18.1.17

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Foto: Human - Petra

 

Diz o povo que a experiência é sabedoria. E eu concordo. É saber, é conhecimento, feito de experiência, de vivências. Pode não ser erudito, pode não ser livresco, pode não ser aceite como cultura elevada, mas é profundamente válido e importante por quem o constrói baseado na sua vida.

Falar de experiência remete-nos, portanto, para um sujeito ativo que aprende e ensina fazendo, o que dá ao conhecimento um cunho inestimável e muito mais poderoso do que aquele saber aprendido de forma passiva. Assim, a experiência acrescenta ao aprendido a credibilidade, a confiança, a aceitação que outras formas de aprendizagem não são merecedoras. Por outro lado, aprender pela e com a experiência, implica uma rotinização de ações, de questões e de respostas na busca de soluções que sedimentam as hipóteses que colocamos no nosso quotidiano. Daí que esta aprendizagem credibiliza, reforça e qualifica as soluções então construídas.

 

A experiência enquanto vivência profissional cobre múltiplos aspetos da vida. É multidimensional na medida em que contribui para moldar a identidade, a personalidade, a credibilidade, o conhecimento, o saber-estar, o saber-fazer e, sobretudo, o saber-ser do indivíduo. Dá ao ser humano a dimensão crítica e reflexiva que o saber livresco por si só não dá.

Por fim, a experiência não se reduz a uma aceitação, a uma acomodação sistémica da existência humana perante os fenómenos da vida que o cercam. Não se reduz a uma sobreposição linear de receitas prontas a usar de forma acrítica pelos indivíduos, ou, da soma de conhecimentos práticos adquiridos com o tempo e a serem seguidos. É, sim, um verdadeiro conhecimento que deve ser respeitado, enobrecido e conceituado pela sociedade.

 

Fernando Lima

 

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16.1.17

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Foto: Roasted Chestnuts - Cristina Pechirra

 

“Vá, não te lamuries mais, serve-te aqui de umas palavrinhas, que ainda estão quentinhas (ai, se não fosse eu a acudir-te os gritos!).

Está bem, o raio da vida que te calhou não é flor de se cheirar. Mas já que a (es)colheste e a puseste em jarra tipo sempre-em-pé, que queres? Limpa lá os vestígios da água entornada, antes que o tampo da mesa-de-cabeceira fique corroído do sal e serve-te aqui de umas palavrinhas, vá…

Está bem, não te queixes! Sei que hoje as tirei tarde demais do forno e ficaram assim um bocadinho a amargar de queimadas. Mas sempre aconchegam o estômago e dão-te sustento.

 

Mas quem te manda a ti querer da vida o que tu própria não te dás? Olha, rapariga, devias ouvir mais a minha voz. Estou farta de te dar lições, será que é tão difícil aprenderes? Eu até acredito que és inteligente, aprendeste muito bem na escola, caem-te muito bem as palavras à-la-crème-de-la-crème sem perderes a delicadeza de gostares das minhas, caseiras, simplórias, às vezes ázimas (que se me esquece sempre de comprar fermento), cozidas em forno de pedra e às três pancadas (ou mais!).

Mas dizia eu que devias dar-me um bocadinho mais de crédito. Ouvir os meus conselhos. Lembrar-te das águas passadas que, apesar de já não moverem moinhos, guardam a memória do trigo e do suor do moleiro. Às vezes, quando calha, até do sangue do moleiro. Parece impossível, tu, sempre tão esperta para aprender teorias e tão burra para as por a bulir! Corrigir-te, digo eu. Olha que vale mais quebrar que torcer! Mas já não vais lá. Eu sei, estás fraquinha de forças, os danos já são irreversíveis. Não é brincadeira, toda a tua vida deixaste-te minar por maleitas, sem ires ao doutor, agora, olha… Ó rapariga, pronto, não ias ao doutor, ias à bruxa, caraças! Principalmente assentavas bem o que eu te digo, cadernos não te faltam, que andas sempre por aí a escrevinhar pelos cantos! E até acho que escreves bem, lês ainda melhor; o que te falta é saber ouvir-me. É que não dá para entender, valha-me Deus!

Ai, não venhas agora tu pedir-me que pare de te azucrinar. Trata do corpo e da memória, rapariga! E não me venhas com essa que se não morresses da doença, morrerias da cura! - olha, e achas que tu ainda estás viva? Sei lá, às vezes duvido. Não é que eu ache que pena te ajude em nada; penas têm as galinhas. Mas, pronto, às vezes tenho pena de ti.

Tanto te aconteço, tanto te moo o juízo, tanto te trago à lembrança golpes sem perdão, palavras vãs e promessas de lobo disfarçado de cordeiro. Já era tempo de emendares a tua fé e remendares o teu hábito. Ou, como quem diz, mandares às favas quem te não merece.

Olha que é a experiência que to diz, pau que nasce torto jamais endireita!

...

Vá, serve-te de mais umas palavrinhas.

Pronto, deixa lá, vá... Amanhã a ver se faço uma receita nova, com mais açúcar, e a ver se não as deixo esturricar.”.

 

Teresa Teixeira

 

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13.1.17

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Foto: New-Year - WSilva

 

“Como vai ser o teu Natal? E, planos, para a passagem do ano? Tens de ter uma passagem de ano inesquecível! Tens de fazer coisas malucas e entrar com o pé direito no novo ano, a ver se a coisa corre bem.” Ah, os meus amigos, preocupados, esperançosos, depois de um ano particularmente difícil, desejando que eu passasse as festividades num processo de purga e renascimento. Algures ali entre Pompeia e Sodoma e Gomorra. Recebi mil dicas, mil maneiras diferentes de sair de um ano e entrar no outro, para garantir tudo de bom nesse recomeço no calendário. Todas, claro, com a garantia pessoal de sucesso, relatadas na primeira pessoa. “Não sei se funciona contigo mas, olha, comigo, desde que comecei a fazer isto, a minha vida mudou. Completamente. Nunca mais tive um ano de azar. Experimenta, não perdes nada.” Ou, “Anda, vai estar muita gente! Tens é de entrar no novo ano a conhecer malta nova, falar horas a fio, beber e comer, dançar muito, mesmo que não te apeteça. Estar ocupada, é isso, tens de estar ocupada.” Ou ainda, “O meu ritual? Coisinha simples de executar: pões-te em cima de uma cadeira Luís XV, levantas o braço direito a 65º, o esquerdo balanceia suavemente, enquanto o relógio faz a contagem decrescente. A faltar cinquenta e sete segundos para o final do ano, penduras um archote entre o mindinho e o anelar da mão esquerda, suspendes a perna direita em mariposa e cantas uma musiquinha, que te vou cantar a seguir. A bater a meia-noite, com a mão direita, comes as passas, abres o champanhe com toda a classe e desces da cadeira como se o mundo fosse teu, sem nunca largar o archote. E assim se tem um grande ano! É garantido. Fala-te a voz da experiência.” Pois… Talvez. Só vos digo que passei a admirar ainda mais as pessoas: elas sobrevivem a rituais incríveis, ano após ano, em busca da harmonia, do amor, da esperança, da prosperidade, dignos dos maiores acrobatas do planeta.

