todos. E com base nessa premissa pedi segunda opinião a um amigo. Pedi-lhe então que escrevesse sob o lema deste texto – “Sou um vencedor como tu”. Aqui ficam os seus pensamentos e as suas conclusões:

 

“A unicidade é o maior trunfo. Tendemos a perseguir e a idolatrar os objetivos dos outros, pelo receio de trilhar um caminho que perspetivamos solitário e de não lhe resistirmos; Se deixarmos “fluir” o nosso eu surpreendemo-nos com as virtudes e encaramos / aceitamos de frente as fraquezas.

Não há vencedores, nem vencidos. A alternativa a lutar é perecer. E todos, todos, somos vencedores em algum momento e domínio da vida.

“Nasci para ser...”. É uma máxima mentirosa e injusta. Somos o que a vida nos permite. O segredo reside em jogar com o que nos permite. Porém, o destino não é tirano, é plural. Acreditar que nos reduzimos a uma só vocação seria fazer tábua rasa da plasticidade e génio humano.

Os “fracos” são os fortes que recusam ser fracos. Tratar por tu o sofrimento tem a perversão de ora municiar o encontro connosco mesmos, ora obliterar-nos a necessidade de realização com o outro. Ser vencedor assenta no pragmatismo e valentia entre escolher um ou outro. Temos que saber ser sós com o outro.”

 

Rui Duarte e Pedro Bártolo


Porto | PORTUGAL

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Equipa

Alexandra Vaz

Ana Martins

Cidália Carvalho

Ermelinda Macedo

Fernando Couto

Jorge Saraiva

José Azevedo

Leticia Silva

Rui Duarte

Sandra Pinto

Sandra Sousa

Sara Almeida

Sara Silva

Sónia Abrantes

Tayhta Visinho

Teresa Teixeira

Calendário

Março 2013

D S T Q Q S S
12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D

Comentários recentes

  • Anónimo

    A realidade de tantos e tantos...

  • Teresa Teixeira

    Obrigada. É só o que me apetece dizer, agora. E nã...

  • Cidália Carvalho

    Rui Duarte, não peça desculpas por entender que o ...

  • Anónimo

    Exatamente! E esse respeito passa também por serem...

  • Anónimo

    Obrigado pela sua resposta ao meu comentário Teres...

Links

Amigos do Mil Razões...

Apoio emocional

Promoção da saúde