Passadas as festividades, escrevi, finalmente, aos meus amigos da alma, um texto comum, relatando a minha entrada neste novo ano:

 

“Meus queridos amigos, o Natal foi um momento de verdadeira partilha, tranquilo e com muito amor. Passei-o com parte da família, com serenidade, com mais alegria pelas presenças à mesa do que tristeza pelas ausências. Feito o balanço, agradeci cada um desses sentimentos, pela paz com que nos brindaram.

A passagem do ano, bom, foi diferente de todas as que já tive na vida. Não fiquem tristes por não a ter passado convosco, apesar dos vários convites que gentilmente me fizeram. Teria sido maravilhoso, estou certa disso, mas este ano, passei-a com alguém também muito especial. Sei que ficarão curiosos mas ainda é cedo para vos contar tudo. Estou a conhecer alguém novo, esperem, corrijo: não é alguém novo mas que vejo agora, pela primeira vez, com “olhos de ver”. Alguém em quem eu nunca tinha reparado devidamente ou dado grande importância, mas que agora sinto, intensamente, debaixo da pele. Parece que foi tudo muito repentino mas, na verdade, já sentia as suas raízes em mim há algum tempo. A terminar o ano, apeteceu-me muito abraçar essa pessoa, cozinhar para ela, partilhar com ela cada minuto daquela noite, mimá-la e escutá-la, de dentro para fora. Que pessoa tão bonita! Como não havia reparado nela antes?

Amigos, não tenho ainda um relato longo para vos fazer mas que se tranquilize o vosso coração: estou bem, feliz e em paz. Entrei em 2017 na melhor das companhias, grata, profundamente grata por um momento verdadeiramente mágico que me encheu de amor e de esperança. E, sim, estou a apaixonar-me perdidamente por esta pessoa. Algo me diz que pode ser a maior das bênçãos: parece ter vindo para ficar.

Gratidão, também a vós, pelo vosso carinho e pela partilha das vossas experiências. Sei que o fizeram de coração, mas permitam-me que vos fale do meu coração. Diz-me a minha experiência que nem sempre as multidões nos fazem esquecer o que dói, nem sempre permitem distrações suficientes para fingirmos que está tudo bem nas nossas vidas e anestesiarmos os sentidos. Fujo dessas multidões como o diabo da cruz: nunca me senti tão só como no meio de muitos outros. Odeio a solidão acompanhada. Odeio quem me lembra que sentir-me só não é, nunca foi, estar só: é estar vazia.

Este ano quero entregar-me, sem medo, a esta pessoa. Quero conhecê-la sem mais delongas. O meu sonho? Gostava que ela se sentisse verdadeiramente amada por mim, tão protegida, tão forte, quanto alguém se possa sentir. Conto com os dias menos fáceis também, com as fragilidades humanas que nos levam a magoar quem mais amamos, mas sei que a quero mais do que alguma vez quis alguém. E, pasmem, descubro agora que ela sempre me esperou. Todos os dias de todos os anos, vividos e por viver. Sem exceção.

Façam figas por mim, amigos, e prometo que, muito em breve, vos ponho a par dos pormenores da maior história de amor da minha vida.”.

 

Escrevi tudo isto aos meus Amigos e pretendia enviá-lo mas, diz-me também a experiência, que talvez deva guardar para mim, um pouco mais, esta história. Afinal, quem vai realmente entender que passei o Réveillon, feliz, plena, comigo própria?

 

Alexandra Vaz

 

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11.1.17

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Foto: Microphone - Unsplash

 

Chegado aqui, com tanta coisa vista, feita, falhada, falada, ouvida, repetida…, chegado aqui, como dizia o outro, o que fazer? Nada? Está tudo feito, dito, visto? Entrámos em modo permanente de déjà vu?

Com tantos amores e desamores, com inícios e fins, esperanças e desesperos, repetidamente tanto que era e agora já não é, expetativas e desilusões, com a memória tão preenchida, como é que posso ser ingénuo (também é bom), intuir além de deduzir? Como estar disponível para me iludir, entusiasmar-me? Ainda posso improvisar?

 

Felizmente a memória falha, mesmo somando a consciente com a, digamos, inconsciente. A sabedoria acumulada pela experiência está lá (cá), mas deixa lugar à inovação, ao entusiasmo repetido e renovado, à recriação.

Nunca nada é absolutamente igual, as circunstâncias não se repetem (mesmo que tal fosse possível, eu próprio já estou diferente, noutro “sítio”, com outro enfoque, outro olhar). A experiência enquadra-nos, põe-nos em perspetiva, permite-nos perceber o que foi e estar desperto e mais aberto e disponível para o que há de novo.

 

Humano que sou, experiente de anos passados e vividos que sou, tenho assim o privilégio de melhor poder improvisar, inovar, criar de acordo com as circunstâncias, o momento! Adaptar o modo.

Mesmo quando estamos reduzidos a algo quase que meramente mecânico, há que fazer: 1, 2, 3 – Experiência!

Uma e outra vez. Sempre!

Nada está adquirido, totalmente.

 

Jorge Saraiva

 

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9.1.17

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Foto: The Adventures Of Tintin – Benny1900

 

Esta é uma história de vida, uma amarga, mas salutar experiência vivida por duas crianças, na sua meninice, na zona histórica da cidade do Porto. Nessa experiência são protagonistas dois irmãos, com as idades de apenas 8 e 6 anos.

 

O mais velho, João Pedro, era ativamente irreverente, sonhador mas já com enorme gosto pelos livros, especialmente pela leitura de qualquer texto que o fizesse sonhar e imaginar. Fascinava-o tudo o que fosse de leitura, pois nela se deleitava e dava largas à sua fantasia. O mais novo, Pedro João, que o acompanhava nessa propensão para a leitura era, porém, menos irreverente, mais pacato e comedido. O mais velho estava sempre à frente nas ações a empreender nas suas brincadeiras de criança e era sempre ele que tomava a iniciativa, talvez por ter mais “rasgo”, ser mais audaz na prática dos atos mais temerários. Por isso, com frequência se magoava nas pernas e nos braços, resultante do ardor das brincadeiras em que participava com outras crianças. Dir-se-ia ser normal andar com escoriações naquelas partes do seu corpo. A sua irreverência afligia e preocupava muito os seus pais por terem um filho tão rebelde e temerário nas suas brincadeiras de criança, mais por recearem que ele se magoasse ou magoasse alguém com gravidade. Normalmente, para onde ia um irmão, ia o outro. Calcorreavam juntos as artérias da cidade, nas proximidades da sua residência, já que não deviam afastar-se muito da sua casa de família para não incorrerem em desobediência aos pais.

 

Certo dia, à tardinha, numa das suas digressões pelas ruas da cidade, ao passarem junto da porta de um armazém de recolha de pano e papel velhos (conhecido vulgarmente por farrapeiro), repararam que na soleira se encontravam espalhadas algumas folhas velhas de um livro de banda desenhada da conhecida coleção “Tintin”. O João Pedro, ao reparar nessas folhas, não se conteve, não quis perder a ocasião de ficar com algo tão importante para si, para se deleitar com a sua leitura, que julgava não terem qualquer valor senão para si. O João Pedro abeirou-se, então, da porta do estabelecimento e, sorrateira e disfarçadamente, sempre acompanhado pelo seu irmão a curta distância, pegou num pequeno monte dessas folhas. Ato contínuo, porém, já quando o João Pedro ia prosseguir o seu caminho tentando escapulir-se, seguido de perto pelo irmão, foi autenticamente sacudido pelo farrapeiro que o perseguiu e, sem mais, lhe arrancou todas as folhas das suas mãos. O João Pedro ficou estupefato pela atitude inusitada e inopinada do homem, mais até pelo valor que este terá dado àquelas meras folhas que não passavam de papel velho. Mas logo pensou: “se calhar teria sido preferível pedir-lhe as folhas do que ter tentado apropriar-me delas; o farrapeiro terá considerado abusivo pegar nas folhas sem a sua permissão”. Os meninos regressaram a casa já ao final do dia, convencido o João Pedro que tudo aquilo não passara de um mero incidente e que o mesmo estaria sanado.

 

Só que, quando o pai chegou a casa regressado do seu trabalho, o irmão mais novo resolveu não ficar calado e contar tudo o que se passara com o irmão mais velho. O pai, ao ouvir o relatado pelo filho mais novo, ficou fora de si, furioso e sem conter a sua indignação, esbofeteou severamente o João Pedro que já nem jantou e foi deitar-se. Na cama, refletiu sobre tudo o que se passara naquele dia. Sentia-se arrependido pelo ato praticado, mas achou demasiado pesado o castigo que lhe fora infligido pelo pai; mais por este não o ter ouvido. Mas perdoou-lhe aquele excessivo castigo que, afinal, segundo crê, apenas visou cortar, desde logo, cerce, qualquer inclinação do seu filho para a prática de atos ilícitos e reprováveis. Foi esta uma triste experiência que o João Pedro viveu um dia na sua infância; mais tarde, porém, acabou por reconhecer ter sido uma grande lição de vida.

 

José Azevedo

 

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6.1.17

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Foto: Adult – Sasin Tipchai

 

Por mais que tente não consigo…

Não consigo prever tudo mesmo que tenha passado por certas situações vezes sem conta. Há sempre algo novo, alguém que deixa a sua marca e muda tudo o que eu tinha previsto.

A experiência de viver tem-me ensinado que a experiência que temos serve para sabermos lidar com imprevistos. Dá-nos cada vez mais ferramentas para o que der e vier. A minha mala de ferramentas está repleta de peças para boas e más situações da vida. Vivo sempre a pensar que o dia que começou é uma nova experiência que tenho que vivê-la ao máximo e da melhor forma que conseguir. Não penso que tudo sei porque já passei por aquilo ou porque li sobre isso ou porque sei de alguém que já viveu algo semelhante. Muito menos penso que aquilo só me acontece a mim por isso “Eu é que sei...”. Pego sim nesses conhecimentos e tento ultrapassar o que a nova experiência me traz.

Pela minha vida, e tendo isso agora como linha orientadora, sei que o que vivi é muito diferente daquilo que irei viver e só posso controlar uma coisa: o momento. Essa ferramenta eu tenho comigo, o controlo do momento. Faço-o antes, durante e depois desse momento, mas a verdade é que só no próprio instante é que o controlo é feito. Quer seja porque a preparação que fiz bateu certo com o previsto, quer porque toda a ponderação vai por água abaixo e tenho sempre planos B, C, D, … Depois dele acontecer, guardo bem essa experiência na minha mala e sigo viagem sem lamúrias, pois essas, não me fazem falta para novos momentos.

 

Sónia Abrantes

 

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4.1.17

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Foto: Writer – Yerson Retamal

 

Diz-me a experiência que se o momento não é de inspiração não devo insistir em pôr cá fora o que não tenho e que o teclado tão pouco me pode dar. Insistir na ideia de comunicar quando não tenho nada para dizer, também me diz a experiência que não é muito sábio porque o mais certo é ninguém ler. E a experiência é isto mesmo, capacidade de prevenir, tendo por base um conhecimento que advém da recolha de informações vindas do exterior.

Se o que acontece à minha volta não acontece simplesmente, mas é consequente e deixo que me aconteça e me toque, estou a experienciar, significando isso que estou a armazenar conhecimentos. O que eu fizer com esses conhecimentos fará de mim uma pessoa sábia, ou não. A esta altura, pela experiência e pela sabedoria que provavelmente não tenho, eu já deveria ter desistido de escrever sobre o tema, porém, e porque entendo que a experiência não pode ser sempre uma desculpa para os seres de pouca imaginação, e inibidora da criatividade, ainda aqui me mantenho a tecer considerações sobre o tema. E, se a esta altura tu ainda me lês, então a experiência é uma forma de conhecimento, mas sem grande precisão e assertividade.

 

Cidália Carvalho

 

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2.1.17

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Foto: Women – Sergey Klimkin

 

Eu prefiro falar de experiências de cada um. Entendo como fundamental compreender como a pessoa vivencia as experiências, ou seja, a sua verdade das coisas. Inspirei-me um dia quando li Pio Abreu (1997, p. 15) que a determinada altura, afirma que “Para entender o doente (ou outra pessoa) não importa a realidade objetiva, as coisas em si que ele vive e percebe, mas o modo como ele as vivencia, a sua vivência das coisas, a sua verdade sobre o mundo”. Embora ligada à saúde, e de forma particular à saúde mental, aproveitei as palavras colocadas entre parênteses “ou outra pessoa”, de modo a tentar aplicar esta ideia ao(s) meu(s) viver(es). De facto, quando se procura alguém para se falar de um qualquer assunto, (de uma experiência), o que conforta mesmo é que aquilo que se sente, a sua verdade subjacente, seja compreendido nesse encontro.

As experiências são permeáveis a (micro)mundos morais, a (micro)mundos económicos, a (micro)mundos afetivos, a (micro)mundos relacionais e outros (micro)mundos e, por isso, o paradigma compreensivo é aquele que mais informação nos permite obter dessas experiências. Arrisco dizer que no(s) nosso(s) viver(es) essa compreensão só é possível se estivermos atentos a tudo o que nos é fornecido pelo outro, e esta forma de atenção exige habilidade pessoal e clínica. Nesta perspetiva, quando se trata de experiências de doença (às vezes da mesma doença), parece ser importante, investigar que pessoa a doença tem e, nem tanto, que doença a pessoa tem. Compreenderemos melhor aquela pessoa com a sua doença? Não foi intencional escrever sobre doença, mas o pensamento levou-me aqui…

 

Ermelinda Macedo

 

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23.12.16

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Foto: Tub – Domenico Mattei

 

Ter ou não esperança depende de cada pessoa, do seu momento e do estado em que se encontra. Esperança no sentido de que acredita que aquilo que deseja seja atingido com mais ou menos dose de fé. Ter esperança é crer ser possível atingir um desígnio, um objetivo, uma meta. Portanto, ter esperança parte sempre da crença emocional na possibilidade de se concretizar determinados sonhos ou de conseguir determinados fins.

Ter esperança é ter um ato de fé nos propósitos e nas intenções. É acreditar em si próprio e nos seus talentos, acomodados por uma boa dose de esforços pessoais. Ter esperança é não desanimar ao primeiro sinal de frustração de expetativas; é não atirar a toalha ao chão à menor dificuldade; é não abdicar do objetivo à primeira contrariedade. Ter esperança exige perseverança, exige convicção, exige autoestima, exige lutar por algo que se deseja. Ter esperança é ter trabalho, esforço e dedicação a uma causa. É estar cheio de emoções, sensações e energias positivas. É acreditar em si próprio, no seu trabalho, no seu esforço, na sua dedicação, na sua utopia.

 

Nos dias que correm, fala-se pouco da palavra esperança. Vivem-se tempos de desconfiança, no próprio e no próximo, vive-se para dentro de si próprio, fechado no seu ninho, no seu mundo. O homem não é uma ilha. Por tal, perante a insensibilidade e falta de caridade que se semeia, dever-se-ia propalar os valores da solidariedade, da amizade, da compreensão, da paz.

No combate à guerra, à fome, à miséria, à violência, quem de direito deveria usar todos os meios no sentido de dar esperança a quem daqueles males sofre. Ter esperança é ter a coragem de remar contra a maré, é ajudar sem receber nada em troca, é defender os indefesos, é fazer com que aconteça.

Ter esperança é viver e fazer viver.

 

Fernando Lima

 

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21.12.16

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Foto: Fractal - Enrique Meseguer

 

A esperança é um desígnio referente a um estado ou evento positivo dentre vários cenários possíveis de uma atividade, sustentada pela fé depositada em Deus, no propósito altruísta que orienta a longo prazo, na equipe e/ou rede de parceiros associados ao projeto, na capacidade criativa e críticas, no valor do próprio produto, nos impactos sociais e ambientais do projeto, nas sinergias que podem ser geradas com a sua implementação, no estágio de evolução e maturação da envolvente que se pertence, enfim, na energia que é gerada pela combinação destes diferentes stakeholders e desideratos.

Como o Wikipedia refere, justamente para condizer com o postulado anterior, corrente elétrica “é o fluxo ordenado de partículas portadoras de carga elétrica, ou também, é o deslocamento de cargas dentro de um condutor quando existe uma diferença de potencial elétrico entre as extremidades. Tal deslocamento procura restabelecer o equilíbrio desfeito pela ação de um campo elétrico ou outros meios como reação química, luz, atrito, etc.”.

A compreensão desta lógica sugere uma gestão cuidadosa do esforço físico e mental, e em último da saúde, admitindo que não se pode e nem é necessário saber tudo. Deve-se, sobretudo, concentrar no core para perceber o processo e permitir que os outros se encarreguem de executar as suas especialidades, e posteriormente a coordenação encarregar-se-á de juntar as pontas.

 

O propósito, como prolongamento e interpretação da fé que reside no seu interior, é a maior fonte de poder, sendo uma dádiva do Todo Poderoso precisa ser protegido, tratado, cuidado e acarinhado para que o compromisso seja renovado, e continue a merecer a confiança. Diria que é um bem económico, sujeito a desgaste dependendo da forma e o respeito que formos a utilizar, pois, acima de tudo não se pode perder a humildade e empatia com o próximo e nem passar de vítima a agressor contra qualquer espécie ou a natureza em si. As boas práticas sugerem que, decorrente de um uso responsável e sustentável, permite-se defender dos agressores somente em casos extremos ou então para impedir que os mais fragilizados sejam vitimados, evitando assim holocausto ou canibalismo a olho nu.

 

A esperança é assim positividade, diferentemente do pessimismo, augura sempre um melhor resultado da confiança que depositamos nas nossas ações, na expetativa que sejam capitalizadas e geradoras de rendimentos que compensem o risco outrora assumido.

Para Augusto Comte, filósofo a quem se atribui a autoria do termo positivismo e um dos principais percursores dessa doutrina, a busca pelo conhecimento positivo constitui a principal forma de construção do conhecimento, por via da observação e registo dos fenómenos em seu contexto físico, palpável, ao alcance dos nossos sentidos e submetidos a experiência.

Esperança é, em última análise, uma questão de gestão de risco, que segundo modelos cientificamente comprovados, o risco específico ou diversificável pode ser reduzido com a constituição de uma carteira com ativos distintos representativos de indústrias sujeitas a sazonalidades e ciclos operacionais distintos.

 

António Sendi

 

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19.12.16

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Foto: Refugee - Hassan T.

 

 “A esperança seria a maior das forças humanas, se não existisse o desespero.”

Victor Hugo

 

“Em todas as lágrimas há uma esperança.”

Simone de Beauvoir

 

A. partiu daquela pequena cidade, num país, num continente desta Terra onde as guerras se vão sucedendo por necessidade de afirmação de uns, para o enriquecimento de outros, por insanidade de alguns, para o desespero de quase todos. Levou consigo tudo o que lhe restou: B., o filho de 16 anos, C., a filha de 14 anos, e D., o cão de C., inseparáveis.

E., a sua esposa, não partiu; ficou para sempre naquela terra por eles outrora bendita, amada e trabalhada, agora maldita, odiada e abandonada. Foi trespassada por uma bala que lhe violou o corpo, num trajeto impiedoso que lhe feriu o peito de morte.

Partir era a única hipótese para a sobrevivência. Percorreram centenas de quilómetros, quase todos contados a passo. O percurso entre o desespero e a esperança era conseguido nas lágrimas que inundavam os olhos e que escorriam nos rostos.

Conseguiram chegar a uma aldeia, de um qualquer país, de uma união europeia que acreditavam rica e próspera, humana e recetiva, bondosa e compassiva. Encontraram isso, mas também o seu contrário em alguns olhos, em alguns rostos, em alguns gestos, em algumas palavras nas quais reconheceram o medo, transformado em ódio, que tinham aprendido na sua pequena cidade de onde fugiam.

Estão à espera, não sabem bem do quê. O desespero continua-lhes preso à pele, colado pelo lado de dentro. As lágrimas, essas, continuam a ser derramadas, continuam a ser o percurso interior para o seu precário equilíbrio, para a esperança.

 

Fernando Couto

 

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16.12.16

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Foto: new-years-day - Stefan Schweihofer

 

Ter esperança é algo bom, mas para uma pessoa ansiosa como eu, traz alguma melancolia. Acreditei sempre que, como já dizia Geraldo Vandré: “Quem sabe faz a hora e não espera acontecer”. Mas com o passar dos anos, vamos aprendendo que muitas coisas dependem mesmo da gente, e é correr atrás. Outras, fazemos a nossa parte, mas nem sempre depende somente de nós. Por isso ter esperança é de alguma forma aceitar que determinadas coisas estão fora do nosso alcance; então só resta esperar que tudo corra bem. O ano está acabando e não há momento em que renovamos as nossas esperanças como no início de um novo ano. Muitas vezes nos vemos sem motivos para acreditar que algo possa mudar e que tudo não passa de festejos para vender presentes. Mas todo recomeço é uma nova oportunidade de fazer algo diferente, ou de observar de forma diferente um velho conhecido. Confesso que não é muito fácil para mim ser muito otimista como o ser humano moderno, mas ainda há aqueles poucos que nos surpreendem e é ai que surge a esperança de que as coisas possam mudar. Tento contribuir de alguma forma para que essas mudanças aconteçam.

Eu tenho esperança que 2017 seja um ano melhor que 2016. Espero que:

  • Tenhamos menos animais abandonados e que cada vez mais os animais sejam tratados com dignidade e não como produtos;
  • Que os pais e mães de família que procuram, encontrem trabalho e possam cuidar dos seus filhos;
  • Que os idosos sejam assistidos e que não sejam negligenciados;
  • Que haja menos terrorismo e mais respeito à liberdade.

 

Leticia Silva

 

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14.12.16

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 Foto: Man – Leandro de Carvalho

 

Ele escrevia num dos piores momentos da sua vida. Da vida deles. Quando a porta da frente se fechou ele caiu. Caiu num chão frio e num buraco do qual parecia não conseguir sair. As tábuas magoavam-no e as pernas estavam sem circulação. Mas não queria levantar-se. Mas não conseguia levantar-se. Ainda escreveu no telefone para um amigo ir lá a casa. Não chegou a enviar a mensagem. Acho que não sabia o que dizer-lhe ou então teve vergonha. Sim, daquela que o constituía como cobarde, como há pouco ela o acusou de ser.

 

Doía-lhe tudo… Doía-lhe a cara de tanto chorar, doía-lhe o peito de tanto e com tanta força respirar, mas o que lhe doía mais era ver finalmente no que ele a tornou. Angustiava-o perceber, finalmente, que a ruína de parte do âmago dela teve dedo seu. Não lhe importava mais quem tinha as culpas, seja do que for. Não lhe importava que ela o insultasse e que fizesse dele alguém mesmo mau. Merecia-o, merecia tudo, qualquer castigo que lhe viesse pela frente.

Corroía-lhe algo que não conseguia identificar, apenas sabia que habitava no seu peito. Percebia que algo quebrou. Pensava em magoar-se. Fazer como já fez anteriormente. Um gume afiado, o fio escarlate a correr para o chão. Na verdade, talvez a única coisa que o impedia de repetir vil ato era a lembrança do estado dela, quando o foi buscar às urgências, da última vez. Sentia-se um fraco. Voltou a pensar em ligar a alguém, mas colocou impedimentos a todos de quem se lembrava. Ninguém iria entender o que sentia.

Nos intervalos do choro secavam-se-lhe os olhos. A visão turvava e algumas teclas tornavam-se indistintas. É incrível como conseguimos perceber trivialidades em momentos como este. Parece que o cérebro se ocupa em autodistrair-se para não te autodestruíres. Autodestruição. Sim, se calhar tinha sido o caminho que tinha percorrido sem o escolher. E tendo-a arrastado consigo. Disse-lhe, antes de ela sair de casa, que aceitava tudo o que quisesse, divórcio incluído. Ele tem noção que terá de cumprir pena. Questionou-se se o que irá fazer nos próximos tempos, a ele mesmo, será suficiente.

Sim, porque bem se conhecia. A autocomiseração irá ser o seu farol. A tristeza também. Tudo aquilo que ele tinha feito, pensava, trazer-lhes-ia felicidade. Todos os gestos, os discursos, os comportamentos. Jurava, de coração, que pensava agir bem. “Lida com tudo, mas em partes de cada vez”. Sabia que não estava bem e, ao admitir frequentemente tal, acreditava ser suficiente para domar o que estava a florescer. Ciúmes. A merda dos ciúmes… Como pôde ele duvidar dela e não perceber o quanto errado isso era? Como pôde ele não perceber tanta coisa?

Ele sabe como. Pensava ser mais forte do que era. De saber já muito da vida. Mas ninguém sabe. Em certa medida somos sempre crianças indefesas, rodeadas de dúvidas e medos. As rugas e as costas curvadas ajudam a disfarçar.

 

As lágrimas voltaram a lembrar-lhe do motivo do texto. Continuava no chão, computador no colo. Obra do destino, ele estava ali. À distância de um braço, quase já sabendo que poderia substituir o aço. Escrever era, em certa medida, aplicar golpes profundos em si. Que merdas! Que traste! Não se trata apenas de ter magoado a pessoa mais importante para si. Mais uma vez, trata-se de a ter transformado em algo mais sombrio do que quando a conheceu. Pede perdão ao teu anjo. Nem que seja pela milionésima vez. E não lhe prometas nada de nada! Tem apenas a humilde esperança de conseguires fazê-la voltar ao seu melhor.

 

Rui Duarte

 

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12.12.16

Angel-Myriam.jpg

Foto: Angel - Myriam

 

“Nesta noite negra e chuvosa de 20 de dezembro de 2009, deslindei o verdadeiro cerne do meu ódio: não, não odeio o Natal, pior, odeio-te é a ti.

Odeio as pessoas e as suas palmadinhas nas costas com olhar quase piedoso a imaginar como devo sentir a tua falta nesta altura. Mas são burras ou quê? Eu sinto a tua falta 365 dias por ano com a mesma faca espetada no ventre. Odeio este meu sorrisinho irónico que lhes devolvo, como se tivesse uma tira de fita-cola em cada face e como se fosse uma mulher de força. Não sou nada disso.

Não fiques chocado por dizer que é a ti que odeio, amor. Odeio que me tenhas ensinado a gostar do Natal (lembras-te das minhas “reservas”), que tenhas estimulado o espírito de união e de família, e agora não estejas aqui. União com quem, se me faltas tu? Nem te atrevas a dizer que sou injusta. Talvez, mas deixa-me destilar o vinagre à vontade.

Odeio que agora os nossos amigos não se encantem com o “pais do Natal” que era a  nossa casa. Odeio as músicas de Natal porque não estás aqui para eu te inundar a casa com elas até à exaustão da tua paciência. Odeio que não estejas ao pé de mim para gozarmos com as parolices do Natal dos Hospitais e sucedâneos.

Odeio não ter que te comprar presentes de Natal e não ver o teu ar de menino deslumbrado na hora de abrir os meus presentes.

Odeio este meu pavor que as nossas lembranças se tornem baças com o correr dos tempos, porque odeio que Daí, talvez já te tenhas esquecido de mim.”.

 

Era habitual Maria Antónia encontrar, entre os seus pertences, papéis com cartas e rascunhos de poemas, mas desta vez encontrara algo que não mais lera depois que o escreveu, talvez por doer demais.

Era uma tarde solarenga de início de dezembro, em que a agitação reinava pela casa, sobretudo pela sala, onde os seus rapazes tentavam montar a árvore de Natal. Olhou-os embevecida. Aos poucos iam construindo os três uma família, e o seu rapazinho mais pequeno já não largava o homem que nos últimos anos a tinha ajudado a criá-lo. Era um trabalho em crescendo, como gostavam de dizer.

Ao mesmo tempo, Maria Antónia recordou com dor a amargura do momento em que, movida entre raiva, tristeza e uma solidão desmedida, agarrou num papel – naquele papel - e derramou aquelas palavras. Recordou também o primeiro Natal depois que ficara viúva e que decidira passar sozinha, com um bebé de meses ao colo, para não chorar. Lembrava-se dos sons que vinham das casas dos vizinhos que recebiam as suas famílias e até do cheiro a canela que povoava todo o prédio.

Foi então que agarrou numa caneta e apressou-se a escrever no mesmo papel:

 

Meu Amor,

Peço que não leias mais a carta do verso desta folha. Dói.

Neste momento, ouve-se o “White Christmas” e faz-se a árvore de Natal. Está uma montanha de presentes ao canto da sala por embrulhar e estou a experimentar uma receita de sonhos de abóbora.

Este ano a casa vai encher-se com toda a nossa família e até tivemos que comprar uma árvore de Natal mais pequena! Nem sequer vamos poder montar o presépio grande na sala. Já imaginaste? Eu a receber cá em casa tanta gente? Quem diria… Estamos em pulgas!!! Para mim é uma minha oportunidade (muito aquém) de agradecer por tudo aquilo que fizeram por mim e pelo nosso pequeno desde que ficámos sem ti: amor sem limites, proteção, compreensão, sorrisos e colo, muito colo…

Com o passar do tempo, o amor voltou à minha vida. É um homem maravilhoso que descongelou este meu coração petrificado pela tua ausência e com a dose certa de tranquilidade e racionalidade que contrasta com este meu espírito imprevisível e hiperativo. É com muito carinho que te digo que o amo profundamente e cada vez é mais importante na vida do nosso filho. Juntos tentamos fazer o melhor para o criar e fazer dele um homem feliz e de bem.

Com o amor voltou a esperança ao meu coração e a felicidade de partilhar, não só a minha vida, mas também o crescimento do nosso menino.

Obrigada não só pelo teu eterno brilho, porque eu sei que intercedes em todas as coisas boas que acontecem na nossa vida, mas porque um dia me ensinaste a gostar do Natal: disseste que o Natal é a época mais bonita do ano porque era altura em que todas as pessoas se podiam aventurar a sentir esperança e bondade. E tu foste o meu maior exemplo de esperança e bondade.

PS – Ah! E eu sei que nunca te esqueces de mim.”.

 

É certo que o verde é a cor da esperança mas, naquele momento, tudo o que Maria Antónia viu foi uma imensidão de branco povoar-lhe a alma. E foi para junto dos seus rapazes atiçá-los, tirando as bolas que eles já haviam colocado na árvore.

 

Ana Bessa Martins

 

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9.12.16

Dog-Petra.jpg

 Foto: Dog - Petra

 

Acordei virada do avesso: pronto, já percebi porque dormi mal, com as costuras do pijama a magoarem-me a pele de princesa(-faz-de-conta). A nesga da manhã que eu vejo da minha cama rasteira, hoje cinzenta e carrancuda, abriu-se num risinho sarcástico de sol – “quem te manda ir para a cama tarde e a más horas, já sem saber se é sono ou desleixo, essa tua mania de não virares o pijama do direito quando o vestes?”.

A nesga da manhã, o ronronar do dia, a vida que é tarde, o desalento que é sempre. E o aperto no peito, que não quero chamar angústia. A entrega. A entrega, essa companheira maldita, que me reduz à paralisia do corpo e me seduz com o voo da alma.

NÃO! – repito-me, enquanto o motor do universo lá fora tenta adormecer-me de novo, como que esmagando-me, como que tolhendo-me, como que aliciando-me com mais um minuto, uma hora, uma manhã, um dia, uma eternidade. Que eu sei, eu sei, são só ilusões que tomo com o copo de água que não bebo, ao acordar.

O meu bichinho de estimação remexe-se algures, pelo quarto, talvez não-incomodado com as não-costuras da sua cama rasteira. Não-costuras. Que sorte a dele, não viver condicionado por costuras e pijamas, e asfixiado por minutos, horas, manhãs, tardes, dias – eternidades.

 

Que sorte a tua, Kookie, por viveres aprisionado num espaço confortável e seguro, e numa vidinha de pequenas exigências: uma festinha de vez em quando, um olhar cúmplice quando te entendo, um passeio na erva molhada, uma corrida sem trela no hall do prédio, e os poemas que escreves no ar, com a tua cauda felpuda e sempre inspirada.

Vens até à minha cabeceira buscar o teu primeiro mimo, reclamando-o meigamente com a tua patinha-de-lã quase carícia, e tentas alcançar-me, com o narizinho ávido de cheiros, de respostas, de ar, principalmente do que me cerca. E entregas-te, no reconsolo simples da minha mão displicente e lenta. Encostas a cabecita na beirinha da minha cama, contentando-te com o meu toque leve e o meu olhar fundo e a tua expressão é mais que gratidão, é mais que plenitude, é mais que confiança, é quase Amor. Doce – fecho também os meus olhos – “como é doce essa segurança de te ter: aveludado e morno, atento e disponível, feliz e sem cobranças.”.

 

De repente, uma verdade de fundo magoa-me as pálpebras e obriga-me a abrir os olhos, como se uma força física me estivesse a apertar, em círculo de poder esmigalhante e, ao mesmo tempo, reconstituinte e reconstrutor:

“E se eu NÃO te tivesse, meu companheirinho de pelo demasiado, e carinho nunca em excesso?”.

“E se eu NÃO tivesse um pijama, de costuras tão avessas e um aconchego nunca agradecido?”.

“E se eu NÃO tivesse uma manhã para me acordar, birrenta e cinzenta, mas tão garantidamente atestada pelo ronronar da vida lá fora?”.

“E se eu NÃO sentisse esta angústia que é desalento, mas tão nítida e humanamente aberta aos estímulos, às sensações, à voz interior que me diz: ‘levanta-te!’?

‘E se tu NÃO pudesses...?’

‘E se tu NÃO fosses...?’

‘E se eu NÃO...?’

Olho de novo o meu cãozinho, ainda ali, amparando-me a raiz de uma pequena força, algures nas profundezas do meu ânimo. E vejo-A, nitidamente, nos olhos dele – a ESPERANÇA não é verde, não é palavra, não é lato conceito – neste momento, é apenas uma luzinha de cor indefinida, bailando trémula nos olhos do meu animalzinho de estimação.

Sorrio, quase sem querer, embrulho-me em mim mesma, num gesto intuitivo de reconforto, puxo o Kookie para cima da cama, e ficamos os dois, saboreando a proximidade dócil da ternura e do amor incondicional – a Vida é um colo. Um castigo, às vezes, mas sempre MÃE.

E permite-nos sempre a Esperança, sim - que se lixe o pelo nos lençóis!

 

Teresa Teixeira

 

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7.12.16

Earthquake-AngeloGiordano.jpg

 Foto: Earthquake – Angelo Giordano

 

A dor lancinante que lhe subia pela perna despertou-a da morte iminente. Não conseguia distinguir se tinha os olhos abertos ou fechados, tamanha era a escuridão.

Demorou a perceber o que lhe estava a acontecer. Minutos antes, estava sentada a estudar na mesa da sala quando um ronco profundo e seco soou da terra e tudo tremeu violentamente. Refugiou-se debaixo da mesa, tal como tinha aprendido na escola, para estas situações de emergência. Dificilmente conseguia mexer-se debaixo dos escombros, tinha um pé preso, já anestesiado pela dormência que tomou o lugar da dor. Assustada, chamou pela mãe que estava na cozinha momentos antes, gritou por socorro, mas a negritude apenas lhe devolveu o silêncio de morte. Aterrorizada com a sua sorte, tentou manter-se calma, não entrar em pânico, esforçou-se por ocupar os seus pensamentos com as boas memórias da sua vida, com os pais, os amigos e colegas, listou mentalmente os seus gostos, comidas preferidas, filmes e músicas preferidas. Antes de adormecer, teve tempo para imaginar os locais que ainda gostaria de visitar.

 

Acordou sobressaltada, com fome e sede. Não podia perder a esperança de ser encontrada e ser salva. Gritou por socorro, gritou até esgotar as suas forças. Entretanto, os seus olhos já habituados à escuridão, conseguiram distinguir no seu lado esquerdo uma luminosidade ténue. Esticou o braço em sua direção e sentiu na mão uma humidade refrescante que lhe caía gota a gota. Levou a mão à boca para saborear o líquido. Sim, era água! Esticou desenfreadamente o braço uma e outra vez, quantas as necessárias para satisfazer a sua sede.

Desorientada, entre adormecer e acordar, perdeu a noção de tempo. Desconhecia se era dia ou noite, se estava ali há vários dias ou apenas há algumas horas… Saciava-se com as gotas que caiam mais espaçadamente. “Se as gotas pararem de cair estarei perdida!” Este pensamento feriu-a como uma flecha espetada no coração. Sentiu a morte a espreitar.

Já no seu limite, pediu novamente ajuda. Os pensamentos atropelavam-se na sua cabeça, sentia o desespero a invadi-la. Não estava preparada para morrer, ainda tinha tanto que experimentar, tanto que viver! Entrou em luta com o seu corpo dormente e com vontade de desistir. Não podia desistir, esperava que alguém a viesse salvar. Envolvida numa languidez sonolenta, começou a cantar. Começou a cantar as canções da sua infância, continuava com as suas canções preferidas e todas as que conhecia. Sempre que acordava, cantava, cantava já embrulhando as letras, cantava como se de um mantra se tratasse, como uma ladainha promissora de vida.

“Ei! Vocês estão a ouvir? Estão a ouvir?”, perguntou aos colegas, o jovem bombeiro que tinha acabado de se sentar para descansar uns minutos. “Estou a ouvir uma voz delicada a cantar!” Começou a bater nos pedaços de parede caídos e a chamar a pessoa soterrada, pedindo que continuasse a cantar até conseguir perceber a sua localização e a salvá-la.

 

Tayhta Visinho

 

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5.12.16

OsCondenadosDeShawshank-Frank Darabont-CastleRockE

Foto: Os condenados de Shawshank - Frank Darabont - Castle Rock Entertainment (1994)

 

Andy: Há alguma coisa dentro de nós, que eles não podem tocar. É nosso!

Red: Do que estás a falar?

Andy: Esperança.

Red: Vou dizer-te uma coisa, meu amigo. A esperança é uma coisa perigosa. A esperança pode levar um homem à loucura.

 

Este é um dos diálogos de Andy (Tim Robbins) e Red (Morgan Freeman), duas personagens do filme “Os condenados de Shawshank”, de 1994.

 

Só para contextualizar: Andy Dufresne é um bancário de sucesso, que vê a sua vida dar uma reviravolta quando é condenado, injustamente, pela morte da esposa e do amante. Com pena de duas prisões perpétuas é, então, enviado para a prisão de Shawshank. Aí desenvolve uma inesperada e especial amizade com Red, outro preso. Além disso, durante a sua estadia, o diretor da prisão obriga Andy a entrar num esquema ilegal de lavagem de dinheiro. Apesar das constantes humilhações, das injustiças, da solidão e do isolamento, e do desespero, há algo que nunca abandona Andy, nas quase duas décadas na prisão: a esperança.

A esperança pode ser aquilo que resta. A esperança pode ser como que a rampa de lançamento. A esperança pode ser o impulso, a mola que nos faz saltar para outra coisa. Por si só, não chega, mas é o estímulo que nos leva a agir, a mudar, a ser paciente.

“Os condenados de Shawshank” fala-nos de esperança, de redenção, de paz interior. Mas fala-nos de algo ainda maior: do espírito humano. Daquilo que existe dentro de cada um de nós, que não é palpável ou explicável. É um poderoso grito de liberdade e salvação, quando tudo parece perdido. Faz-nos acreditar que a redenção e o perdão são possíveis e que há por aí um futuro melhor à espera de ser agarrado por nós. E, que se nós não acreditarmos nisso, há sempre alguém que nos pode fazer acreditar em algo melhor. Assim como sucedeu com Red, que duvidava das palavras de Andy, mas que achou o sentido daquelas palavras algures na sua vida.

O ex-bancário consegue, por fim, fugir da prisão. Deixa uma carta a Red, que este lê quando já se encontrava também em liberdade. Na missiva, diz:

“A esperança é uma coisa boa, talvez a melhor das coisas, e uma coisa boa nunca morre.”.

 

Sandra Sousa

 

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2.12.16

Star-FineMayer.jpg

Foto: Star – Fine Mayer

 

Naquele dia de desespero, em que detesto quem sou e a vida que tenho. Nesse dia em que ninguém me compreende, o amanhã parece ser negro. Não tenho sonhos, só pesadelos. Não espero nada. Tudo é negro. Tudo é nada. O silêncio é um barulho ensurdecedor. No barulho nada consigo escutar. Não estou bem em lugar conhecido nem desconhecido. Nesse dia, precisamente nesse dia, olho para o céu. Vejo lá no alto essa luz que brilha no escuro. Alguém chamou essa luz de Estrela. Mas o nome não interessa. É a sua luz que brilha no escuro que importa. Dizem que as estrelas orientam quem está perdido na escuridão. Então é para ela que vou olhar sempre que me sentir assim, no escuro, pois aquela pequena estrela lembra-me que afinal é na mais completa escuridão que se veem as luzes mais brilhantes. Então sorrio e sinto tranquilidade no meu Ser. Agora sei, agora tomo consciência que, no ponto em que a minha vida se encontra, uma luz brilhante vai conduzir- me na escuridão. Afinal, nada está perdido. Muito menos eu.

 

Sara Almeida

 

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30.11.16

Woman-EnriqueMeseguer.jpg

Foto: Woman – Enrique Meseguer

 

Minha amiga de uma vida inteira, escrevo-te agora, minutos depois da despedida no teu abraço. Trouxe no meu coração a tristeza que partilhamos, a incredulidade pela inconstância da vida, a dor de te sentir novamente magoada. Trouxe, na alma, tudo aquilo que não te pude dizer. Há menos de uma semana, abraçava-te, efusivamente, pela alegria que de ti transbordava. Em poucos dias, porém, tudo mudou. Oh, minha amiga, que desilusão… Ver-te feliz é das imagens mais lindas e contagiantes da existência, ver o teu coração sangrar é uma das mais duras. Sabes, tudo aquilo que diminui a tua luz, põe em causa a minha fé no mundo e nos outros. Relembra-me que a vida não é justa ou imparcial, por mais que eu ame viver.

Hoje sei que não existem palavras suficientes para aliviar esse peso que carregas dentro do peito. Precisas de chorar, de estar triste, de estar apenas com quem queiras estar, de não explicar nada, de não perceber nada. Sento-me em silêncio ao teu lado porque é tudo o que precisas de ouvir de mim, neste momento. Não te vou dizer que vai passar, que já sobreviveste a tanta coisa, se calhar, muito pior que isto, que és linda de morrer, que o mundo está ceguinho e outros argumentos que, ainda que verdadeiros, te poderiam ferir agora. Hoje quero apenas que te sintas amada. Guardo tudo isto para mim, para to relembrar, com carinho e amor, quando a tua alma sorrir de novo, de coração aberto e sem chagas.

 

Hoje será assim, e se calhar amanhã também, e todos os dias mais de que precises; estarei contigo em todos eles, mas não te vou deixar construir lá casa. Não vou deixar que sucumbas à sombra do que te foi dado, te convenças de que isto é tudo o que mereces e te percas dentro de ti própria. Minha amiga, nesse lugar de dor, a vida é dura para toda a gente. Não permitas que, dentro de ti, viva alguém que não se identifica. Alguém que cruza o pátio, a medo, apenas para observar a lua e se lembrar que ainda existe. Alguém cuja voz nunca se ouve mas que mata todos os sonhos, um por um, sem apelo nem agravo. Sei que isto é mais facilmente dito do que feito, por isso, não te apresso na tua avalanche, não te sugiro, não te atropelo. Só tu conheces o tamanho da tua dor. Mas, amanhã, nesse amanhã que tu sentirás como o dia seguinte à tempestade, quando tudo isto já não doer em ti, não desistas daquilo que sempre quiseste, daquilo que sentes debaixo da pele, daquilo que te faz verdadeiramente feliz. Não percas a esperança da alegria, da cumplicidade, da honestidade. Não te acomodes a um guião onde vives pela metade. Não aceites menos do que dás na totalidade da tua alma.

Sei que te falham as palavras e a compreensão sobre ti própria, amiga da minha vida, mas não te sintas sozinha: na verdade, o que cada um de nós sabe de si próprio, e dos outros, não nos serena na nossa solidão. Quem grita em nós não encontra conforto nas palavras partilhadas com quem não as pode entender. Por isso andamos tão perdidos e desencontrados, num mundo concebido para o imediatismo e para a matéria. A vida parece ser exponencialmente multilingue mas, tristemente, continuamos tão iletrados no campo dos afetos. Contigo, todavia, e durante todos estes anos, nenhuma emoção permaneceu anónima ou ignorada, nenhum sentimento se desvaneceu. Como um farol no meio da tempestade, ter um amigo verdadeiro é manter viva a esperança de um porto de abrigo, de segurança, de compreensão. Não tenho poções mágicas para te dar ou garantias infalíveis de um dia melhor; tão pouco a minha vida pode atestar todas as coisas que agora te digo e em que ainda escolho acreditar. Mas sei que sempre te encontrei. Sempre. E tu a mim. Nas tempestades e nas alegrias.

 

Não sei quem vai caminhar contigo no futuro, quem vai encher o teu coração de amor e serenidade, quem vai encaixar em ti como uma luva, quem vai aos teus sonhos chamar “nossos” e voar contigo, sem medos nem reservas; mas só a esperança te pode colocar novamente nesse caminho. Agora, minha amiga, neste momento em que nada te faz sentido, deixa-me ser o teu farol, eu e todos os que te amamos. Deixa-me abraçar-te na dor, para que a sintas sair de ti, e mantém a cabeça à tona até voltares a sonhar e a respirar fundo. Um dia, acredita, vais sentir-te segura, amada e suficiente. E feliz, por mil razões mas, sobretudo, por teres enfrentado este momento com tanta coragem, apesar do medo e da tristeza. Nesse dia vais caminhar inteira, sem desejar nada do que ficou para trás.

Não percas a esperança, alma minha, não estás à deriva.

 

Alexandra Vaz

 

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28.11.16

Smartphone-GerdAltmann.jpg

Foto: Smartphone – Gerd Altmann

 

Não perder a esperança significa ganhar mais vida. Sim, mais vida para acreditar no futuro. É no acreditar que é possível, que mora a esperança; no acreditar em algo de positivo ou negativo, tão desejado por alguém, que pode acontecer, para gáudio de quem sempre acreditou. A esperança pode constituir uma força inspiradora e motivadora para quem confia no futuro, proporcionando uma sensação de segurança e estabilidade no plano das ideias, ao mesmo tempo que, pela sua função animadora, pode evitar o desespero, a frustração e o esmorecimento. Saibamos, por isso, aproveitar essa fonte de energia que poderá ser mantida com a força de vontade, perseverança e, sobretudo, no crer que algo é possível mesmo quando, porventura, surjam contrariedades. Nunca deixar cair a esperança, nunca a perder, parece ser a máxima da nossa vida a que devemos fazer jus. Perdê-la, impede-nos de encontrar o rumo certo, o sentido que nos ajuda a orientar a nossa vida, em busca do que tanto se deseja ou não. Embora o sentimento de esperança possa, de algum modo, confundir-se com um sentimento de bem-estar, na medida da confiança que lhe é transmitida durante o seu estádio de expetativa, em relação ao que se pretende realizar ou alcançar - mas sempre será um bem-estar instável, já que à esperança está sempre associada a dúvida do resultado - a verdade é que a sua energia é já por si suficiente para manter bem acesa a chama da vida na procura do que se deseja.

 

De resto, a sábia crença popular nunca deixa de recomendar e mesmo aconselhar: tenha esperança, não perca a esperança. É o aforismo popular tão vulgarmente usado pelo comum dos mortais perante o infortúnio e as vicissitudes da vida.  

 

José Azevedo

 

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